Skins. Sexta temporada. Episódio 1. Todos.
“As coisas mudam tão rápido, tão rápido…”
É como se uma temporada inteira tivesse se passado entre o último season finale e o início deste novo ano. De volta às vidas de Frankie, Matty, Mini, Alo, Liv, Nick, Rich e Grace, encontramos um grupo de amigos que, de um minuto para o outro, parecem ter dado alguns passos a mais ao encontro de suas identidades. Mas nem todos, é claro.
Frankie aparentemente está naquele caminho em que, para se encontrar, é preciso se perder. Mini, por outro lado, que era a mais perdida entre todos na temporada passada, surge finalmente confortável (ou no mínimo entretida) com as opções pobres que consegue identificar. O que é uma grata surpresa. Já Matty, desde sempre enigmático, dá a entender que conhece bem o que vem a seguir, e não quer chegar lá.
Ele está certo, como descobrimos cedo demais. E como acontece a todos os personagens que atraem tragédia, Matty é obrigado a testemunhar seus erros se tornando a tragédia daqueles ao seu redor. O que ele faz a seguir? Isto nós já sabemos pela temporada anterior.
Mas seriam mesmo erros? Ou todas as merdas da sua vida são justamente consequência de uma atração irresistível por elas. Afinal, há uma grande diferença entre cometer um erro e escolher fazer o que é errado. E nós sabemos exatamente qual é o caso dele quando o vemos dentro de um carro em determinado momento.
Skins está de volta e hora da verdade está a frente. Esta é a sexta temporada e o arco final da terceira geração de personagens. Se o desfecho dessa história será tão belo e marcante quanto a primeira ou sofrerá a mesma sucessão de erros da segunda, bom… Nós vamos descobrir um passo de cada vez a caminho do próximo season finale.
Tudo Pelo Poder (George Clooney)
Stephen Meyer é um jovem e atraente assessor de imprensa que se vê numa confortável posição de poder já aos 30 anos de idade. Um poder que não se compara ao de seu objeto de trabalho, o governador Mike Morris (irresistível na pele George Clooney) ou à influência de sua “melhor amiga” (a inevitável jornalista vivida por Marisa Tomei). Mas ainda assim, um poder que é capaz deslumbrar uma jovem estagiária, que não resiste comentar que ele se hospeda em um hotel de luxo com os chefes enquanto o restante do staff é obrigado a ficar em um lugar mais pobre – e, claro, divertido.
O que a estagiária Molly vivida pela doce Evan Rachel Wood jamais entenderá, porém, é que é preciso muito mais do que competência para alcançar uma posição de poder. É preciso cuidados e inescrúpulo. É preciso aliados, e inimigos para chamar de amigos. E é preciso deixar moral e valores estrategicamente posicionados no speech, mas longes das mãos, já que inevitavelmente eles se tornarão armas para a auto-destruição.
Coisas que, é preciso dizer, o próprio Stephen ignora, fazendo de todos os seus esforços ações por um ideal. Mas se a garota jamais se dá a chance de descobrir essas fedidas verdades, Stephen o faz. E as conclusões à que chega são as piores. Ele sabe o que está se tornando, e mesmo odiando esse futuro já palpável, não quer qualquer coisa diferente disso.
Porque o poder inebria e vicia. E quando você menos espera, fica maior do que você. (Como descobre o chefe de campanha Paul Zara, que Phillip Seymor Hoffman apresenta como um homem pálido, piloto-automático e exausto da vida que tem.)
Dirigindo seu quarto filme, George Clooney conduz Tudo Pelo Poder com um ritmo admirável, explorando o dia a dia de calmas aparências e frenéticas manobras publicitárias. O que se reflete diretamente na intensidade da belíssima trilha sonora de Alexandre Desplat e na (corretamente) entediante direção de arte de Chris Cornwell, que mergulha o espectador naquele mudo sufocante ao oprimir os personagens em ambientes cinzentos ou pasteis e toneladas de materiais de divulgação I Like Mike. Para compensar esse peso, Clooney abusa dos planos fechados nas doces primeiras cenas de Stephen e Molly, como se os dois se refugiassem um no outro. Mais tarde, após um conflito, os planos se abrem e ajustam o casal à dinâmica externa.
Tudo Pelo Poder é uma história de bastidores, o que, por definição, inclui indivíduos em pleno exercício de manipulação, apenas aguardando sua vez de entrar em cena. Mas os bastidores desse drama não são apenas da campanha eleitoreira que acompanhamos ao longo da projeção, mas também da praça política americana e seus intensos entraves de interesses e oportunismos. Assim, é um símbolo inteligente que uma das cenas mais importantes do longa seja aquela em que dois personagens num conflito surgem diminutos e em contraluz diante da bandeira dos Estados Unidos, que vemos por trás em todo o seu esplendor e poder. Da mesma forma, é revelador que um encontro decisivo aconteça justamente em uma cozinha de restaurante, com o ambiente às sombras e vazio.
Porque é apenas disso que se trata Tudo Pelo Poder, e a própria política: encontros, decisões e alianças (quase sempre indesejadas) que deveriam, para sempre, permanecer no escuro, longe dos olhos da mídia e dos eleitores.
2011 Cultural – As 10 Séries.
Um ano em que veteranos caem e até as mais fúteis carnes frescas se revelam mais tentadoras é, no mínimo, um ano irascível. Tão irascível quanto o passar o tempo, o amadurecimento, a política e o deslumbre de poder – temas vistos na maioria das séries em 2011. O que a TV descobriu este ano é que não se pode perder 1 semana de tempo, ou fica-se para trás.
Mas se 2011 marcou o fim prematuro e decepcionante de pelo menos três grandes séries – True Blood, Damages e, principalmente, Dexter –, ao menos foi o ano que nos apresentou a uma nova coleção de vícios semanais irresistíveis (e até incompreensíveis) – como a problemática mas enfeitiçante American Horror Story e as divertidinhas-pra-hora-livre Terra Nova e Person of Interest que, embora atraentes, estão muito longe de ser boas.
Em outras palavras, podemos até manter um caso de tesão e desprezo. Mas esse relacionamento jamais será capaz de se tornar um compromisso. Não um tão profundo quanto aquele firmado com Battlestar Galactica, por exemplo. Esta que foi a melhor série que conheci em 2010 e que, por sua força, me levou a assistir as natimortas Caprica, uma prequel/spin off cheia de potencial e defeitos, e… a décima melhor série de 2011.
Mas antes, uma breve menção honrosa: o reality show The Glee Project, um programa infinitamente mais divertido e emocionante do que a série original (do qual, todos sabem, eu gosto).
E lembro que você pode conferir a lista completa dos livros, filmes e séries que acompanhei em 2011 clicando no logo abaixo.
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SÉRIES – POSIÇÃO 10
Outcasts
1.01-1.08. Série completa.
Semelhante à BSG em temática e tom, Outcasts teve início com um dos melhores pilotos dos últimos anos, superando o fantástico início de Fringe e rivalizando apenas com o estupendo primeiro episódio de Lost. Eu escrevi sobre o episódio no início deste ano e acho justo dizer que ele se tornou gradualmente mais fascinante em cada uma das 5 ou 6 visitas que fiz.
Infelizmente, porém, o admirável cuidado dos roteiristas, e principalmente dos diretores, não viveu por muito tempo e acabou resultando em uma temporada muito irregular. Ainda assim, os constantes problemas empalideciam diante dos inúmeros acertos do drama.
Outcasts tinha nas mãos todas as ferramentas necessárias para atingir o limite dramático de sua prima BSG. E será eternamente uma pena que a produção tenha sido cancelada tão jovem.
Torço para que as empatadas na nona posição não tenham o mesmo destino.
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SÉRIES – POSIÇÃO 9
The Killing | Game of Thrones | Homeland | Once Upon a Time
1.01-1.12 | 1.01-1.10 | 1.01-1.12 | 1.01-1.07
Estas quatro séries estrearam em 2011. Todas tiveram temporadas (ou meia temporada) acima da média, merecedoras de empolgados elogios. As quatro são adaptações (ou reinvenção, em um caso), com tramas, conflitos e premissas magnéticas e irresistíveis – e eletrizantes mesmo quando introspectivas. Além disso, todos os personagens nelas são, além de cativantes, protagonistas de suas próprias vidas, ao invés de meros coadjuvantes em função de uma trama ou um herói.
Com tantas qualidades, essas quatro séries simplesmente não poderiam ficar de fora desta lista. E com tanto em comum, como eu poderia não colocá-las juntas, dividindo a mesma posição e admiração?
Vida longa a essas quatro e deliciosas novatas e seus cliffhangers estonteantes que fecharam o ano.
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SÉRIES – POSIÇÃO 8
Desperate Housewives
7.11-7.23 e 8.01-8.09
E vamos nos preparar para dar adeus às donas de casa mais sensacionais da TV.
Em 2010, Desperate Housewives nos jogou no hiato de final de ano com um dos mais chocantes cliffhangers da série, aquele em que uma das amigas de Wisteria Lane foi responsável involuntária por uma assustadora involução dos moradores do bairro contra… ex-presidiários em programa de recolocação social. Um verdadeiro evento cuidadosamente arquitetado por um velho inimigo ressurgido. Que executou sua vingança ao posicionar um sujo espelho moral diante das donas de casa.
Não há dúvidas de que esta sétima temporada foi uma das melhores da série, lado a lado com o impecável quarto ano (justamente o que sofreu com a greve do sindicato de roteiristas norte-americanos em 2008). E sendo a dona de um dos textos mais elegantes e sofisticados da TV (porque ela é), a série simplesmente não poderia terminar sem uma ousadia final: virar a mesa e posicionar as protagonistas como suas próprias antagonistas – e responsáveis diretas pela investigação da temporada.
Uma reviravolta instigante, bem-vinda e preocupante. Finais felizes nunca foram comuns nesta série, e sendo a última temporada, qualquer coisa pode acontecer a nossas queridas donas de casa. Assim, considerando a elegante rima dramática envolvendo um baú no episódio 7.23, não será uma surpresa se os derradeiros episódios da série nos trouxerem outra rima. Desta vez, remetendo à tragédia que deu estarte à série oito anos atrás.
Essas mulheres me excitam!
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SÉRIES – POSIÇÃO 7
Brothers and Sisters
1.06-1.23, 2.01-2.16, 3.01-3.24, 4.01-4.24 e 5.01-5.22 (Série completa)
Um patriarca morre e deixa como herança uma grande empresa enforcada em dívidas e crimes financeiros, uma ou duas amantes, um filho ilegítimo aqui e ali, segredos silenciados à força, e certamente muito mais.
Em meio as pontuais descobertas ao longo da narrativa, tivemos cinco temporadas inteiras com um ou outro casamento, um ou outro rompimento, uma ou outra doença, uma ou outra decepção. E também muitos jantares, vinhos, gritos, choros, birras, mimos e linhas cruzadas – estas, em excesso.
Brothers and Sisters teve seus maus momentos, e principalmente grandes momentos. Por isso, é uma pena que justamente quando estava de volta a boa forma, e prestes a se superar, tenha dado de cara com um cancelamento não-planejado.
Triste, triste. Vou sentir falta do clã Walker.
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SÉRIES – POSIÇÃO 6
Community
2.12-2.24 e 3.01-3.10
Community está sempre desafiando o espectador. Não importa o quão descompromissado ou obcecado você seja, não dá pra sentar diante da TV, assistir a um episódio de Community e ficar imune a suas demonstrações de sagacidade, genialidade e provocação.
Há algumas semanas, a tuitosfera que acompanho fez um rebuliço quando começaram a surgir na rede os incontáveis easter eggs que a série plantava com frequência, não só fazendo referência a diversas obras pop, como também escondendo pequenas historinhas entre as narrativas principais.
Community é a prova de que bom gosto e inteligência são uma ótima combinação. Não a considero a melhor série do mundo (nem a melhor comédia), mas é certamente uma das poucas que merecem (e irão) se tornar clássicas.
Sobrevivendo ou não a atual temporada.
#SaveCommunity
#SixSeasonsAndAMovie
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SÉRIES – POSIÇÃO 5
Skins
5.01-5.08
Quando teve início há inacreditáveis quase seis anos, Skins foi recebida com entusiasmo pela crítica e pelo público, jovens que estavam cansados de ser retratados como nerds perfeitinhos (Dawson’s Creek), gangues da elite (Gossip Girl) ou heróis de contos de fadas modernos (The O.C.). Criada por Bryan Elsley e Jammie Brittain (pai e filha) e desenvolvida por uma equipe de diretores, produtores e roteiristas quase tão jovens quanto seus personagens, a série se destacou ao apresentar um drama cru e honesto, mas que não se passava no fundo do poço (como muitos filmes dos anos 90).
Com seus adolescentes certinhos e manipuladores, filhos da puta e deslocados, talentosos e despreocupados, doentes e preguiçosos, sonhadores e céticos, a série atendeu de forma certeira as necessidades e vontades de seu público, ganhando a atenção e, principalmente, a confiança dele.
Mas Skins não soube sustentar o próprio peso e a segunda geração (2009-2010), que até teve um bom primeiro ano, se perdeu drasticamente na temporada seguinte. De forma incompreensível, Elsley e Brittain escolheram não completar os arcos dramáticos que haviam começado a desenhar de forma tão interessante, preferindo desviar o foco de todas as tramas justamente em direção ao fundo do poço que tinham evitado com tanto cuidado em 2007 e 2008. Uma decisão criativa consciente, é claro. Mas drasticamente mal sucedida.
Se o erro se repetirá, ainda falta um mês para descobrirmos (a sexta temporada deve estrear no final de janeiro na Inglaterra irá estrear dia 23 de janeiro). Mas a expectativa é promissora, já que a terceira geração revelou-se um grupo muito mais parecido com os amigos de 2007 do que com os anarquistas de 2009 – e vale notar que até narrativamente eles se afastam da equivocada segunda geração, percorrendo o caminho inverso da evolução daquelas amizades: aqui, ao se encontrarem, eles assumem automaticamente a condição de desafetos, apenas para se conhecerem e se aproximarem ao longo da temporada e se descobrirem verdadeiramente amigos.
Nesta terceira geração, Skins voltou a ser crua e honesta. Mas o que ela mostra desta vez é um pouco mais de ingenuidade e doçura.
Um olhar bem-vindo. E necessário.
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SÉRIES – POSIÇÃO 4
Breaking Bad
1.01-1.07, 2.01-2.13, 3.01-3.13 e 4.01-4.13
Se há uma série capaz de enlouquecer um espectador, esta é Breaking Bad.
Seus diretores e roteiristas não são apenas os mais competentes da TV (sim, superando inclusive os de Community). Eles são também os mais inteligentes e sádicos da atualidade e o resultado do seu trabalho é que Breaking Bad supera facilmente os mais ambiciosos e eficazes filmes do gênero no Cinema. Uma proeza que, até então, apenas Dexter tinha realizado.
Dexter: pff. Até os piores momentos de Breaking Bad (apontem um!) são melhores do que os melhores momentos de Dexter.
Mas anote essa dica: antes de assistir, alimente-se de forma leve, meça a pressão e respire fundo. Nada vai adiantar, mas é melhor do que ir completamente despreparado.
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SÉRIES – POSIÇÃO 3
The Walking Dead
2.01-2.07
Em 2010, a temporada de estreia de The Walking Dead a colocou em décimo lugar na minha lista. Ela não era nada formidável, mas foi intensa o bastante para merecer atenção.
Uma atenção que foi recompensada de forma devastadora este ano, já que nada havia me preparado para os sufocantes momentos que estavam por vir. Da caravana de mortos em uma rodovia ao chocante desfecho de uma fuga, passando pelo militarismo quase doentio de Shane – responsável, afinal, por aquele que foi sem dúvidas um dos momentos mais marcantes da TV em 2011: os minutos finais do episódio 2.07.
Um desfecho não apenas intenso e angustiante, mas também de partir o coração. E ainda icônico para a série, já que estabeleceu de forma clara as posições e os vínculos dos personagens – como a preocupação de Glenn por Maggie, a compreensão desta pelo que é certo, mesmo que não seja fácil, e também a mal disfarçada ansiedade de Andrea por um pouco de ação.
Mas principalmente, os papeis de Shane e o protagonista Rick. Se o primeiro merece ser reconhecido como o principal responsável pela sobrevivência daquele grupo, Rick é aquele que assumiu para si a responsabilidade de manter viva a humanidade daquelas pessoas. E, como mostra o instante final do episódio, é sempre sobre ele que recairá o peso pelas mais difíceis decisões.
The Walking Dead é uma história simples, sobre pessoas complexas vivendo no limite de sua humanidade, tentando sobreviver a um mundo colapsado.
Poderia ser mais difícil?
Pelo que esta série me provoca e incita, mesmo com tão pouco tempo de vida, eu não poderia fazer outra coisa que não coloca-la entre as três melhores e maiores séries que assisti em 2011.
Porque ela é.
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SÉRIES – POSIÇÃO 2
Arrested Development
1.01-1.22, 2.01-2.18 e 3.01-3.13 (Série completa?)
Sabe o crime financeiro do patriarca que deu estarte a narrativa de Brothers and Sisters? Isso deu início a Arrested Development anos antes. Sabe o cômico advogado corrupto e mão-na-roda de Breaking Bad? Arrested Development teve um primeiro, e melhor. Sabe o brilhantismo de Community e seus easter eggs, narrativas paralelas ao fundo, piadas dentro de piadas, referências rápidas e discretas a episódios das temporadas anteriores? Tudo isso ela aprendeu com Arrested Development e eu APOSTO que a equipe volta e meia se pega indo atrás da antecessora para buscar inspiração e ideias. Resumindo o que eu acho de Arrested Development? É, de longe, a melhor comédia que a TV já teve.
Menção honrosa para o advogado Bob Loblaw (leia seu nome várias vezes e rapidamente) e o narrador que desmascarava os personagens para nós, enquanto mal conseguia disfarçar a própria vaidade (num dos momentos mais hilários da série, ele gasta alguns segundos comentando como o narrador de uma outra série cômica sobre outra família corrupta era um preguiçoso incompetente).
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SÉRIES – POSIÇÃO 1
Queer as Folks
1.01-1.22, 2.01-2.20, 3.01-3.14, 4.01-4.14 e 5.01-5.14 (Série completa.)
Queer as Folk me pegou pelas bolas e esmagou todas as minhas convicções.
Eu tenho um conflito sério com histórias sobre o universo gay, já que as mais relevantes parecem sempre ser feitas, justamente, para o público gay. Pessoas que irão se identificar com uma delicada e emocionante conversa entre mãe e filho buscando a compreensão mútua, e também se divertir um minuto depois ao se deparar com uma tórrida sequência de sexo explícito.
E o que eu pergunto é: como isso pode ajudar uma mãe a entender e aceitar a condição de um filho gay?
E como eu posso admirar tanto Queer as Folk se tudo isso é justamente o que a série faz. Tão bem. E da forma mais baixa possível.
Na linha de frente, temos o desejado e promíscuo trintão Brian Kinney ao lado do ninfeto irresistível Justin Taylor, que deixam de lado o carente melhor amigo de Brian, Michael Novotny – a única pessoa que Brian parece amar de verdade, e talvez por isso se esforce tanto para não transar com ele.
A princípio irritante e insuportável, Justin (e seu intérprete Randy Harrison) evolui de forma visível a partir da segunda temporada, quando finalmente conseguimos entender por que Brian tem sentimentos por ele. Michael, por outro lado, sofre nas mãos do ator Hal Sparks, que jamais acompanha as alavancadas que seu personagem recebe do roteiro. Quando nos damos conta, sua presença em cena é recebida com antipatia pelo espectador – e nem mesmo seu casamento com o espetacular professor de Robert Grant resolve o problema.
Já Brian, o protagonista absoluto desse drama, jamais deixa de nos surpreender e, ainda assim, ser sempre coerente com tudo o que podemos esperar dele. Gale Harold, aliás, parece entender até a alma seu fascinante personagem. E diferentemente de atores que, espertos, escolhem papeis que fiquem dentro de seu alcance dramático (alô, Keanu Reeves), Harold concentra toda as suas complexas emoções exclusivamente no olhar e nos sorrisos de sarcasmo sempre disponíveis, embora pareça sempre apenas sedutoramente contido e intraduzível.
Perto deles estão Lindsay Peterson e Melanie Marcus, lindas mulheres casadas há vários anos e mães do bebê cujo espermatozoide foi doado por Brian. Inteligentes e companheiras, Lins e Mel conduzem seu casamento com uma gostosa combinação de pragmatismo e romance (não à toa, elas são uma advogada e uma artista plástica). Por isso é tão difícil, também para o espectador, quando elas enfrentam um doloroso e injusto rompimento.
Entre os principais, também temos os amigos Ted e Emmet, um entediante contador e uma fabulosa bicha. Emmet, aliás, é outro arco dramático que merece destaque. Estúpido e desagradável à primeira vista, o personagem de Peter Paige é presenteado com reviravoltas e subtramas que o fazem evoluir e mudar o tempo todo, crescendo como ser humano, amigo e o namorado que jamais consegue ser.
E, por fim, temos as duas mães da história. A praticamente travesti Debbie: solteirona mãe de Michael (e, por consideração, de todos os outros), garçonete há uma vida na lanchonete que reúne todos os gays de Pittsburgh e a mulher responsável pelos melhores conselhos que aqueles “moleques” poderiam receber. E também Jennifer Taylor, mãe de Justin, coadjuvante e personagem que atravessa o mais orgulhoso e natural arco dramático da série ao respectivamente e gradualmente tolerar, aceitar, entender e apoiar a condição de vida que seu filho decidiu seguir, eventualmente se tornando uma ativista.
E aqui chegamos ao grande e mais importante personagem dessa série: o próprio ativismo.
Infelizmente intragável para o público comum, Queer as Folk é certeira em todas as denúncias e discussões que apresenta. Como, por exemplo, aquela que vemos na terceira temporada quando membros de uma ONG se manifestam durante um discurso político de um chefe de polícia. Emocionados e inquisidores, eles revelam cartazes com nomes e fotos de gays e lésbicas agredidos, desaparecidos e assassinados e questionam porque aqueles crimes estão há anos impunes. Entre eles, o próprio Justin – levado ao coma (no final da primeira temporada) por um agressor que saiu livre com uma pena de algumas horas prestando serviços comunitários.
É triste e frustrante saber que os afiados e contundentes discursos de Queer as Folk são neutralizados pelas quentes cenas de nudez e sexo explícito. Porém, é impossível imaginar como essa série poderia ser tão poderosa se não contasse com todos esses elementos. Porque é justamente essa crueza o que a torna tão real e a aproxima do coração das pessoas.
E é este, afinal, o único modo de mostrar que gays – como eu – são simplesmente humanos com corações que sangram tanto quanto o de todos e corpos que têm desejos tanto quanto qualquer outro.
E assim Queer as Folk é, de forma indiscutível, a melhor série que assisti em 2011.
E, ao lado de Battlestar Galactica, a melhor que já assisti na vida.
2011 Cultural – Os 10 Livros.
É preciso confessar: li exatamente os 8 livros que constam nesta lista. Vergonhoso. Vergonhoso. Mas, infelizmente, sintoma de um problema que tende a aumentar se não for lidado agora. Posso ter chegado a essa conclusão por pura conveniência, mas a verdade é que entendo hoje o que tem bloqueado tanto meu – agora latente – amor pela leitura: o ambíguo universo das redes sociais. Com o cérebro sendo lentamente (e literalmente) reprogramado para raciocínios rápidos e fragmentados, manter uma leitura linear exige cada vez mais esforço (especialmente quando ficamos algumas semanas longe de um livro).
Felizmente, agora que o problema está identificado, quer dizer que foi dado o primeiro passo para a recuperação. Wishem me luck.
Mas até que minha próxima lista possa mostrar a boa reviravolta, revelo abaixo a minha ordem de preferência dos livros lidos em 2011.
Lembrando que a lista completa de conteúdo cultural consumido em 2011 pode ser acessada clicando no logo abaixo.
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LIVROS – POSIÇÃO 8
Carmilla – A Vampira de Karnstein
Carmilla
Autor: Joseph Sheridan Le Fanu
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LIVROS – POSIÇÃO 7
A Queda
The Fall
Autores: Chuck Hogan e Guillermo Del Toro
(Leia mais sobre este livro aqui.)
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LIVROS – POSIÇÃO 6
A Cientista que Curou Seu Próprio Cérebro
My Stroke of Insight
Autora: Jill Bolte Taylor
(Leia mais sobre este livro aqui.)
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LIVROS – POSIÇÃO 5
O Duelo
Дуэль
Autor: Anton Tchekov
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LIVROS – POSIÇÃO 4
A Privataria Tucana
A Privataria Tucana
Escritor: Amaury Ribeiro Jr.
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LIVROS – POSIÇÃO 3
Hell Paris 75016
Hell
Autora: Lolita Pille
(Referência: leia sobre a peça de Hector Babenco, adaptada deste livro, aqui.)
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LIVROS – POSIÇÃO 2
Os Homens Que Não Amavam As Mulheres
Män som hatar kvinnor
Autor: Stieg Larsson
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LIVROS – POSIÇÃO 1
Fahrenheit 451
Fahrenheit 451
Autor: Ray Bradbury
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Menção Honrosa para dois blogues brasileiros.
SENHORITA SAFO, da escritora e atriz Nanna de Castro (minha mentora e amiga), que promove periodicamente as mais tocantes e contundentes crônicas da atualidade, com uma sensibilidade que constantemente me remete a complexidade de Clarice Lispector e Caio F.ernando Abreu.
Destaque para os posts A Que Veio do Céu, Desencarnada, Amanhece, Abane Seu Rabo, Paulete, Dois, Guarda-Chuva, Enforcada com a mangueira.
DIÁRIO DE BORDO, do crítico de cinema e cineasta Pablo Villaça (meu professor e amigo), que é pontual e certeiro ao nos oferecer posts que trazem fascinantes aulas de cinema, discutem temas e situações delicadas, e nos surpreendem com delicadas e fascinantes confissões.
Destaque para 2011 começa, Cenas em Detalhes 02#, O Rico Cinema Brasileiro, Os malefícios da dublagem, As roupas de Kay Corleone, Marcello Castilho Avelar (1960 – 2011), Somos humanos, não um canal de notícias. E também, é claro, a inacreditável cobertura dos festivais de cinema do Rio e de SP, em que ele escreveu – com ajuda sobrenatural, obviamente – sobre nada menos do que 105 filmes em 25 dias. Assustador.
2011 Cultural – Os 10 Filmes.
Não achei 2011 um ano particularmente interessante no Cinema. Sim, tivemos muitos, muitos filmes maravilhosos. Dos 122 que assisti este ano, nada menos do que 81 considerei 4 ou 5 estrelas. Ainda assim, poucos foram realmente marcantes.
Inverno da Alma, O Homem do Futuro, Doze Homens e Uma Sentença, Melancolia e O Palhaço são alguns.
E também há os dez abaixo, que considerei os melhores do ano.
Então, sem mais delongas.
Aproveito apenas para relembrar que esta lista inclui filmes lançados comercialmente este ano e também obras antigas. E que a lista completa de conteúdo cultural consumido em 2011 pode ser acessada clicando no logo abaixo.
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FILME – POSIÇÃO 10
Meia-Noite em Paris
Midnight in Paris
Direção e roteiro de Woody Allen
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FILME – POSIÇÃO 9
Enrolados
Tangled
Direção: Nathan Greno e Byron Howard
Roteiro: Dan Fogelman
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FILME – POSIÇÃO 8
Bruna Surfistinha
Bruna Surfistinha
Direção: Marcus Baldini
Roteiro: José de Carvalho, Homero Olivetto e Antônia Pellegrino
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FILME – POSIÇÃO 7
As Canções de Amor
Les chansons d’amour
Direção e roteiro: Christophe Honoré
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FILME – POSIÇÃO 6
Namorados Para Sempre
Blue Valentine
Direção: Derek Cianfrance
Roteiro: Derek Cianfrance, Joey Curtis e Cami Delavigne
Direção e roteiro: Christophe Honoré
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FILME – POSIÇÃO 5
Missão Madrinha de Casamento
Bridesmaid
Direção: Paul Feig
Roteiro: Kristen Wiig e Annie Mumolo
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FILME – POSIÇÃO 4
Cisne Negro
Black Swan
Diretor: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz e John J. McLaughlin
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FILME – POSIÇÃO 3
Quem Tem Medo de Virginia Woolf?
Who’s Afraid of Virginia Woolf?
Direção: Mike Nichols
Roteiro: Ernest Lehman
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FILME – POSIÇÃO 2
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
Harry Potter and the Deatlhy Hallows – Part 2
Direção: David Yates
Roteiro: Steve Kloves
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FILME – POSIÇÃO 1
Rango
Rango
Direção: Gore Verbinski
Roteiro: John Logan
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MENÇÃO HONROSA
Para 2001: Uma Odisséia no Espaço. Porque é um filme que eu simplesmente não conseguiria classificar. O terceiro ato é uma das experiências mais poderosas que já vivi com o Cinema. Certamente um momento que ficará registrado na minha vida.
Brothers and Sisters.
Se há algo que pode (e deve) ser usado contra Brothers and Sisters é a quarta temporada da série. Preguiçosa, a equipe de roteiristas se contentou em reutilizar de forma tosca diversas tramas e subtramas das temporadas anteriores; desleixados, os diretores não pareciam sequer minimamente preocupados com o tom e o ritmo dos episódios, e chegando a permitir, por exemplo, erros de montagem e continuidade que disputavam a atenção do espectador e desafiavam o bom senso.
Um pecado.
Porque se há algo que Brother and Sisters é, é inteligente, engraçada, sincera, envolvente e bela. E merecia um pouco mais de dedicação e cuidado.
Porém, essa temporada de problemas não deixa de fazer sentido na lógica de uma série que simboliza de forma tão completa o que é uma família. Afinal, toda família tem suas fases de baixos – especialmente depois de grandes períodos de vacas gordas, como foram as duas primeiras temporadas do programa.
Quando conhecemos a família Walker, uma das primeiras coisas que nos saltam aos olhos é notar como eles parecem ter eliminado naturalmente de seu cotidiano o tabu de um filho gay, embora até hoje não tenham lidado com diferenças políticas, por exemplo. Neste conflito, a família de democratas se opõe radicalmente ao republicanismo de uma das filhas (justamente a mais sensata, inteligente, bem sucedida e feliz), chegando a causar um drástico rompimento entre mãe e filha depois que o superprotegido e deslocado caçula decide prestar serviço militar após o 11 de setembro.
O conflito eventualmente perde força, mas jamais desaparece completamente. Ao contrário, com o tempo, os Walkers parecem aprender a usá-lo de forma construtiva, como quando o irmão gay democratérrimo aceita assessorar o marido da irmã em uma campanha política – o que acaba revelando uma das relações mais divertidas e especiais do drama.
(E, diga-se de passagem, a série escancara e disseca as mais sujas vísceras de uma corrida eleitoreira de forma muito mais profunda e devastadora do que o ótimo Tudo Pelo Poder, de George Clooney, sequer ensaia tentar. O que é no mínimo curioso, já que estamos falando de um programa para a família.)
Cancelada ao final da quinta temporada (justamente quando voltava aos bons tempos), sem qualquer aviso prévio e final planejado, Brothers and Sisters pode até levantar certas suspeitas por desenrolar sua história com muitas das mesmíssimas tramas vistas em uma série drasticamente diferente, mas com alma inequivocamente parecida: a provocadora e despudorada Queers as Folks americana.
Vamos contar: uma corrida eleitoreira, um câncer, pais que se recusam a reconhecer um casamento gay, a separação de um casal até então sólido, a adoção de um adolescente/pré-adolescente, e por aí vai. E não podemos ignorar que até mesmo a sequencia de vários eventos parece seguir a mesma ordem.
O que também parece fazer sentido, de certa forma. Afinal, tanto Queer as Folks quanto Brothers and Sisters são séries que retratam, essencialmente, famílias. Famílias de classes sociais e culturas completamente diferentes, mas que naturalmente dividem os mesmos problemas e sonhos na vida.
Se há uma coisa que pode – e deve – ser usada em defesa de Brothers and Sisters é que a série é, verdadeiramente, como uma família. Mesmo. E assim, apesar dos problemas e defeitos, nosso amor por ela não tem como acabar, só crescer.
Sim, amor. Tenho certeza que é este o sentimento. Eu não esquecerei essa família tão cedo e consigo ver claramente o momento em que, no futuro, me permitirei fazer uma ou outra visita a alguns dos momentos mais divertidos ou dramáticos ou bobos ou enlouquecedores.
E, ao final da soma, nem mesmo importa que essa história tenha sido interrompida. Os cinco anos que tivemos ao lado do clã Walker foram suficientes para nos dizer que eles sempre poderão contar com a mão e o amor um do outro. E assim nós sabemos que de alguma forma, em algum tempo, eles certamente ficarão bem.
(E nós também.)
Lista 2011 – Teaser 3
E, finalmente, o teaser final das listas de final de ano.
Acorde tarde na sexta-feira, pegue um pãozinho com manteiga, um café com leite, e volte correndo para cá para ver as listas de melhores filmes, livros e séries que tive o prazer (ou nem tanto) de descobrir em 2011.
Se quiser tentar adivinhar, você pode conferir aqui a lista completa de todas as obras (e suas devidas cotações) que consumi ao longo deste ano.
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FILME POSIÇÃO 9
Enrolados
LIVRO POSIÇÃO 8
Carmilla – A Vampira de Karnstein
SÉRIE POSIÇÃO 5
The Walking Dead
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Lista 2011 – Teaser 2
Confira agora o segundo teaser das listas de melhores filmes, livros e séries de 2011.
(O terceiro teaser será publicado na quarta-feira. A lista completa, ao final da semana.)
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SÉRIE POSIÇÃO 8
Desperate Housewives
FILME POSIÇÃO 7
As Canções de Amor
LIVRO POSIÇÃO 4
A Privataria Tucana
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Lista 2011 – Teaser 1
Meu Ano Cultural 2011 termina dia 30 de dezembro, quando publicarei minhas 3 listas com os melhores filmes, livros e séries do ano.
Você pode conferir as listas de 2010 aqui e as de 2009 (que incluía uma lista de melhores músicas do ano) aqui.
E como aquecimento para os resultados de 2011, veja abaixo o primeiro dos já tradicionais teasers. (Que, obviamente, podem sofrer alterações até o encerramento do ano.)
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LIVRO POSIÇÃO 7
Trilogia da Escuridão: A Queda
SÉRIE POSIÇÃO 6
Skins
FILME POSIÇÃO 3
Quem Tem Medo de Virginia Woolf?
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Foi foda.
Eu preferia ter acordado com um terremoto ou uma invasão alienígena. Mas não. Foi pra trabalhar mesmo. Eu devia ter imaginado que uma senhora como aquela não estava simplesmente dando sopa e devia estar completamente fodida. Mas não. Eu tinha que insistir que trabalho era trabalho, era importante ser imparcial e dó era só desculpa pra preguiça.
Meu trabalho já tem lá suas emoções: eu roubo celular de turistas nos finais de semana e trabalhadores almoçando nos dias úteis. Uma vez à noite apanhei de cinco pessoas ao mesmo tempo – uma, mulher, dois, viados. Foi a noite mais eletrizante, e divertida, confesso. Eu ri muito depois. Só que desta vez as coisas foram bem diferentes. Eu não apanhei de ninguém. Não fui preso ou perseguido pela polícia nem ameaçado por outros trombadinhas. Desta vez, eu amanheci meliante e madruguei assassino. De manhã, já era herói. E no dia seguinte, mártir.
Começou quando roubei o celular de uma senhora e a ouvi se transformar numa criatura histérica gritando pela filha. Dez segundos depois, freada, barulho, silêncio. Alvoroço. Fiz a mulher ser atropelada enquanto corria atrás de mim aos berros pela cria. No mesmo segundo o celular tocou na minha mão duas vezes. Apareceu uma foto de uma mulher com uma mina. Eu não enxergava, mas certamente a mulher estatelada no chão era a mesma da foto. E a mina, obviamente, a filha. O terceiro toque não veio. Senti calafrio. Eu tinha que contar pra guria que tinha acabado de matar a mãe dela. Por acidente. Peguei o telefone e redisquei de volta pra ela. Fui atendido no terceiro toque e ouvi berros:
- MÃE, MÃÃÃÃE, ELES ME ACHARAM! EU TÔ NA PADARI.
Clique. Silêncio. E a súbita compreensão do que eu tinha feito. A mãe tentava encontrar a filha sequestrada. Agora eu tinha matado a mulher. Os sequestradores ouviram o toque da minha chamada. E a mina agora seria executada.
Toquei a caixa de e-mails da mulher e abri uma nova mensagem. O nome dela estava na assinatura do e-mail. Fechei. Vi que o último e-mail recebido estava sem assunto e o remetente tinha o nome da filha dela que aparecera na chamada. Abri. Tinha uma foto. A mina com um cano apontado pra orelha. Tentando não chorar. Eu, vomitei.
Notei que as pessoas em volta da mulher não agiam como meras curiosas. Pareciam tentar fazer algo. Entendi que ela estava viva. Corri até ela chamando pelo nome que eu tinha lido na assinatura do e-mail. As pessoas me deixaram alcançá-la. Ela estava com um olho todo estourado e outro arregalado. Chorava. Tremia. Gemia.
- Onde fica a padaria? A *** disse que tá na padaria. Eu vou encontrá-la.
O olho arregalado dela chorou mais. Ela não conseguia falar, estava com a boca estourada também. Apontou com o olho vivo pra mim. Não entendi. Apontou de novo. Olhei pra trás de mim.
- Pra lá? A padaria é pra lá?
Ela piscou sim.
- É perto?
Ela piscou de novo.
- Eu vou ajudar tua filha. A ambulância tá vindo.
Cheguei perto do ouvido dela, fingindo que ia beijá-la, como se fosse parente.
- Me perdoa, *****. Eu só estava trabalhando.
Me afastei e vi que o olho dela continuava apontando na direção que eu deveria ir. Ele não tinha mais pânico. Mas também não tinha paz. Não era mais um olho. Era só um círculo preto desenhado numa bola branca.
Nível dois concluído. Restavam mais dois.
E eu não fazia ideia de onde ficava aquela padaria.
(Continua. Um dia.)
Uma Damages danificada.
Damages não é uma dessas séries que chegam de mansinho e, quando nos damos conta, já nos dominou. Ela já chega aos chutes e socos e gritos, te agarrando e te arrastando com ela para sua longa jornada de amoralidade e conseqüências. Um caminho de muitos altos que revela um rápido amadurecimento dos realizadores, que testaram tudo o que podiam com as duas primeiras temporadas, indo com cuidado na primeira e experimentando todos os erros possíveis na segunda.
É como se eles tivessem cometido propositalmente essa coleção de episódios equivocados, que ganham um desfecho tão súbito e simplista que chega a ser ofensivo ao espectador. Mas tudo bem, deu pra entender o recado: “nós erramos, vamos acabar logo com isso e ir para a sobremesa”.
E que sobremesa. Na terceira temporada, Damages alcança nada menos do que a perfeição dramática, com todas as trapaças de montagem, cruzamentos de tramas e reviravoltas a que conquistou direito. Uma temporada sem um único e solitário defeito e com um desfecho formidável e memorável – para a temporada, e à princípio para a série.
Mas, infelizmente, não acabou aí.
Cancelada pele FX ao final do terceiro ano, o show foi comprado pela DirecTV e renovado para mais duas temporadas de 10 episódios cada uma. E o que tivemos em troca de esperar por mais de 1 ano pelo retorno milagroso da série? Nada menos do que a pior temporada da história do programa.
Enquanto os erros da terrível segunda temporada podiam ser creditados aos problemas do amadurecimento, este primeiro ano de pós-vida nos levou direto para a senilidade, não apenas apostando em flashforwards que se resumiram a uma cena – e que sequer apareceram em quase metade dos episódios – e em subtramas insignificantes, mas ainda cometendo o pecado imperdoável de desconstruir as duas protagonistas que foram desenvolvidas de forma tão primorosa diante dos nossos olhos.
Patty Hewes foi cruelmente esquartejada ao ser transformada em uma mulher em conflito. Questionando o significado de sua carreira, seu legado e até mesmo seu desapego religioso, Patty é quase relegada a coadjuvante e ainda forçada a confrontos com um psicólogo que não consegue extrair dela um único insight minimamente interessante – e desculpem, mas que desperdício insuportável ver Patty Hewes se tratando com o alívio cômico de Early Edition em vez do único homem à altura dela: Paul Weston.
Mas se os roteiristas foram incompetentes com a personagem de Glen Close, no caso de Rose Byrne o crime foi um pouco diferente. Eles não a descontruíram, exatamente. Não. Eles realmente a desenvolveram linearmente. O problema é que agora nos deparamos com uma garota fraca e infantil, e não a aguardada mulher que, seguindo os passos de sua mentora, sacrificaria tudo por sua carreira. A princípio, o que os roteiristas fizeram foi apenas martelar tudo o que já sabemos. Ellen é ambiciosa, é brilhante, é intelectualmente corajosa, é incapaz de ter um relacionamento duradouro e está sempre em conflito entre a admiração e o horror por sua primeira chefe. Mas aos poucos fomos vendo outras facetas. Diante do perigo, ela liga para Patty engolindo lágrimas para pedir orientações. Em uma sustentação diante do juiz, é preciso que Patty se erga para lançar argumentos contra uma discrepância que qualquer júnior notaria. Sem contar, é claro, sua incapacidade de explorar uma pista que seu cliente insiste em lhe dar através de recados disfarçados (“Estou preocupado com minha cachorra“) – diga-se de passagem, uma pista que o próprio roteiro acaba deixando para trás, eventualmente, jamais recompensando o espectador.
A conclusão a que chegamos é que Patty está certa ao dizer que Ellen jamais será capaz de sair da sua sombra. O que nos leva de volta a desconstrução da loira fatal. Afinal, a Patty Hewes que conhecemos jamais ficaria tão apavorada nos segundos finais do episódio. Ao contrário, ela soltaria uma bela gargalhada e mandaria o filhinho tomar no cu.
Aliás, Patty deve estar bem cansada de pessoas que desistem de algo e ficam putinhas quando descobrem que ela assumiu a custódia e todo o crédito.
A Tale of Five Years After
“Você está… simplesmente… maravilhosa”. Mas ao olhar-se no espelho, ela decidiu que só poderia discordar da declaração roteirizada do marido. “Já estamos saindo?” ele sorriu, sabendo que denunciava sua pressa. “Em cinco minutos” pediu ela. E foi escolher outro vestido, que pediria outra maquiagem, que exigiria outro penteado.
Pensando bem, ela poderia exigir outro marido. Não. Agora não seria bem-vindo. Ou isso pediria um outro vestido.
O presente mais fofo e cool que ganhei este ano.
Uma composição de Rob Carvalho.
A Árvore da Vida (Terrence Malick)
A narrativa de A Árvore da Vida é conduzida através de memórias. Memórias aleatórias, fragmentadas, podendo ser confusas ou claras. Sim, exatamente como são as nossas próprias lembranças e pensamentos. Porém, as imagens que vemos ao longo da projeção não representam apenas registros da vida da família que protagoniza a história, mas também o passado do planeta Terra e do Universo. O que, é claro, poderiam ser as memórias do próprio Deus.
E por falar em planeta Terra, uma divagação: é curioso notar que Melancolia, de Lars von Trier, mesmo sendo um retrato do fim do mundo e uma celebração à depressão, seja também uma obra de profunda e otimista agridoçura, por representar a importância dos laços humanos quando se está perto do fim – ou, principalmente, em plena metade do caminho de uma jornada que, para alguns, pode ser tão difícil de suportar: a própria vida. E isso tudo é uma grata surpresa por parte do cineasta, cujo lado doce e amável era, para mim, até então insuspeito.
Enquanto isso, A Árvore da Vida é uma ode à Existência e um retrato de nossa trajetória pelo mundo a partir do começo de tudo. E por “mundo” e “começo” me refiro tanto ao planeta Terra quanto ao universo particular em que cada um de nós enxerga e entende a própria vida. Aqui, porém, não há doçura – nem mesmo quando ela é claramente representada. Mas também não há amargo. O que há é apenas um formidável e imensurável vislumbre do nada que preenche tudo. Algo que comumente chamamos de Deus.
Ao longo de toda a projeção, ouvimos os personagens fazendo dolorosas súplicas a Deus. Meros sussurros em sobreposição a imagens como uma nebulosa se formando no espaço sideral, uma nuvem escondendo o luar no céu, uma rocha se formando do encontro magma-água, ou então uma criatura marinha pré-histórica buscando a luz do sol, uma criança brincando no quintal. Essas imagens são as respostas às suplicas humanas. E o que elas dizem é muito simples de entender: nós temos a mesma importância de um verme, ou de uma estrela. Não existe o conceito de valor no Universo. Não importa o tamanho ou a idade. Tudo importa igualmente. O que, por definição, significa que nada – absolutamente – tem qualquer importância.
E é esta a constatação devastadora que A Árvore da Vida joga em nossos braços. A de que não há uma Consciência Divina preocupada e incomodada com a roupa que você usa, os palavrões que você solta, o corpo alheio que você deseja, ou mesmo – sim – o pertence que você toma ou a vida que você tira. A única preocupação de Deus é simplesmente Existir. E que tudo exista. Inclusive aquele amontoado de átomos que forma o verme, ou aquela estrela, ou aquela criança.
Contudo, Existir e Viver são coisas diferentes. Assim, para Deus, não importa se seu filho existe em seus braços ou em baixo da terra. Os átomos que o compunham continuarão existindo. E a energia que formava sua consciência, também.
Uma energia que pode sobreviver e se manifestar de inúmeras formas. Inclusive em memórias. As mesmas memórias que nos acompanham até o final da jornada. As mesmas memórias que, em A Árvore da Vida, podem ser dos homens ou de Deus.
Do alto.
Lucas olhou pela janela e viu a silhueta de nuvens marcando o horizonte. A cama ao seu lado estava pronta e fria. Ele se preparava para dormir enquanto o amanhecer se preparava para encerrar o dia anterior. Um dia que tinha sido tudo: divertido, desabafado, fofocado, emocionante, tenso, decisivo, conciliatório, conspiratório, flertado, alcoolizado, gozado, enojado, longo, cansativo. Um dia que tinha sido usado de todas as melhores e piores formas possíveis.
Naquele exato instante, uma mãe de luto há apenas um dia bebia um copo de água com açúcar do outro lado da cidade. O filho fora morto pela polícia, que perdera um soldado, que deixava para trás a namorada de dezenove anos grávida, que decidira se infligir um aborto ainda no inicio daquela madrugada.
Em outro lado da cidade, uma jovem de vinte e quatro anos perdia a virgindade com o namorado de mesma idade e igual inexperiência. Enquanto a jovem grávida engolia o conteúdo do segundo frasco de remédios, naquele lado da cidade a curiosidade do jovem namorado dava a ex-virgem seu primeiro orgasmo.
Naquela mesma noite, alguém fora pedido em casamento, alguém descobrira a traição do marido, alguém menstruava pela primeira vez, alguém não menstruava pelo segundo mês, alguém se matava, alguém se declarava, alguém mentia, alguém bebia, alguém se atrasava para um encontro, alguém ejaculava antes da hora, alguém não chegava em casa, alguém olhava pela janela.
O dia passara como um relâmpago. Ainda assim, muitos diriam, anos depois, que aquele fora o dia mais longo de suas vidas.
Mas agora era hora de aceitar que chegara ao fim.
Lucas vai dormir.
(Post publicado originalmente em 1º de agosto de 2010. Atualizado com trilha sonora.)
































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