Não é o começo de tudo.

5 05UTC Novembro 05UTC 2009

INTRODUÇÃO

Existe uma história que sempre me fascina quando me lembro, mas ao mesmo tempo me entristece porque o final não é dos mais felizes. E como poderia ser?  Desde o início, esta parece ser a intenção da história: magoar, ferir. História, afinal, que é sobre um rapaz numa cidade estranha: ele se chama Lucas e tem uns dezesseis ou dezessete anos; ou talvez um pouco mais, é difícil dizer já que ele parece tão jovem e ao mesmo tempo carrega traços inequívocos de alguém com vinte e poucos e pesados anos. A história de Lucas pode parecer simples e clichê se considerarmos apenas a parte do “garoto novo na cidade que não conhece nada nem ninguém e acaba se apaixonando pela última pessoa de quem devia se aproximar”. Sim, ele vive uma história de amor. Mas há duas coisas que fazem da história de Lucas uma história surpreendente e inesquecível: primeiro, ele simplesmente acordou numa cidade da qual nunca ouviu falar (o que talvez não signifique muito já que ele viveu toda sua vida numa cidadezinha minúscula que outras pessoas também jamais ouviram falar); segundo, ele se apaixonou por ele mesmo, sem saber quem era – nenhum dos “dois”.

HISTÓRIA EXTRAORDINÁRIA

Lucas foi dormir ao anoitecer do dia trinta de novembro de mil novecentos e noventa e seis. Tinha que acordar muito cedo no dia seguinte já que ia viajar com a irmã e o ônibus sairia às cinco e dez da madrugada. Mas quando ele acordou e percebeu a forte claridade solar, denunciando cerca de oito ou nove horas da manhã, deu um pulo da cama achando que a irmã não o acordara porque tinha passado mal – ele nem se preocupou por ter perdido o ônibus, seu medo era a causa do atraso, que poderia ser mais uma das dolorosas crises de Camila.

Contudo, o pensamento de preocupação de Lucas foi um simples reflexo resultado do susto de sentir o sol alto; dois ou três segundos pós acordar, Lucas estava em pé e estático e pasmo: ele nunca vira o quarto onde estava agora, e certamente não era marulho o som que vinha de trás das paredes, tão pouco o Atlântico aquela cordilheira cinza e branco-sujo que ele encarava na direção em que deveria estar vendo o horizonte. E então os joelhos de Lucas o levaram subitamente para mais perto do chão, fazendo-o trocar a estabilidade por uma espécie de tremedeira e a pasmaria por um pavor calculado.

Mas esses sentimentos desapareceriam por alguns momentos nos próximos quinze minutos, pois ele seria tomado por uma mistura incompreensível de anestesia e adrenalina.

Quando o carro em que se encontrava quinze minutos depois parou atrás de um semáforo indicando vermelho, Lucas tentou compreender os últimos acontecimentos. Mas se a presença de nada menos do que três estranhos completos em um quarto de hotel de luxo em uma cidade europeia era inexplicável e um deles se comportar como se fosse um velho amigo e se apresentar como Olivier era inesperado, perturbador foi ficar no meio de uma troca de tiros aterradora enquanto era levado hotel afora pelo tal Olivier até um carro estacionado do outro lado da rua.

No semáforo, então, Lucas perguntou o que estava acontecendo. Olivier respondeu que é ele quem devia responder essa pergunta. E pergunta quem eram aquelas pessoas no quarto dele. Parte do acordo era os dois se encontrarem sozinhos. Lucas responde que nunca tinha visto aqueles homens antes, e diz que também não conhecia a ele, Olivier. Olivier diz que eles dois com certeza não se conhecem, pois apenas conversaram por e-mail. Lucas responde que não acessa o e-mail que ganhou no cursinho de informática há mais de seis meses. Olivier faz um gesto com o lábio, parecendo que não entendeu a piada. Mas Lucas diz que não é piada, que está falando sério. Que ele não faz idéia do que está acontecendo. Que foi dormir ontem como foi dormir anteontem e em todas as outras noites de sua vida e que hoje acordou num quarto de hotel com um monte de homem armado falando francês e atirando um no outro. Olivier olha fixamente para Lucas e Lucas olha para ele de volta e pergunta se por acaso ele, Lucas, sofreu um acidente e perdeu a memória.

Olivier então responde que já perdeu a memória uma vez. E que não sabe quem era antes dos vinte e dois anos. Lucas pergunta quantos anos ele tem agora. Trinta e três, de acordo com sua nova identidade.  Lucas, impressionado, pergunta se é possível que ele tenha perdido a memória também. Olivier diz que não é impossível. Lucas pergunta em que data eles estão. Olivier responde quatorze de dezembro e Lucas treme involuntariamente.

Lucas diz que ontem, quando foi dormir, era trinta de novembro. Olivier o olha preocupado e comenta o que os dois já sabia: ele tinha dormido duas semanas. Lucas olha para a rua, inconformado com a nova descoberta, e vê um painel eletrônico na rua informar a data: 14 de dezembro, segunda-feira. Lucas pergunta se hoje não é sábado. Olivier diz que não. Lucas diz que foi dormir na noite de sábado para domingo. Olivier responde que então não foi no dia trinta, pois o último dia trinta foi numa segunda-feira também.

Então sem saída e sem qualquer outra razão a não ser o desencontro de informações, Lucas pergunta em que ano eles estão. Olivier responde com um riso que é dois mil e nove. Mas imediatamente pára de ver graça na pergunta e na resposta quando vê a expressão aterrorizada no rosto do jovem e desconhecido Lucas.


Natureza humana.

4 04UTC Novembro 04UTC 2009

Eu me dou bem com essa minha personalidade meio distraída, meio ingênua… Por causa dela, por exemplo, frequentemente eu me flagro surpreso com acontecimentos que já não são mais novidade para ninguém, como quando noticiei “Gente, a Madonna desmaiou num show!”,  dias após o ocorrido, ou quando estranhei o nome “Topo Gigio”, personagem completamente estranho para  mim.  E isso é algo que causa momentos como: “Nossa, como assim só agora aconteceu a primeira morte por Gripe Suina na China!”, e alguém pergunta: “Então, Achilles… E de que mês é essa notícia, querido?”. Sem falar em todos os momentos que envolvem cores na minha vida. Eu sou daltônico. Por outro lado, me aproveito dessa característica autoreconhecida e faço brincadeiras como questionar “Que banda é essa?” ao ver alguém assistindo a um videoclipe anos oitenta do U2.

Um recente motivo de risos (e um besliquinho na bochecha acompanhado de um “Que fofo!”) foi quando declarei que quero visitar Amsterdã ano que vem para provar maconha sem peso na consciência, e quando confidenciei que estou com vontade de experimentar LSD, comentando que ia marcar uma consulta médica para saber se é seguro para o meu corpo.

Oras! Por que uma garota de 16 anos pode consultar um ginecologista ao decidir transar e um homem adulto não pode consultar, por exemplo, um cardiologista para usar drogas de acordo com o conceito de Redução de Danos?

De fato, eu realmente tomei essas duas decisões: só vou experimentar maconha quando estiver em um País em que a droga for legal, e só vou provar qualquer outra droga quando um médico disser que é relativamente seguro. E sim: eu acredito que encontrarei um médico mente aberta o bastante para ser completamente honesto (em todos os sentidos).

Mas o que me fez escrever esse post é um acontecimento ocorrido lá em setembro, num dos cantos escuros da badalada e (eu acho) bem frequentada casa noturna A Lôca.

Não entrarei em detalhes agora, para entender o caso basta ler uma matéria do G1 aqui ou, de preferência, um relato em primeira pessoa aqui (posts da época).

Leia, por favor.

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Viu? Agora me diz… O que você acha?

Bom, eu estou sim surpreso. Claro que sei imagino o que rola por aí nas noites paulistanas. Mas sempre associei os casos de agressão mais graves à tribos como skinheads e punks. Sim, eu também sei que há inúmeros casos de violência e assassinato cometidos por seguranças de bares e casas noturnas. Mas sempre acreditei que estes casos fossem casos de homens recém-contratados que eram provocados e, provavelmente tão chapados quanto os baladeiros, se descontrolavam. E sempre acreditei que esses homens eram sumariamente presos ou demitidos.

E agora leio que uma das casas noturnas que eu mais frequento frequentei é justamente conhecida por abrigar seguranças que explodem à menor oportunidade. O Gerente? Simplesmente “revidou as agressões”, dominou o cliente ao invés de cumprir seu papel e tentar acalmá-lo

Eu só não acho que o flyer criado para ilustrar o protesto seja válido. “Até quando seremos tratados como lixo apenas por termos gostos diferentes?”, diz a arte gráfica. Eu não acredito (novamente minha ingenuidade falando?) que o motivo da barbarie seja preconceito contra classes, estilos ou sexualidde – afinal, trabalhar como segurança em uma balada gay e ser, por exemplo, homofóbico, não parece fazer muito sentido.

Contudo, trabalhar como segurança em qualquer que seja o lugar e ser justamente o responsável por uma agressão hedionda a um dos frequentadores… É, isso também não faz o menor sentido.


Divagações na balada.

3 03UTC Novembro 03UTC 2009

De repente, um susto: eu estava sozinho.

Aonde foram meus amigos? Onde os vi pela última vez? O que foi que eu fiz desta vez?!

Da última vez que bebi do copo de um estranho, fiquei 10 vezez mais… Animado. E curti a noite como nunca. Mas o simples fato de ter ficado alterado me incomodou e, assim, jurei que jamais voltaria a beber do copo de algum estranho.

Promessa cumprida. Eu não bebi nada.

Nada estranho. De estranhos.

De fato, as bebidas da noite foram… Smirnoff com Sprite do lado de fora da casa. Um copo cheio. Uma dose de tequila (particularmente suave e gostosa, preciso lembrar de perguntar a marca) e uma caipirinha de saquê (okay, caipisaquê). Só isso.

E, de repente, com susto, me descubro sozinho. Sem nenhum conhecido ao redor… Um redor que de repente começou a rodopiar e se inclinar para a direita e balançar para cima antes de, inclinando para a esquerda, ir para baixo lentamente (e insuportavelmente desconfortavelmente) – levando meu corpo todo junto, a exceção do estômago, que insistiu em ir na direção contrária, querendo brincar de boliche fingindo que minha úvula era o pino restante e que as bolinhas de provolone à milanesa eram a bola.

Okay, escatológico, parei.

Sentei. Abaixei a cabeça e senti pela segunda vez na vida aquela sensação estranha que senti quando fui ao Playcenter pela primeira na adolescência e última vez na vida.

Abre parêntese. Acho Playcenter tão inútil. Nem divertido é. Só serve para deixar seu estômago virado e te forçar a dar sorrisinhos sociais enquanto sua pele empalicde para um tom de verde e seus amigos aparentemente imunes a isso e tudo mais se divertem comendo cachorro quente em uma fila que os fará ficar de ponta cabeça – para não dizer que é completamente ruim, confesso que gosto muito do bate-bate, a melhor atração EVER de qualquer parque de diversões. Fecha parêntese.

A sensação era de despencar 40 metros de altura com os olhos fechados.

Ergui a cabeça e abri os olhos e… uau… Descobri o que acontecerá quando entrar em uma certa atração que será inventada algum dia: um simulador que simula todas as máquinas do Playcenter somadas as do Hopi Hari ao mesmo tempo. Acredite, alguns retardados vão curtir esse simulador. Digo isso porque a sensação é… Nojenta de tão ruim.

Fechei os olhos de novo. A sensação ruim ficou pior. Ai decidi que, entre uma sensação ruim e outra tão terrível quanto, a melhor era a que tinha alguma possibilidade… externa. E exposta.

Ficar de olhos abertos permitia que algum pedaço do meu cérebro se divertisse com as atrações gratuitas que desfilavam (dançavam, se agarravam, ritualizavam) a minha frente (e dos meus dois lados).

Até que, de repente, um susto: alguém falou comigo.

- Oi, você tá bem?

- Hein?

- Você tá bem? Tá passando mal?

- Não – respondo. Afinal, alguem algum dia acharia aquela sensação divertida e faria do tal simulador um grande sucesso no Playcenter. Ou no Hopi Hare. Então não devia ser algo exatamente descrito como “passando mal”. – Eu acho que tô bem – deixo escapar, babando uma gotinha de honestidade.

- Bebe mais um pouco – sugere a filha da puta criatura fingindo que veio de Samaria – que melhora. Eu tava assim também – confessa rindo.

- Ah – murmuro, descobrindo que estimular a audição e a voz fazia a coisa ficar um pouquinho mais desagradável. – Vou beber uma água, então… – e de repente percebendo o que estava acontecendo, qual era o sentido de tudo aquilo, acrescento: – Me ajuda a chegar no bar?

- Claro! – responde animadamente a agora atraente criatura que provavelmente tinha vindo de… alguma cidade histórica onde só tinha gente bonita e atraente. E de belas pernas grossas. Nossa, que pernas.

E assim eu me ergo com um pouco de ajuda. E quando sinto minhas pernas vibrando sem auxílio de acessórios elétricos percebo que estou realmente mal. Alguma coisa estava errada.

Enquanto caminhava até o bar com uma confortável e reconfortante muleta que provocava certas reações libidinosas no meu corpo, comecei a pensar na última hora e no que tinha acontecido.

No bar, peço uma garrafa de água e… Bam. De repente, tudo vem a tona.

Beber do copo de estranhos não é legal. Pode ter alguma coisa ilícita e/ou perigosa dentro. Eu sempre soube disso – e redescobri assistindo a MeninaMá.com.

Mas eu nunca imaginei… aliás, eu provavelmente nem acreditaria se me contassem.

Sem perceber, consumi alguma coisa estranha. Ilícita, talvez, mas com certeza perigosa (no mínimo, me deixou mal, o que me deixa irritado, o que me faz perigoso, o que torna a substância perigosa).

É foda. Depois de tanto tempo, depois de tantas experiências… divertidas e que só poderei contar para os meu netos quando eles forem grandinhos… descubro que a coisa mais básica do relacionamento sexual humano, a mais bobinha e inofensiva de todas… também oferece perigo.

Assim, guardo agora mais uma lição: ao beijar bocas estranhas, tentarei não “dividir” balas ou chicletes. E se de repente, num susto, esgolir algo estranho, vou correndo para o banheiro cuspir.

O que me leva de volta a água recém pedida no bar.

Não consegui abrir a garrafinha e a bondosa e boa (gostosa, mesmo) criatura me ajudou.

Dei um gole, sentindo a deliciosa sensação de frio banhar minha língua, gargante, traquéia e … Encontrar congestionamento no caminho. Engavetar. Começar uma perigosa discussão. E dar ré, trazendo outras coisas enganchadas.

Okay, parei. Os próximos cinco segundos foram muito escatológicos.

ATUALIZAÇÃO

De repente percebi que o título desse post é uma porcaria.


ourTunes #23

22 22UTC Outubro 22UTC 2009

No início do ano, quando ouvi esta música pela primeira vez, senti uma espécie de emoção que me fez pensar nos melhores hits de Michael Jackson. E a cada dez vezes que ouço, em sete ou oito eu fico completamente emocionado.

A melodia é cheia de nuances interessamtes, a letra, simplesmente completa.
Além da voz desse cara, que é simplesmente belíssima.

Agora, com tantas qualidade, uma coisa que não consigo entender é como essa música pôde se transformar num clipe tão… tão… Tão tosco!

Okay. Na primeira vez, ignore o video, não deixe ele afetar sua emoção.
Depois, fique a vontade para se “divertir” com a tosquice.

este é o jeito que você me deixou
eu não estou fingindo
sem esperança, sem amor, sem glória
sem final feliz

acordo de manhã
tropeço na minha vida
não consigo amor sem sacrifício
se qualquer coisa deve acontecer
eu acho que te desejo bem,
um pequeno pedaço de paraíso
mas um pequeno pedaço de inferno

esta é a história mais difícil
que eu jamais contei
sem esperança, sem amor, sem glória
finais felizes acabaram-se para sempre

eu sinto como se estivesse desperdiçando
e eu desperdicei cada dia

este é o jeito que você me deixou
eu não estou fingindo
sem esperança, sem amor, sem glória
sem final feliz

este é o jeito que nós amamos
como se fosse para sempre
então vivemos o resto da nossa vida
a dois, mas não juntos

duas horas da manhã
alguém está na minha cabeça
não consigo descansar
fico andando por ai
se eu fingir que nada nunca deu errado
eu consigo adormecer
eu consigo sonhar e simplesmente seguir em frente?

esta é a história mais difícil
que eu jamais contei
sem esperança, sem amor, sem glória
finais felizes acabaram-se para sempre

eu sinto como se estivesse desperdiçando
e eu desperdicei cada dia

este é o jeito que você me deixou
eu não estou fingindo
sem esperança, sem amor, sem glória
sem final feliz

este é o jeito que nós amamos
como se fosse para sempre
então vivemos o resto da nossa vida
a dois, mas não juntos

(um pequeno pedaço de amor
pequeno pedaço de amor)


E se Dexter…

9 09UTC Outubro 09UTC 2009

Alguns meses atrás, lembro de ter lido algum comentário sobre algum ator da série Dexter falando que o final da quarta temporada seria impressionante. Hoje, li uma entrevista com Julia Benz em que a atriz conta que o final da temporada deixou todo o elenco chocado.

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De lá para cá, pensei em inúmeras situações que poderiam ser realmente chocantes, e hoje, finalmente, só consegui chegar a uma conclusão.

E me pergunto… O que aconteceria se Rita (a personagem de Benz), amada e carinhosa esposa de Dexter, descobrisse o sinistro segredo do marido?

DexterMorgan06

Para mim, ela certamente se revoltaria – após um determinado período de choque – e se decidiria por denunciar Dexter.

Se fosse uma ou duas temporadas atrás, acredito que o anti-herói optaria por fugir pelo mundo ou mesmo se matar, já que certamente seria incapaz de machucar Rita; e o mesmo vale para Debra. Hoje, porém, Dexter tem algo muito maior e mais forte que um amor maduro como o que tem por essas mulheres. Ele tem um filho: a maior ligação que um homem pode ter com outro ser humano.

Assim, se Rita se decidisse por denunciar Dexter, acredito que ele a mataria, para “proteger” seu próprio filho (novamente, o mesmo se aplica a Debra). Ele sabe – e ela(s) também, apesar de tudo – que ele jamais deixaria algo ruim acontecer ao bebê, e, acredito, cuidaria também dos filhos de Rita.

Será que os produtores terão aqui a coragem que não tiverem na segunda temporada, quando Lila “tomou” por Dexter a decisão mais difícil que ele já teve que tomar? Será que finalmente veremos Dexter matando um inocente para proteger seu segredo?

E você? O que acha que acontecerá neste tão chocante final desta nova temporada de Dexter?

E, na sua opinião, qual seria a decisão dele caso a mocinha que sempre protegeu se tornasse sua maior ameaça?


Came(ron), promesse.

1 01UTC Outubro 01UTC 2009

James Cameron adora revolucionar a tecnologia para efeitos especiais no cinema. E de tabela, geralmente usa histórias inteligentes, divertidas e tocantes como “cenário” para suas obras de arte. Exemplos máximos desse dom: O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final e, é claro, o recordista Titanic.

Pois Cameron fez uma promessa: revolucionar, de novo, a tecnologia para efeitos especiais. E para realmente surpreender o mundo, ele decidiu simplesmente recriar cenários e seres humanos reais… em computação gráfica.

Veja você mesmo:

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(Clique nas imagens para ampliar)

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Sim, tudo o que você vê nestas duas imagens é puramente computação gráfica.

Cameron prometeu, Cameron cumpriu.

Como você já deve saber, estas imagens pertencem ao novo longa de ficção-científica do diretor: Avatar. Uma história vendida como original mas que todo mundo fica apontando ou como adaptação de uma tal Guerra de Luz e Trevas ou plagio de um tal de Delgo.

Como escritor vítima de inúmeras coincidências semalhantes a essa (a mais recente, quando Stephenie Meyer roubou na premissa de A Hospedeira a minha subtrama envolvendo o personagem Eric em Pela Humanidade. Vaca.), eu acredito na originalidade de Cameron. Ou “originalidade”, como queira.

Mas este não é o assunto do post. O assunto é: porque criar uma tecnologia tão extraordinária como essa (banhe seus olhos novamente com essas imagens inacreditaveis aí em cima, vai lá!) para desperdiçá-la em um segundo ato tão… tão…

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Sim, estas três últimas imagens pertencem a Nova Trilogia Star Wars. Uma boa série, mas definitivamente muito inferior a qualquer trabalho que poderiamos esperar das mãos de James Cameron.

Duvida? Então vá a locadora mais próxima da sua casa (ou assine a Net Movies) e alugue Titanic e O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final. Você pode até detestar Celine Dion e Leonardo Di Caprio, mas não pode negar que Titanic é uma obra tecnicamente impecável e dramaticamente comovente. Quanto a Terminator 2, bom… é simplesmente um dos melhores filmes que já assisti na vida.

Agora, repito a pergunta: porque criar uma tecnologia tão extraordinária como essa, tecnologia capaz de recriar graficamente seres humanos perfeitos, para desperdiçá-la com…

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Estas imagens pertencem ao que certamente corresponde ao segundo ou terceiro ato de Avatar. E por mais que a história se revele maravilhosa, por mais que estas imagens continuem belíssimas e infinitamente superiores a…

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, não consigo deixar de sentir um certo desânimo com elas, não consigo deixar de ver essa parte do longa como um anticlímax, um desperdício.

Compare:

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De novo: por que ser capaz de recriar seres humanos em computação gráfica, se a tecnologia será usada para criar criaturas que – por mais bem desenhadas que sejam – são extremamente artificiais e digitais?

Um desperdício. Mas espero pela resposta.

Contudo, apesar de tudo… tenho uma confiança tão grande em James Cameron que, tenho certeza, dia 18 de dezembro de 2009, terei um novo filme para brigar por espaço em meu top 5.

E ai! dele se me decepcionar.


Uma jovem porra louca?

30 30UTC Setembro 30UTC 2009

A gostosona, divertidíssima, fantástica e ligeiramente bizzarra apresentadora do programa com melhor nome da TV, Irritando Fernanda Young, vai posar nua para a revista Playboy.

2.10.imagem_fernandayoung

#ChupemPlayboyzinhosAtrásDaMulherLaranja

Agora… por que uma mulher tão inteligente, culta, bem sucedida, bem resolvida e que queria ser gay posaria para uma revista como a Playboy?

Ela mesma explica:

Em seu perfil frustrantemente desatualizado no Twitter, o @youngporra, Fernanda Young  dá dez motivos para posar nua. Cinco deles são…

- Quer salvar o erotismo das mãos da breguice;
- Quer se vingar, pura e simplesmente;
- Em seus livros, ela se expõe muitíssimo mais;
- Quer irritar a própria mãe;
- Quer entrar para o Guinness Book na seguinte categoria:
Primeira Coelhinha da Playboy com 8 romances publicados.

Okay. Isto basta para mim. Parece que eu novembro eu vou comprar minha primeira Playboy.

Quem sabe esse gesto não incentiva a publicação a trazer outras mulheres realmente boas para suas páginas.

Boa sorte, mundo.

Ah, e estou lançando a campanha
#WillianBonnerNaGMagazineJá


Pedaços

30 30UTC Setembro 30UTC 2009

Pequenos acidentes
por Achilles de Leo – Adaptação de # # ###########

CENA 05 – EXT/D – ESTACIONAMENTO

DENISE
Você não quer ver seu amigo feliz?

LUCAS
Quero. Ele é o meu melhor amigo e eu faria qualquer coisa por ele.

DENISE
Então…

LUCAS
Mas não. Ajudá-los a ficar juntos não é o caminho. Deixe-o em paz, Denise. Encontre alguém para amar também.

Denise entra no carro.

DENISE
Não diga a ele que te procurei.

LUCAS
Nunca pretendi fazer isso.

CENA 18 – INT/N – QUARTO DE LUCAS

Uma porta bate com estrondo, Lucas corre para o meio do quarto, chorando.

Felipe entra logo atrás:

LUCAS
Vai embora, pai!

Alessandra entra no quarto em seguida. Chorando também.

FELIPE
Eu já pedi desculpas.

LUCAS
Me deixa em paz!

FELIPE (irritado)
Deixar em paz? Olha o que você acabou de fazer, Lucas. Você acabou com a minha paz… Eu pensei que conhecesse o meu filho… Lucas! Você tem noção…?

ALESSANDRA
Felipe, calma! Pelo amor de Deus, calma! Lucas, tá tudo bem, meu filho. Nós vamos resolver o seu problema…

LUCAS
Problema? Mãe isso não é um problema é a minha vida!

FELIPE
Isso não é vida, é moda! Tem gay em todo lugar, na rua, na tevê, no cinema… Até na igreja!

ALESSANDRA
Felipe, quieto!

LUCAS
Você nunca me respeitou. Dá conselhos uma vez por mês, chama pra uma conversa no Natal ou no aniversário e pensa que fez seu papel de pai!

FELIPE
Você quer dizer que a culpa é minha? Que eu não orientei você direito? (gritando) Eu fui um bom pai!

LUCAS (gritando)
Você nem queria ser pai!

FELIPE
Nenhum garoto de dezoito anos planeja ser pai. Não significa que não seja capaz de amar um filho que vem de surpresa!

LUCAS
Eu sei que você me ama, pai! Então por que não pode me apoiar?

Felipe não responde. Alessandra permanece parada perto da porta, com as mãos no rosto.

CENA 31 – INT/N – QUARTO DO CASAL

Alessandra está irritada, tirando brincos, soltando o cabelo. Felipe entra.

FELIPE
Você está sendo irracional…

ALESSANDRA
E você, conivente! Está permitindo que essa história cresça sabendo que perderemos o controle.

FELIPE
Mas nós não temos o controle disso, Alessandra!

ALESSANDRA
Como assim não temos? Para que serve nossa autoridade? Você está permitindo…

FELIPE
Se nós o proibirmos, se o obrigarmos a ficar longe do André, é de nós dois que ele irá se afastar.

ALESSANDRA
E você acha que não o perderemos se esse namoro continuar?

FELIPE
E você acha que seria diferente se fosse com uma garota? Você realmente acredita, Alessandra, que terá seu filho dormindo no quarto ao lado para sempre?

ALESSANDRA
Eu só quero proteger o meu filho!

FELIPE
Então pare de evitar a realidade!

ALESSANDRA
E o que você quer que eu faça? Um enxoval?

FELIPE
Não seja ridícula…

ALESSANDRA
Não seja hipócrita! Você está tão insatisfeito quanto eu.

FELIPE
Eu nunca disse que estava feliz. Mas não serei responsável por piorar as coisas. Prefiro meu filho dentro de casa com o garoto que eu batizei do que na rua com um completo estranho.

ALESSANDRA
Ah então é isso! Uma maldita campanha de redução de danos!

CENA 82 – EXT/D – PRAÇA

LUCAS
Você tá bem?

DENISE
Acho que sim. Às vezes fico meio confusa…

LUCAS
Confusa por quê? Não me leve a mal por dizer isso, Denise, mas… pra mim foi maravilhoso.

DENISE
Eu também gostei, Lucas. Mas eu sei que não foi certo. Não foi certo com nenhum de nós.

LUCAS
Não, não pense assim. É mais do que justo seguir os próprios sentimentos se ninguém se machucar com isso.

DENISE
E ninguém se machucou?

Lucas hesita.

LUCAS
Desculpe, eu não…

DENISE
Tudo bem, não é culpa sua. Mas é difícil pra mim. Vocês têm um ao outro enquanto eu estou completamente sozinha. Acordar de manhã e lembrar que ninguém está pensando em você… Isso deixa o seu dia um pouco…

Ela pára de falar. Lucas a abraça pelos ombros. Denise se levanta.

DENISE
Obrigada pelo sorvete.

CENA 91 – INT/N – BAR

LUCAS
Você pode mandar uma cerveja para aquele cara e dizer que é por minha conta?

BARMAN
Acho que não é boa idéia, amigo.

LUCAS
Por que não? Ele é do A.A.?

BARMAN
Não, ele só acertou um cara que deu em cima dele mês passado.

LUCAS
Eu não estou dando em cima dele.

BARMAN
Tudo bem. Mas até ele entender isso, você já foi para o hospital.

Lucas abaixa a cabeça rindo. O barman enche o copo dele outra vez.

BARMAN
Por conta da casa.

Lucas olha pra ele.

LUCAS
Você está dando em cima de mim?

BARMAN (rindo)
Eu tenho namorada.

LUCAS
Meu namorado também tinha.

BARMAN
Eu amo a minha.

LUCAS
Ele também me amava.

BARMAN
Qual é o seu nome?

LUCAS
Lucas. O seu?

BARMAN
Gabriel. (Pausa | sorrindo) Mas eu não sou gay.

LUCAS (rindo)
Você também não faz o meu tipo. E já deu a minha hora.

Lucas se levanta, mais embriagado do que parecia, e se segura no balcão.

GABRIEL
Você está de carro?

LUCAS
Eu vou andando. Não moro longe.

GABRIEL
Eu saio em vinte minutos. Se quiser te dou uma carona.

Lucas o encara com sarcasmo. Gabriel sorri.

GABRIEL
Eu juro que não sou gay.

LUCAS
Que pena.

CENA 98 – INT/N – QUARTO DE LUCAS

DENISE
Também sinto falta dele, Lucas.

LUCAS
Não deveria. Ele não sente nada por você.

DENISE
Mas por você ele sente.

LUCAS
Não, não sente.

DENISE
Nós dois sabemos que sim.

Ele se levanta e vai até o guarda roupas.

DENISE
Aliás, nós três.

Ele pega uma camisa e se veste.

DENISE
Você vai sair?

LUCAS
Vou.

DENISE
Você sabia que a sua mãe procurou a minha semana passada?

LUCAS
Denise… Nós não vamos nos casar. Você sabe disso, não sabe?

DENISE
Eu já disse a sua mãe que não quero.

LUCAS
Mas você queria se casar?

DENISE
Não, não queria. Mas tenho medo de ficar sozinha com o meu filho.

LUCAS
Você sabe que eu não vou te abandonar com a criança…

DENISE
Na verdade, desconfio que sim.

LUCAS
Como assim? Eu nunca…

DENISE
Faria isso? Nunca me deixaria sozinha com a criança? Com “a criança”, Lucas?

LUCAS
O que você quer que eu diga? “Meu filho”? “Meu bebê”?

DENISE
Seria um bom começo…

LUCAS
Eu não consigo…

DENISE
Eu sei. Acho que enquanto o André estiver longe, você será incapaz de amar de novo. Nem seu próprio filho. Nem a si mesmo

LUCAS
Por que está dizendo isso?

DENISE
Eu já estive no seu lugar uma vez.

Denise se levanta e pega um casaco no guarda-roupa.

LUCAS
Aonde você vai?

DENISE
Você não é o único que precisa espairecer às vezes.

LUCAS
Você vai ficar bem?

DENISE
Será?

Denise sai.


Virou Lenda

28 28UTC Setembro 28UTC 2009

O original do texto abaixo, diz a lenda, é uma “composição” do ator, autor, diretor, escritor Miguel Falabella. Fiz uma pequena edição no texto, para ficar um pouco mais breve e intimista. O original, não faço idéia de onde esteja publicado…

Mas por que publicar aqui?
Porque e fofo. Não tanto quanto Amy Lee cantando Cartoon Network, mas é fofo.

A dica da publicação? Rômulo, o Nunes.

Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé; doem.

Dói bater a cabeça na quina da mesa,dói morder a língua,
dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.

Saudade de um irmão que mora longe.
De um filho que estuda fora.
Do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu,
Do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.

Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.

Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.

Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem,
Mas sabiam-se lá.

Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor,
Ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.

Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido mal por causa daquela mania de estar sempre ocupada;
Se ele tem assistido às aulas de inglês,
Se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial;
Se ela aprendeu a estacionar entre dois carros;
Se ele continua preferindo Malzebier;
Se ela continua preferindo suco;
Se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados;
Se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor;
Se ele continua cantando tão bem;
Se ela continua detestando o MC Donald’s;
Se ele continua amando;

Saudade é não saber.

Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos;
Como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento;
Como frear as lágrimas diante de uma música;
Como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber se ela está com outro,
E ao mesmo tempo querer.

É não saber se ele está feliz,
E ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos.

É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer…

Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler…


True Blood – Sangue, vida e Humanidade.

21 21UTC Setembro 21UTC 2009

Primeira Parte

Dois anos após o encerramento de Six Feet Under, em 2006, uma série dramática que falava sobre família, amor, sexo e morte… em resumo, humanidade… Seu criador, Alan Ball, voltou com um novo projeto que, para susto de seus fãs, um público adulto e exigente, tratava-se de uma série sobrenatural: True Blood. A escolha do tema, contudo, não poderia ser mais astuciosa, pois Ball usa nada menos que vampiros para explorar justamente o conceito de “human being”.

Superado, porém, o preconceito inicial alavancado pelos produtos da franquia Crepúsculo, Alan Ball viu boa parte do seu velho público sentado novamente à frente do sofá para ver seu programa e, sem surpresa, assistiu também uma nova geração de fãs se unir à primeira.

Duas temporadas depois (com gostinho de uma), True Blood já desfilou uma coleção tão deliciosa de personagens que fica difícil decidir de quem se gosta mais. E chega a ser curioso que, à princípio, sejam os coadjuvantes os que roubam a cena, já que a estouradinha e sofrida Tara e o safadinho-encrencado Jason acabam sendo muito mais interessantes do que a inocente e perspicaz Sookie ou o galante e ameaçador Bill, humana e vampiro protagonistas e vítimas do amor à primeira vista.

Mas o contraste revela-se um pequeno artifício para que nos encantemos com o maior número possível de personagens antes que os protagonistas assumam seus lugares de honra, sem ofuscar os demais. O que não demora muito para acontecer, já que o romance Sookie-Bill rapidamente conquista a simpatia do espectador, graças ao carisma do casal. Assim, enquanto eles dão novos passos em seu relacionamento, Tara se arrisca em um caso com seu chefe e tenta lidar com a cada vez pior doença da mãe (caso que dá origem a uma intrigante sub-trama sobre fé), Jason se encrenca mais algumas vezes e parece não aprender a lição, o mistério de um serial killer fica mais ameaçador e novos vampiros, que vão surgindo e revelando outras facetas da raça, atiçam nossa curiosidade, revelando que o universo de True Blood é em si um personagem, e não apenas um mero cenário.

Segunda Parte

É claro que nada é perfeito e Alan Ball e seus realizadores cometem erros aqui e ali, como ao aumentar demais os indícios que criminalizam Jason, ou quando tentam despertar desconfiança no espectador desviando as suspeitas de um determinado crime para o bondoso mas esquentado e chatinho Sam. Por outro lado, acertam fácil com os diálogos, tanto cômicos (“Odeio usar os números para digitar”) quanto argumentativos (“Pois meu mundo está se abrindo rápido demais”) ou retóricos (“Estes eram humanos”).

E se o formato “short-season” ajuda algumas séries a contarem melhor suas histórias (Skins, Dexter, a própria Six Feet Under e, principalmente, as últimas temporadas de Lost), aqui o padrão não surte muito efeito já que, como mencionei anteriormente, as duas primeiras temporadas de True Blood são tão conectadas que parecem ser duas partes de uma mesma (e excelente) fase, mesmo que cada temporada conte com seu próprio “caso a ser resolvido”.

Por falar nos casos, é interessante observar que ambos não parecem desempenhar um papel tão fundamental na história, a princípio. Na primeira temporada, apesar da presença do serial killer (um suspense batido, diga-se de passagem), o mais importante na narrativa era desenvolver os personagens e apresentar ao público as regras básicas do lado vampiro do mundo. Já na segunda, a principal mudança acontece no tom da narrativa, que deixa de lado as possibilidades mais realistas (afinal, a coexistência vampiro-humano era tratada de forma bastante sóbria) para desenvolver abertamente elementos sobrenaturais (que já haviam sido introduzidos), o que considero um erro. Embora ainda na primeira temporada sejamos apresentados a um metamorfo e testemunhemos dois impressionantes exorcismos, a verdade é que essas pequenas intervenções não afetavam nossa identificação com aquele mundo. Agora, trazer uma criatura mitológica tão fabulesca quanto aquela interpretada por Michele Forbes parece ter sido um passo grande demais para uma série tão jovem.

Porém, verdade seja dita, a subtrama foi conduzida de um modo que merece aplausos, crescendo rápida e nada discretamente, mas ainda assim dentro de um limite específico, sem ousar atrapalhar nosso envolvimento com a trama paralela envolvendo fundamentalistas religiosos e, principalmente, a rápida (rápida demais) presença de Godric, o personagem mais interessante, complexo e profundo que a série nos apresentou até o momento…

Terceira Parte

Aliás, Godric ofuscou todo e qualquer momento já visto na série e provavelmente jamais será superado. Ouso dizer, ainda, que jamais fiquei tão profundamente encantado por um personagem quanto fiquei diante de Godric, interpretado por um jovem e praticamente desconhecido Allan Hyde com uma serenidade impressionante, mas também dor, revelando apenas no olhar uma existência longa demais de um ser que já viu de tudo, já fez de tudo e está pronto para seguir em frente no longo caminho da existência. E sua fala, “Eu não penso mais como vampiro”, revela de forma econômica um ser muito superior a sua própria raça e infinitamente maior que um ser humano – embora ele seja também imensamente ingênuo, por depositar sua fé em algo tão frágil (a raça humana, original ou transformada), e dono de uma inocência encantadora, a ponto de se fascinar com meras lágrimas humanas; neste caso em particular, verdadeiras em todos os sentidos.

Foi uma pena que esse momento tenha durado tão pouco… e acontecido tão rapidamente. Pois infelizmente é preciso dizer que a decisão de Godric (seguir em frente) aconteceu de forma tão súbita e inexplicável que só percebi o que estava acontecendo quando já estávamos no telhado. No mesmo caminho, True Blood deixou de lado seu momento mais fascinante para retornar a subtrama da vez e… Repito: por mais incômodo que seja, o caso foi desenvolvido de forma realmente interessante e, para minha surpresa, se revelando um perigo real para humanos e vampiros, incluindo os mais velhos e mais fortes. E o desfecho não deixa de ser satisfatório, embora súbito e contraditório (afinal – spoiler – a criatura descobriu no último instante que o animal não era o deus, então não deveria ter sido destruída – fim do spoiler).

Em vinte e quatro episódios fantásticos, sempre crescendo em ritmo, intensidade e história, True Blood já se estabeleceu como um dos melhores e mais surpreendentes lançamentos desta metade da década, ficando lado a lado de dramas formidáveis como Dexter e Lost e ainda continuando, com uma curiosa coerência, os temas e conflitos vistos na finada Six Feet Under, mas acrescentando ao quadro elementos como política, fé, religião e expiação. Ou seja, tudo o que forma nossa humanidade. Antes ou depois da transformação.


AmigosAmigosAmigosAmigosAmigos

18 18UTC Setembro 18UTC 2009

Recentemente eu fiquei tão encantado com um personagem de True Blood, nova fascinante série de Alan Ball, que cheguei a declarar que este era, desde já, meu personagem preferido entre todos de toda a Ficção…

Um sério equívoco. Pois em seguida me flagrei pensando em todos os personagens dos quais já gostei imensamente, seja em séries, em filmes, em livros ou novelas. E conclusão? Godric não é meu predileto. Mas definitivamente está entre os melhores.

Abaixo, a primeira versão dessa lista.

Mas o que define esta lista?

Personagens tão intensos e encantadores que, se um dia eu enlouquecer em me enclausurar em um mundo imaginário que puder “montar” à meu bel desejo, estes serão meus melhores amigos, convidados para o jantar todas as noites…

5º – Alvo Dumbledore – Harry Potter
4º – Cassie – Skins
3º – Godric – True Blood

E os mais fascinantes…

2º – Walter Bishop – Fringe
1º – Lyra Belacqua – Fronteiras do Universo

E sem ordem de preferência, outros personagens que seriam convidados para eventuais festinhas são:

Bill – Fronteiras do Universo
Dexter – Dexter
Fox Mulder – Arquivo X
Joyce – A Agenda Secreta do Meu Namorado
Lynette – Desperate Housewives
Marvin – Guia do Mochileiro das Galáxias
Ned – Pushing Daisies
Olive – Pushing Daisies
Rapaz – Apenas Uma Vez
Tom – Desperate Housewives
Tom – Pela Humanidade


A Nova Priscilla

17 17UTC Setembro 17UTC 2009

Depois de dois álbuns simplesmente excelentes (três se contarmos o ao vivo), a banda Pitty ressurge agora com uma promessa: novidade. E Chiaroscuro, o novo álbum com seu curioso e ótimo nome, até ensaia cumpri-la, mas ofega e acaba retrocedendo, satisfeito em se reduzir a um simples trabalho com algumas inovações, longe de representar uma reviravolta significativa na carreira da banda.

Porém, embora repita aqui a fórmula inteligente que marcou os trabalhos anteriores, onde mais do que contar boas histórias ou fazer comentários políticos, sociais e filosóficos relevantes, a banda ensinava e educava seu público, o resultado é que Chiaroscuro é uma soma de poucas músicas excelentes, algumas apenas boas e também momentos ruins, como a irritante (e de tom amador) Rato na Roda e a divertidinha mas tola Trapézio.

Se anteriormente, Pitty e suas letras ajudavam adolescentes e jovens adultos a lidarem com suas identidades (Máscara, Anacrônico), dúvidas (Querer Depois e, genericamente, Do Mesmo Lado) e caminhos errados ou novas chances (Temporal, Semana Que Vem, Déjà Vu), agora, a banda se satisfaz com releituras reduntantes (Descontruindo Amélia) e paráfrases apenas interessantes (Fracasso).

Mas uma banda com integrantes tão inteligentes e maduros (em especial, a vocalista) jamais poderia cometer um trabalho inteiramente ruim. Assim, em contrapartida a desestimulante faixa de abertura, temos Me Adora, primeiro single e uma das três melhores músicas do álbum. Em seguida, Medo, outra das melhores, volta no tempo e mata nossa saudade de Anacrônico, deixando a visita ao Admirável Chip Novo para Fracasso, música que estaria bem à vontade no debute.

Com erros ignoráveis (Rato na Roda, 8 ou 80) e experimentos memoráveis (Me Adora, Água Contida), o álbum é um resumo contrastante de conceitos e experiências acumuladas em uma vida bem vivida, mas que ainda está apenas na metade do caminho, como bem mostra a tocante e intimamente nostalgica Só Agora, a slow-motion-mode-on A Sombra e como revela inconscientemente a promissora Todos Estão Mudos, composição que remete a intensa e infinitamente mais corajosa Quem Vai Queimar? e que resume bem o que Chiaroscuro poderia ter sido: inicia um protesto, grita alto, aponta erros, promete revolução, diz o que deve ser feito, que algo deve ser feito… mas se cala antes de levar a cabo o combate.

Em resumo, a nova Pitty promete e cativa mais do que está disposta a se responsabilizar e jamais cumpre sua palavra, talvez acreditando que o simples ato de gritar é o bastante para exorcizar demônios mergulhados nas mais baixas profundezas.

UP: 18 de setembro

Faixa a faixa:

8 ou 80 | Boa letra… Melodia muito cansativa. Não foi uma boa escolha par abrir o álbum

Me Adora | Um excelente hit. Letra gostosa, melodia deliciosa, refrão pegajoso.

Medo | Letra excelente. Uma verdadeira carpintaria na melodia. A ponte é estranha, mas este parece ser o objetivo. Aposto que será outro hit.

Água Contida | Excelente introdução. Uma deliciosa continuação de estilo para Me Adora. Letra inesperadamente divertida. Outro hit?

Só Agora | A balada mais íntima de Pitty (a cantora) até hoje. Melodia discreta, letra doce, triste. Como eu disse, provoca uma espécie de nostalgia que não consigo associar a nada.

Fracasso | Parece ter sido feita para o Admirável Chip Novo. Letra pittyniana, melodia atual. Aposto que é hit. Se não esta, a próxima…

Desconstruindo Amélia | Ótimo título, melodia básica, adequada. A letra é divertidíssima, mas reduntante. Não acrescenta nada a mulher atual, apenas comenta. Daria um hit pegajoso.

Trapézio | Outra melodia básica que combina com a letra. Uma letra que me remete diretamente a adolescência.

Rato na Roda | Demora para engatar, e acaba fundindo. O refrão é legalzinho, mas não o suficiente. Letra pittiniana demais. Demais. (Já tô com saudade das primeiras faixas…)

A Sombra | Música calma, limpa, traiçoeira… Valeu a pena esperar por este momento.

Todos Estão Mudos | Uma música para o cenário global atual? Boa. Mas longe de ser extraordinária. Encerra o álbum como se fosse uma reticência enorme…

Em ordem de preferência:

Medo
Só Agora
Me Adora
Água Contida
A Sombra
Descontruindo Amélia
Fracasso
Todos Estão Mudos
Trapézio
8 ou 80
Rato na Roda

4-estrela6


TruBlud | Em breve… mais sangue…

14 14UTC Setembro 14UTC 2009

Dois anos após o encerramento de Six Feet Under, em 2006, uma série dramática que falava sobre família, amor, sexo e morte… em resumo, humanidade… Seu criador, Alan Ball, voltou com um novo projeto que, para susto de seus fãs, um público adulto e exigente, tratava-se de uma série sobrenatural: True Blood. A escolha do tema, contudo, não poderia ser mais astuciosa, pois Ball usa nada menos do que vampiros para explorar justamente o conceito de “human being”.

Superado, porém, o receio inicial, alavancado pelos produtos da franquia Crepúsculo, Alan Ball viu boa parte do seu velho público sentado novamente à frente do sofá para ver seu programa e, sem surpresa, assistiu também a uma nova geração de fãs se unir à primeira.

Duas temporadas depois (com gostinho de uma), True Blood já desfilou uma coleção tão deliciosa de personagens que fica difícil decidir de quem se gosta mais. E chega a ser curioso que, à princípio, sejam os coadjuvantes os que roubam a cena, já que a estouradinha e sofrida Tara e o safadinho-encrencado Jason acabam sendo muito mais interessantes do que a inocente e perspicaz Sookie ou o galante e ameaçador Bill, humana e vampiro protagonistas e vítimas do amor à primeira vista.

Mas o contraste revela-se um pequeno artifício para que nos encantemos com o maior número possível de personagens antes que os protagonistas assumam seus lugares de honra, sem ofuscar os demais. O que não demora muito para acontecer, já que o romance Sookie-Bill rapidamente conquista a simpatia do espectador, graças ao carisma do casal. Assim, enquanto eles dão novos passos em seu relacionamento, Tara se arrisca em um caso com seu chefe e esquece rapidamente uma paixão platônica, Jason se encrenca mais algumas vezes e parece não aprender a lição, o mistério de um serial killer fica mais ameaçador e novos vampiros, que vão surgindo e revelando outras facetas da raça, atiçam nossa curiosidade, revelando que o universo de True Blood é em si um personagem, e não apenas um mero cenário.

Segunda-feira, dia 21, parágrafos finais e clímax sobre as duas primeiras temporadas de True Blood.


Preguiça violenta de escrever.

8 08UTC Setembro 08UTC 2009

Post publicado por Mauro Vilela Pietrobon, autor convidado.

Imagino que qualquer pessoa que escreve bastante já passou por isso: A preguiça de escrever o que quer que seja.
Não é aquela coisa “Estou sem nada pra escrever”, é preguiça, mesmo! Sempre damos o motivo de não ter nada para falar, mas se nós quiséssemos mesmo escrever, encontraríamos alguma coisa pra dizer! Afinal, o mundo gira né, gente, e enquanto eu escrevo esse texto várias coisas estão acontecendo! Não dá pra simplesmente dizer que “não tem o que falar”, nunca “não tem o que falar”!! Se nada de interessante aconteceu na sua vida, fale sobre o tédio, fale sobre o ócio, temas cansativos, que já foram longamente abordados, mas que por mais incrível que pareça sempre são abordados de maneiras bem diferentes!
Você não pode ter passado as últimas 24h sem fazer absolutamente nada! Você pode ter ficado no ócio, o que é bem diferente de “não fazer nada” (bom, primeiros vamos dizer a verdade, a construção da frase deveria ser “fazer nada” e não “não fazer nada” pois, ao meu ver, se alguém “não faz nada”, obviamente está fazendo alguma coisa.) Retificando: Ninguém “faz nada”. Você pode estar na atividade mais ociosa de todas: Televisão, afinal, o que quer que você faça no computador, no quarto, no armário, na balada, no bar, na escola, na faculdade, no trabalho, longe da televisão, é muito mais intelectual ou muito mais ativo do que ficar na frente da televisão assistindo novelas ou seriados ou programas (eu digo bem novelas, seriados ou programas, porque filme é outra coisa, filme é cinema, novelas, seriados e programas são televisão, coisas absolutamente diferentes.) Voltando… Se você está na frente da televisão, olhando os programas passarem, você ainda assim está fazendo alguma coisa, pode ser esse o momento no qual você percebe que pô! Televisão é uma coisa muito ruim, não traz quase nada às pessoas e blablablá. Pronto, você pode escrever sobre isso.
Para você “fazer nada”, você precisa nunca ter nascido (digo isso pois ninguém sabe o que vem depois da morte), pois enquanto você está em vida, você pode estar pensando em nada (é sério, é possível estar pensando em nada, eu sei!) Mas mesmo assim, pensar em nada está longe de “fazer nada”, pois enquanto você pensa em nada, você simplesmente descansa, é um momento de repouso, e se você está com esse momento de repouso intelectual é porque obviamente há pouco tempo, ou em pouco tempo, você entrará em um estado de atividade intelectual exigindo uma maior capacidade de seu cérebro para desenvolver raciocínios.
Ou seja: Você sempre tem o que escrever!

E mesmo assim, tem vezes que você simplesmente…não está afim! Você olha para a folha, para o Word, para o WordPress, para o Blogspot, Blogger, Skyrock, Fotolog, Nafoto, papel sulfite, lousa, quadro branco, negro, calendário, agenda, diário… e não se sente inspirado para falar sobre absolutamente nada. Na hora pode chegar alguma certa quantidade de temas, mas você não quer porque não quer escrever.
Por que isso?
Eu tinha uma teoria, até minha última fase dessas: falta de leitura. Eu fiquei um tempo sem conseguir produzir textos pelo simples fato de não estar lendo quase nada.

Mas aí é que está o problema: agora eu estou lendo! Estou até lendo mais do que lia há uns dois meses, lendo L’Histoire d’un alleman (Sebastian Haffner), “O alienista” (Machado de Assis) e comecei Le Lièvre de Vatanen (Arto Paasilinna), isso sem contar que já li todos os novos posts de todos os blogs que acompanho (acreditem: são MUITOS), tenho lido as twittagens de meus amigos regularmente (e agora eu voltei a seguir algumas pessoas que eu tinha parado, já que estou com TwitterFox e a vida ficou mais fácil) e como se não bastasse estou acompanhando uma certa quantidade de tópicos em três comunidades diferentes do orkut! Basicamente, se eu não estou inspirado para escrever, não é por falta de leitura, mas sim por PREGUIÇA.

Mas de onde veio essa preguiça, que claramente é consertável, já que eu sentei para escrever um post teoricamente curto e já estou nas 678 palavras? Fica claro que a preguiça é só de começar, porque como acontece de vez em quando, é só começar que vai sozinho! E já estou lá eu fazendo críticas sobre a televisão, sobre filmes, sobre livros, peças, jogos, amigos, uma crítica social, por que não? Contando mais uma parcela do meu dia ou narrando acontecimentos que mostram que eu sou uma pessoa com dupla personalidade.

Pois é… A preguiça é como o desejo.
O desejo é como a fome.
Ou você mata ele, ou ele te mata.
E o único jeito de matar a fome é… escrevendo.


Anticristo (Lars Von Trier)

1 01UTC Setembro 01UTC 2009

Anticristo, todos já sabem, é o primeiro filme do gênero terror do cineasta dinamarquês Lars von Trier, criador de obras máximas como Dançando no Escuro e Dogville – duas obras-primas de um mesmo artista. Aqui, porém, o cineasta dá um passo para trás e, concebendo um trabalho graficamente agressivo (com direito a penetração sexual e automutilação) e plasticamente fascinante (a sequência de abertura do longa é uma obra de arte à parte), acaba errando  ao mergulhar o espectador em uma trama dramaticamente incompleta, embora profunda.

O longa conta a história de um casal (cujos nomes jamais conhecemos) que tenta lidar com a morte do filho pequeno; um episódio terrível e ainda mais trágico graças a culpa deles por uma negligência momentânea; em especial da mãe, que não consegue se recuperar do luto e se entrega aos estágios mais profundos e escuros da dor. Numa tentativa de ajudá-la, o marido – que é psicólogo  – decide levá-la para uma cabana na floresta onde ela passou férias sozinha com o filho, acreditando que se ela enfretar seus piores medos irá perceber que eles não representam um perigo real e, assim, poderá emergir do luto. Mas logo o dedicado marido descobre que a mulher está mais mergulhada nas trevas do que ele era capaz de imaginar, e o cenário escolhido para o tratamento revela-se o gatilho perfeito para uma perturbadora reviravolta.

Anticristo, como pode ser notado, tem uma premissa claramente poderosa, mas a história, infelizmente, é conduzida por atalhos sem saída, lançando elementos e alegorias interessantíssimos (como o aborto de um animal, o canibalismo de outro, uma fogueira) mas jamais explorando suas possibilidades. E se esse desperdício já não fosse demais, von Trier falha gravemente ao introduzir elementos sobrenaturais à narrativa, transformando o que era até então um fascinante estudo de personagens e psicologia em um terror barato envolvendo demônios.(Contudo, reconheço que ainda é possível fazer uma leitura mais racional da história, só é uma pena que o ótimo cineasta tenha reduzido seus personagens a um artifício tão pequeno).

Mas se Lars von Trier falha como roteirista, seu trabalho como diretor está a altura de suas melhores obras. A começar pelo prólogo (citado no primeiro parágrafo), totalmente em preto e branco e câmera lenta, com planos detalhes chocantes ou belíssimos, e os enquadramentos marcantes, como o plano plongé que revela o casal transando aos pés de uma árvore e o quadro em primeiro-plano que mostra o protagonista sob uma chuva de bolotas de carvalho, passando pela curiosa escolha da trilha sonora, que erra e acerta na mesma medida: se por um lado os trapaceiros acordes súbitos assustam mais que o próprio susto da cena, por outro, a pontual trilha sombria parece ser uma forma de assumir que o filme se trata de um filme de terror, o que funciona como adequada homenagem ou referência ao gênero. E confesso que fiquei tensamente incomodado (no bom sentido) com o barulho das (já citadas) bolotas de carvalho caindo sobre o telhado.

Contudo, e não há dúvidas sobre isso, o grande trunfo de von Trier e Anticristo está mesmo em seu casal de protagonistas, interpretados por Willen Dafoe e Charlotte Gainsbourg com um desapego físico impressionante, exibindo seus corpos até a mais profunda intimidade, e uma entrega emocional absoluta, transformando o casal em pessoas perturbadoramente reais.

Se formos considerar os trabalhos anteriores de Lars von Trier, este último lançamento será inevitavelmente classificado como uma obra menor. Porém, é justo dizer que, mesmo devendo às expectativas, Anticristo revela-se um exemplar de terror realmente digno, ou até mesmo mestre, superando em coragem meros programas que apelam para o choque barato, como a franquia Jogos Mortais, e exibindo cenas de violência que ultrapassam qualquer ousadia dentro do gênero… E de brinde, ainda nos traz personagens mergulhados em um drama extremamente profundo, dramático e fascinante.

4-estrela