Músicas 2009 – As 10.

22 22UTC Dezembro 22UTC 2009

Infelizmente, não tive tempo de pensar num post de introdução para a lista de músicas. O que, de certa forma, mostrou-se adequado. Afinal… eu jamais poderia falar sobre músicas. Músicas devem ser ouvidas. Sentidas.

Mas vale a pena dizer que o primeiro lugar desta lista é uma grande surpresa pra mim. E, diga-se de passagem, uma obra que causa desespero à alma.

E aproveito o momento para divulgar o meu logo oficial para 2010. Arte criada por Mk Bauer.

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FILMES

SÉRIES

LIVROS


Livros 2009 – Os 10.

22 22UTC Dezembro 22UTC 2009

Assim como meu consumo cinematográfico neste ano, minha lista de livros inclui jovens e velhos clássicos que descobri ou redescobri em 2009.

Mas sempre vale a pela relembrar obras que marcaram juventude e infância. Neste sentido, é curioso – talvez até preocupante – notar que um dos livros que mais me marcaram no final da infância foi o trágico, violento e sexual O Oportunista, de Piers Paul Read – o mesmo homem que escreveu o conhecido Os Sobreviventes, livro que deu origem ao longa-metragem Vivos. Contudo, ao lado de uma obra tão chocante, felizmente há outros clássicos mais saudáveis, como O Pequeno Príncipe e alguns volumes da série Harry Potter. Além do primeiro clássico que li, O Retrato de Dorian Grey, e, mais importante ainda, o primeiro livro que li na vida, aos seis ou sete anos, obra da Dama do Crime:  Um Gato Entre os Pombos – ainda hoje, um livro delicioso de ler.

(Infelizmente, não tive a chance de revisitar algumas dessas obras maravilhosas, algo que certamente farei em 2010)

E aproveito o momento para divulgar o meu logo oficial para 2010. Arte criada por Mk Bauer.

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MÚSICAS


Séries 2009 – As 10.

22 22UTC Dezembro 22UTC 2009

Analisando a média, é fácil perceber que em 2009 eu consumi muito mais séries do que filmes.

O cálculo é simples:  

516 episódios de 40 minutos em média equivalem a 344 horas.

Enquanto 120 filmes, de 120 minutos cada, somam 226 horas.

118 horas a mais. Quase 5 dias a mais dedicados a séries.

E, pensando bem, não foi o bastante.

Afinal… Que séries… Que séries maravilhosas!

E aproveito o momento para divulgar o meu logo oficial para 2010. Arte criada por Mk Bauer.

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Filmes 2009 – Os 10.

22 22UTC Dezembro 22UTC 2009

2009 foi o ano em que descobri e me deliciei com jovens e velhos clássicos, como o perturbador Requiém para um Sonho ou o divertido Drácula, com Bela Lugosi, e o delicioso Casablanca.

Da mesma forma, foi um ano rico em novidadades, repleto de pérolas inesperadamente valiosas que receberam nomes como Marley e Eu, [500] Dias com Ela ou mesmo O Nevoeiro e Atividade Paranormal – sem esquecer alguns curta-metragens simplesmente encantadores, como Reflections of a Skyline e o publicitário Signs.

Claro que 2009 também ofereceu algumas decepções  – e é aqui que me esforço para esquecer Do Começo ao Fim, Exterminador do Futuro – A Salvação, Gran Torino e Diário Proibido – apenas alguns dos piores lançamentos do ano.

Felizmente, porém, é impossível não revisitar velhos companheiros de poltrona e sofá, e é nada mais do que justo dizer e relembrar como tenho carinho e respeito por obras como Simplesmente Amor, 21 GramasAntes do Pôr-do-Sol, Magnólia, O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final e, é claro, A Agenda Secreta do Meu Namorado - que a partir de agora certamente assistirei com um gostinho amargo ligeiramente mais forte.

Dito isto, é hora de homenagear outros filmes que merecem palmas e apertos de mão.

Os 10 filmes que – aos meus olhos míopes e daltônicos – mais se destacaram em 2009.

E aproveito o momento para divulgar o meu logo oficial para 2010. Arte criada por Mk Bauer.

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Lista – Teaser 3

17 17UTC Dezembro 17UTC 2009

Veja agora mais 3 títulos que compõem minhas listas de melhores filmes, séries e livros de 2009.

Mas lembre-se: até o dia da publicação, muitas coisas podem mudar – afinal, ainda tenho alguns filmes para ver este ano.

Fique atento: a publicação das listas será no dia 22 de dezembro, próxima terça-feira.

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Série posição 9
In Treatment

Livro posição 7
Noturno

Filme posição 6
Na Natureza Selvagem

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Mas e para você, quais foram os melhores filmes, livros e séries de 2009?


ourTunes #24

11 11UTC Dezembro 11UTC 2009

Desde o magnífico episódio de Cassie, na segunda temporada de Skins, eu me apaixonei por Adele. Mas ouvindo seu mais famoso álbum – o 19 -, me apaixonei por duas de suas belíssimas canções: uma delas é First Love, a outra… é a edição 24 do ourTunes.

Observação: é curioso notar que a voz da interprete gravada em estúdio é exatamente a mesma que ouvimos ao vivo. Algo que não acontece com outros artistas, como, por exemplo, as badaladas Pitty e Amy Lee.

sonhador
sentado no banco, suando ao sol
ele é um verdadeiro amante
faz as pazes com o passado e sente sua garota
como ele nunca sentiu sua presença antes

de cair o queixo
ele é lindo enquanto caminha
ele é o assunto da conversa
ele deveria ser difícil de achar
mas bom de pegar,
e ele poderia mudar o mundo
com as mãos atrás das costas

você pode encontrá-lo sentado na sua porta
esperando pela surpresa
e ele se sentirá como se estivesse lá há horas
e você pode dizer que ele ficará lá uma vida

sonhador
com olhos que te derretem
ele te dá o casaco para te proteger
ele está lá por você embora não devesse
mas ele permanece o mesmo, espera por você
e então vê através de você

não há como descrevê-lo
o que eu digo é só o que estou esperando

mas eu vou encontrá-lo
sentado na minha porta
esperando por uma surpresa
ele sentirá como se estivesse lá há horas
e eu poderei dizer que ele ficará lá a vida inteira

e eu poderei dizer que ele ficará lá a vida inteira


Perdida

11 11UTC Dezembro 11UTC 2009

Ele desembarcou quando a porta se abriu e, enquanto subia a escada rolante, olhou para trás para ver sua amiga sentada num dos bancos da janela. Ela não olhava para ele. Ela nunca olhava para ele quando se despediam e ele nunca soube se isso era um reflexo da pouca importância que recebia ou se porque ela preferia simplesmente não vê-lo partir.

Depois de cinco anos, eles ainda não se conheciam. Embora, talvez, conhecessem um ao outro melhor do que qualquer pessoa no mundo. Mas ele sabia que conhecer os segredos, vontades, sonhos e medos de alguém não significava conhecer tal pessoa; porque todos os segredos, vontades, sonhos e medos que contamos, que compartilhamos, são justamente os menos importantes para nós, aqueles que deixamos à vista para serem pegos facilmente numa tentativa de dizer aos outros – e a nós mesmos – que temos algum conteúdo, algum sentimento, um traço de humanidade. Mas tudo o que realmente importa fica escondido. De todos, inclusive de nós, seus donos.

Por isso, ele sabia que a conhecia melhor do que ninguém. Era o único que sabia reconhecer o quão superficial era seu conhecimento.

Mas, desta vez, pela primeira vez, ele desejou entender. Por que ela não ficava feliz por ele mais? Por que era tão difícil vê-lo bem? Torcer por ele. Por que a felicidade de quem amamos nos incomoda tanto quando não estamos bem, quando estamos perdidos? Ele tentou dizer que já estivera naquele labirinto antes, mas percebeu enquanto dizia que contar que estivera caído só fazia o pedestal parecer mais alto.

E não havia nada que ele pudesse fazer agora. Então, com um sorriso caloroso, um beijo no rosto e um vai-com-deus, ele desembarcou quando a porta se abriu e foi para as escadas para não ser visto.


Lista – Teaser 2

10 10UTC Dezembro 10UTC 2009

Dia 22 de dezembro publicarei minha lista dos melhores filmes, séries e livros que assisti ou li pela primeira vez em 2009.

E ainda uma novidade: neste dia também publicarei uma lista com as 10 melhores músicas que descobri este ano. O que, de longe, revelou-se a tarefa mais difícil que assumi.

Mas para atiçar a curiosidade, publico hoje o segundo teaser das listas, revelando 3 títulos diferentes, um de cada categoria.

E fique atento, porque semana que vem, dia 17, publico o terceiro e último teaser.

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Livro posição 9
O Guia do Mochileiro das Galáxias

Filme posição 7
Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Série posição 6
24

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Mas e para você, quais foram os melhores filmes, livros e séries de 2009?


Do Começo ao Fim (Aluisio Abranches)

4 04UTC Dezembro 04UTC 2009

É necessário dizer que Do Começo ao Fim tem alguns pontos positivos – além do óbvio: a sublinhável atuação de Júlia Lemmertz, que se destaca em todas as suas cenas. Os acertos são: a não-explicação para uma determinada briga na escola, a economia de tempo ao interligar dois funerais separados por um período de 15 anos, e também a hesitação do personagem Francisco ao tentar explicar qual é a sua ligação com Tomás, seu meio-irmão caçula com quem vive um relacionamento incestuoso.

Este último detalhe, em particular, merece destaque por ser o único momento do longa em que um dos irmãos parece encontrar algum dúvida sobre sua relação – mesmo que de forma tão sutil e até inconsciente – revelando que a intimidade, inicialmente fraternal, foi crescendo de forma tão lenta e natural que se tornou física sem que os rapazes se dessem conta, o que explica a falta de conflitos internos – eles não conseguem impor limites a sua forma de amar, e sexo acaba sendo apenas mais uma forma de expressar esse amor. Assim, a hesitação de Francisco reflete a uma falta de identificação, já que, apesar da figura de “irmão”, é impossível hoje determinar um título para a ligação entre eles.

Mas existe, ainda, um último ponto positivo a ser mencionado: a beleza física incontestável de João Gabriel Vasconcelos e Rafael Cardoso, os dois atores que interpretam os protagonistas Francisco e Thomás. Uma beleza tão evidente que, além de ser o único elemento que realmente sustenta o longa-metragem, acaba endeusada pelo diretor e roteirista Aluisio Abranches, que não se satisfaz apenas em exibir constantemente a nudez física dos personagens e acaba apostando em duas cenas em que a coreografia chama mais atenção do que os sentimentos e o contexto.

E é aqui que se torna inevitável falar dos inúmeros problemas de Do Começo ao Fim, já que o experiente Abranches, responsável pelo maravilhoso As Três Marias, parece tomar todas as decisões erradas para conduzir sua narrativa, cometendo equívocos óbvios e gravíssimos que seriam imperdoáveis até mesmo para um mero estudante de Cinema em seu primeiro ano – como uma trilha sonora esquemática, que surge dramática sempre que alguém faz algum comentário sobre a intimidade excessiva dos irmãos; ou os fade outs excessivos que incomodam até os espectadores menos exigentes; e até mesmo um segundo conflito que surge repentinamente no terceiro ato, trazendo dois personagens que não acrescentam nada a história e que servem como desculpa para uma ou duas trapaças do diretor.

Sem falar nas tais cenas “coreografadas”. A primeira, por exemplo, mostra também o primeiro encontro sexual que testemunhamos entre Francisco e Thomás. Uma cena visualmente encantadora, porém deslocada por surgir logo após o funeral da mãe deles e ainda sem qualquer referência temporal. Os irmãos se despem emocional e fisicamente (olha o clichê), buscando, ao que parece, consolo pelo luto (mais clichê, sexo depois de enterro!). Mas nós jamais compreendemos quanto tempo após o funeral este momento acontece, e nem mesmo quanto tempo se passa após a despedida de outros dois personagens que vivem na casa da família. Quanto a segunda cena, posso resumir como o único momento realmente constrangedor da produção, trazendo os irmãos nus, envoltos em neblina, dançando tango em um salão de baile completamente vazio.

Da mesma forma, Abranches parece sequer refletir sobre escolhas narrativas essenciais para a condução da história, como os eventuais comentários em off feitos por Thomás – uma opção estranha, já que, assim que os irmãos se separam, o personagem destacado é Francisco, o que nos leva a testemunhar episódios que, tecnicamente, o narrador oficial – Thomás – jamais toma conhecimento enquanto a história ainda é contada – o que nos faz pensar que mais uma ou duas horas de história ficaram para trás na ilha de edição. E pensando no final da história, o que dizer daquele final tão súbito, com nada resolvido, que mais parece um final de episódio de novela das oito em plena quarta-feira?

Mas os problemas não param por ai. Indo do fim ao começo da história (trocadilho legal, não é?), o filme nos brinda com a primeira narração em off já na abertura, mostrando o primeiro encontro dos irmãos após o nascimento de Thomás. Com um discurso bonitinho mas pedestre sobre livre-arbítrio e sem explicar qualquer razão para o recém-nascido ter ficado duas semanas internado, o texto conta que este foi o tempo que Thomás levou para abrir os olhos, e que isto só aconteceu ao ver Francisco pela primeira vez. Porém, a cena mostra Francisco visitando Thomás ainda no berçário. E ainda focando no primeiro ato do filme, como Do Começo ao Fim conta a história de um relacionamento sexual que já dava indícios ainda na infância dos envolvidos, Abranches parece temer alguma repercussão Legal contra o longa, o que o leva a um impasse: ao mostrar os dois irmãos tomando banhos juntos, o diretor se vê obrigado a revelar que pelo menos um deles não está completamente nu, o que, é claro, destoa da intimidade dos garotos e até mesmo da criação liberal dos pais deles – aliás, vai contra o próprio cotidiano real, pois eu nunca vi duas crianças vestidas tomando banho juntas!

Contudo, nenhuma falha ou mero deslize desta produção se compara ao grave erro que copia de outra obra feita para o público homossexual – O Terceiro Travesseiro, um livro publicado há mais de dez anos e que é ícone para as duas últimas gerações gays. Mas qual é o erro: fazer um filme (ou livro) que só poderá ser apreciado pelos homossexuais.

Quando O 3º Travesseiro foi publicado, seu autor, Nelson Luiz de Carvalho, declarou que o livro era indicado “para todo segmento da sociedade” e que poderia “contribuir de forma positiva” para a conquista do respeito. Porém, o que faz Carvalho em sua obra? Narra uma belíssima história de amor embalada por sórdidas seqüências de sexo explícito, o que imediatamente limita o público alvo a adeptos de contos eróticos: gays; do sexo masculino. E nem preciso dizer que reduzindo o alcance da obra apenas a este público, ela perde qualquer relevância que poderia ter na luta pelo respeito “a que todo ser humano tem direito”.

E infelizmente, como eu já disse, Do Começo ao Fim comete o mesmo erro. Porém, de forma covarde, já que o livro de Carvalho não fazia concessões ao leitor, enquanto o filme de Abranches, além de colocar sunga nas crianças, limita o conteúdo adulto apenas a nudez dos protagonistas, sem exibir uma única cena de sexo que certamente agradaria o público alvo: homens gays. Assim, o mais novo filme de Aluisio Abranches, além de não servir sequer para simples entretenimento erótico, acaba se revelando não apenas uma obra terrivelmente medíocre, graças a sua direção amadora e seu roteiro repleto de furos, mas também constrangedora, limitada e irrelevante, incapaz de incitar qualquer tipo de discussão que possa enriquecer debates a respeito de leis e direitos para homossexuais.

O que pode explicar, tristemente, como mais da metade de um determinado público pode desejar ter o direito de discriminar tal minoria. Se nem mesmo os próprios interessados se dão o respeito, porque alguém que detesta bichas e “viados” deveria se preocupar com a dignidade que eles, como seres humanos, merecem?


2009 – Reta Final

4 04UTC Dezembro 04UTC 2009

Agenda de Filmes para dezembro de 2009.

Dia 04  – Lua Nova

Dia 05  – O Declínio do Império Americano

Dia 05  – 2012

Dia 05  – As Invasões Bárbaras

Dia 06 – Medos Privados em Lugares Públicos

Dia 06 – Tokyo!

Dia 06 – Hotel Atlântico

Dia 06 – Atividade Paranormal

Dia 07 – O Bebê de Rosemary

Dia 08 – Maria Antonieta

Dia 09 – Ken Park

Dia 10 – Estorvo

Dia 11 – Bastardos Inglórios

Dia 16 – Up! – Altas Aventuras

Dia 17 – Som e Fúria

Dia 18 – Avatar


Lista – Teaser 1

3 03UTC Dezembro 03UTC 2009

Dia 22 de dezembro publicarei minha lista dos melhores filmes, séries e livros que assisti e li em 2009. Mas para atiçar a curiosidade, publicarei hoje – 3 de dezembro – e nos dias 10 e 17, um teaser de cada lista, mencionando 3 posições diferentes em cada categoria.

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Filme posição 9
Distrito 9

Série posição 7
Skins

Livro posição 6
As Cinco Pessoas que Você Encontra no Céu

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Mas e para você, quais foram os melhors filmes, livros e séries de 2009?


Um parágrafo

2 02UTC Dezembro 02UTC 2009

(…)

Este último detalhe, em particular, merece destaque por ser o único momento do longa em que um dos irmãos parece encontrar algum dúvida sobre sua relação, mesmo que de forma tão sutil e até inconsciente, revelando que a intimidade, inicialmente fraternal, foi crescendo de forma tão lenta e natural que se tornou física sem que os rapazes se dessem conta, o que explica a falta de conflitos internos – eles não conseguem impor limites a sua forma de amar, e sexo acaba sendo apenas mais uma forma de expressar esse amor. Assim, a hesitação de Francisco reflete a uma falta de identificação, já que, apesar da figura de “irmão”, é impossível hoje determinar um título para a ligação entre eles.

(…)


Linhas

10 10UTC Novembro 10UTC 2009

Denise pegou a garrafa de Amarone de dentro do balde de gelo e saiu silenciosamente pela porta dos fundos. O gramado do quintal ainda estava enxarcado depois da chuva que durara o dia todo; o ar espiritava à mato, terra e concreto molhado; o céu escuro brilhava límpido com gotas de estrelas e um ou dois pedaços de nuvem acinzentada se afastavam uma da outra perto da Lua, amarela ali no horizonte. Denise se sentou no banco molhado no meio do quintal e bebeu o primeiro gole do vinho, derramando-o gargalo-garganta-abaixo. Ao abaixar a garrafa, percebeu que Pedro estava lá novamente.

O Sol já tinha ido embora quando Pedro decidiu voltar. Voltar para um lugar que era apenas “um lugar”, nada mais do que isso, nada especial. Durante duas horas, a chuva lambera seu corpo inteiro – cabelos, rosto, braços, roupas – e finalmente desistira. De quê…? De afogá-lo. De confortá-lo. De lamentar com ele. Agora Pedro estava sozinho. E mais do que as lágrimas da chuva embora, o que fazia sua solidão tão inequívoca era a terra removida abaixo de seus pés e a lápide branca nova e enxarcada a sua frente.

Pedro voltou caminhando. E no único lugar que, embora não significasse mais nada, já tivera um significado, ele parou. Abriu a porta, molhou o capacho preto, gotejou no carpete de madeira no caminho da sala para a cozinha e deixou escorregadio o chão de piso branco até o quintal. Do lado de fora, sentou-se na mesa de alvenaria perto da cerca baixa que delimitava sua residência. Deitou-se na superficie fria e molhada, saboreando o desconforto. Pouco depois, viu Denise sair de sua casa do outro lado da cerca e caminhar pelo gramado molhado até o banco de madeira no centro do quintal. O banco que ele mesmo construira naquela Páscoa, um presente de boas-vindas depois de atropelar o banco de jardim dela e de seu marido enquanto ele descarregavam o caminhão no dia da mudança.

Denise apagou o fogo da lareira elétrica e ficou parada no meio da sala, com o controle na mão. Olhou para a janela casualmente e notou que a chuva tinha parado. Ela ficou olhando pela janela, sem ver nada. Ficou pensando pouco. Sem conseguir definir pensamentos. Pensava em algum lugar. Em algum tempo. Mas não sabia quando e onde qualquer coisa começara. Ou, talvez, não tivesse certeza. Não sabia como tinha chegado até ali. Denise ficou parada, em pé, olhando para nada pela janela gotejada e embaçada. Ficou assim por quase meia hora. Então decidiu se mexer. Olhou em volta. A mobília era linda. Os porta-retratos tinham rostos familiares. As flores perfumavam o ar. A garrafa de Amarone estava mergulhada no gelo, suando deliciosamente ao encontrar o ar quente. Denise a pegou e saiu para o quintal molhado. A caminho do banco de madeira construído por seu vizinho, ela se lembrou da tarde em que se mudara para aquela casa.

André ajudava os carregadores a levar a mobília do caminhão baú para dentro da casa. Dentro da casa, indicava aonde cada coisa deveria ficar. Ele estava sozinho ali. E por sozinho, significa sem Denise. Enquanto suava sob o esforço físico que não estava acostumado, André papeava com os carregadores e explicava que sua esposa estava grávida de três meses. Que eles tinham decido se mudar para lá para dar um bom lar ao bebê. Que ela estava se despedindo de sua equipe no trabalho e apresentando a eles o novo gerente que a substituiria, facilitando a transição. Que ele não trabalhava há três anos. Que comprara a casa com a herança deixada por sua mãe. Que era escritor e compositor. Enquanto cantava um trechinho de uma música que compusera, André foi para a rua acompanhando um dos carregadores, que reconhecia a letra. Mas a música foi interrompida por um barulhinho seco. E André perdeu toda sua animação ao ver as lascas brancas de seu banco de jardim espalhadas pelo asfalto.

Carmen não sabia o que fazer. Parada no semáforo, tentava compreender a extensão daquela notícia. Engoliu uma tempestade de lágrimas e em troca vomitou um gemido. Uma vontade de gritar queimou sua garganta. E por que não? Por que não gritar bem alto? Por que não chorar, se debulhar? Um ano e dois meses. Um ano inteiro mais dois meses de suspense aflitivos. Um ano e dois meses de silêncio, de força, de autocontrole. Por que não chorar agora? Só agora? O semáforo abriu. Carmen mudou a macha e arrancou. Abriu as janelas e sentiu o vento cuspir ar em seu rosto. Seus lábios abriram um sorriso discreto e isso foi o bastante. O sorriso ficou enorme e seus olhos se derramaram em lágrimas, sua garganta rosnava e de repente sua boca gritava, urrava. Com uma mão no volante, levou a outra para a cabeça e desamarrou o laço do lenço estampado de flores. Dois meses ou três. nada mais do que isso. Em breve, aquele vento delicioso faria seus cabelos dançarem novamente. Seus novos cabelos coroariam sua nova vida. Sua nova História.

André seguia o caminhão de mudanças a poucos metros de distância. No rádio, ouvia sua própria música na voz de uma garota de dezenove anos. Ele sorriu. Ele tinha talento. Poucos compositores de sua geração sabiam falar sobre amor e vida tão intensamente como ele. Ele por acaso olhou para o relógio em seu pulso e percebeu que já estava na estrada há quase duas horas. E percebeu como tinha sido tranquila a viagem. E ao entrar na rua onde viveria e se faria feliz pelos próximos muitos anos, pensou em todos os amigos de infância que faria por ali. Todas as amizades eternas e, quem sabe, paixões secretas e platônicas.

Carmen parou o carro na frente de casa e olhou pelo retrovisor para o caminhão de mudanças que estacionava. Sentiu um sabor de fé açucarar sua boca. A vida continuava. Novas histórias começavam. Saiu do carro e olhou em volta, sorrindo para o homem que estacionava seu carro logo atrás do caminhão baú e esperando ver, no final da rua, o carro de Pedro chegando às pressas para abraça-la e ergue-la e girá-la no ar, sorrindo, gritando e chorando. Mas não era o carro dele o brilho prata que ela vislumbrava. Então foi para dentro de casa, pensando em preparar um bolo para comemorar aquele dia e até mesmo dar boas vindas ao novo vizinho que começava uma nova vida bem ao lado dela. Na cozinha, Carmen abriu os armários e começou a separar os ingredientes. E então ouviu um barulho de algo quebrando na rua. Olhou pela janela por mera curiosidade, esperando ver algum carregador lamentar seu descuido. Mas o que viu foi Pedro saindo do carro prata às gargalhadas, se desculpando sinceramente mas nada convincentemente pelo estrago que fizera a algum objeto de madeira branca e, para a surpresa de todos ao redor, abraçar seu novo vizinho que jamais vira na vida.


Não é o começo de tudo.

5 05UTC Novembro 05UTC 2009

INTRODUÇÃO

Existe uma história que sempre me fascina quando me lembro, mas ao mesmo tempo me entristece porque o final não é dos mais felizes. E como poderia ser?  Desde o início, esta parece ser a intenção da história: magoar, ferir. História, afinal, que é sobre um rapaz numa cidade estranha: ele se chama Lucas e tem uns dezesseis ou dezessete anos; ou talvez um pouco mais, é difícil dizer já que ele parece tão jovem e ao mesmo tempo carrega traços inequívocos de alguém com vinte e poucos e pesados anos. A história de Lucas pode parecer simples e clichê se considerarmos apenas a parte do “garoto novo na cidade que não conhece nada nem ninguém e acaba se apaixonando pela última pessoa de quem devia se aproximar”. Sim, ele vive uma história de amor. Mas há duas coisas que fazem da história de Lucas uma história surpreendente e inesquecível: primeiro, ele simplesmente acordou numa cidade da qual nunca ouviu falar (o que talvez não signifique muito já que ele viveu toda sua vida numa cidadezinha minúscula que outras pessoas também jamais ouviram falar); segundo, ele se apaixonou por ele mesmo, sem saber quem era – nenhum dos “dois”.

HISTÓRIA EXTRAORDINÁRIA

Lucas foi dormir ao anoitecer do dia trinta de novembro de mil novecentos e noventa e seis. Tinha que acordar muito cedo no dia seguinte já que ia viajar com a irmã e o ônibus sairia às cinco e dez da madrugada. Mas quando ele acordou e percebeu a forte claridade solar, denunciando cerca de oito ou nove horas da manhã, deu um pulo da cama achando que a irmã não o acordara porque tinha passado mal – ele nem se preocupou por ter perdido o ônibus, seu medo era a causa do atraso, que poderia ser mais uma das dolorosas crises de Camila.

Contudo, o pensamento de preocupação de Lucas foi um simples reflexo resultado do susto de sentir o sol alto; dois ou três segundos pós acordar, Lucas estava em pé e estático e pasmo: ele nunca vira o quarto onde estava agora, e certamente não era marulho o som que vinha de trás das paredes, tão pouco o Atlântico aquela cordilheira cinza e branco-sujo que ele encarava na direção em que deveria estar vendo o horizonte. E então os joelhos de Lucas o levaram subitamente para mais perto do chão, fazendo-o trocar a estabilidade por uma espécie de tremedeira e a pasmaria por um pavor calculado.

Mas esses sentimentos desapareceriam por alguns momentos nos próximos quinze minutos, pois ele seria tomado por uma mistura incompreensível de anestesia e adrenalina.

Quando o carro em que se encontrava quinze minutos depois parou atrás de um semáforo indicando vermelho, Lucas tentou compreender os últimos acontecimentos. Mas se a presença de nada menos do que três estranhos completos em um quarto de hotel de luxo em uma cidade europeia era inexplicável e um deles se comportar como se fosse um velho amigo e se apresentar como Olivier era inesperado, perturbador foi ficar no meio de uma troca de tiros aterradora enquanto era levado hotel afora pelo tal Olivier até um carro estacionado do outro lado da rua.

No semáforo, então, Lucas perguntou o que estava acontecendo. Olivier respondeu que é ele quem devia responder essa pergunta. E pergunta quem eram aquelas pessoas no quarto dele. Parte do acordo era os dois se encontrarem sozinhos. Lucas responde que nunca tinha visto aqueles homens antes, e diz que também não conhecia a ele, Olivier. Olivier diz que eles dois com certeza não se conhecem, pois apenas conversaram por e-mail. Lucas responde que não acessa o e-mail que ganhou no cursinho de informática há mais de seis meses. Olivier faz um gesto com o lábio, parecendo que não entendeu a piada. Mas Lucas diz que não é piada, que está falando sério. Que ele não faz idéia do que está acontecendo. Que foi dormir ontem como foi dormir anteontem e em todas as outras noites de sua vida e que hoje acordou num quarto de hotel com um monte de homem armado falando francês e atirando um no outro. Olivier olha fixamente para Lucas e Lucas olha para ele de volta e pergunta se por acaso ele, Lucas, sofreu um acidente e perdeu a memória.

Olivier então responde que já perdeu a memória uma vez. E que não sabe quem era antes dos vinte e dois anos. Lucas pergunta quantos anos ele tem agora. Trinta e três, de acordo com sua nova identidade.  Lucas, impressionado, pergunta se é possível que ele tenha perdido a memória também. Olivier diz que não é impossível. Lucas pergunta em que data eles estão. Olivier responde quatorze de dezembro e Lucas treme involuntariamente.

Lucas diz que ontem, quando foi dormir, era trinta de novembro. Olivier o olha preocupado e comenta o que os dois já sabia: ele tinha dormido duas semanas. Lucas olha para a rua, inconformado com a nova descoberta, e vê um painel eletrônico na rua informar a data: 14 de dezembro, segunda-feira. Lucas pergunta se hoje não é sábado. Olivier diz que não. Lucas diz que foi dormir na noite de sábado para domingo. Olivier responde que então não foi no dia trinta, pois o último dia trinta foi numa segunda-feira também.

Então sem saída e sem qualquer outra razão a não ser o desencontro de informações, Lucas pergunta em que ano eles estão. Olivier responde com um riso que é dois mil e nove. Mas imediatamente pára de ver graça na pergunta e na resposta quando vê a expressão aterrorizada no rosto do jovem e desconhecido Lucas.


Natureza humana.

4 04UTC Novembro 04UTC 2009

Eu me dou bem com essa minha personalidade meio distraída, meio ingênua… Por causa dela, por exemplo, frequentemente eu me flagro surpreso com acontecimentos que já não são mais novidade para ninguém, como quando noticiei “Gente, a Madonna desmaiou num show!”,  dias após o ocorrido, ou quando estranhei o nome “Topo Gigio”, personagem completamente estranho para  mim.  E isso é algo que causa momentos como: “Nossa, como assim só agora aconteceu a primeira morte por Gripe Suina na China!”, e alguém pergunta: “Então, Achilles… E de que mês é essa notícia, querido?”. Sem falar em todos os momentos que envolvem cores na minha vida. Eu sou daltônico. Por outro lado, me aproveito dessa característica autoreconhecida e faço brincadeiras como questionar “Que banda é essa?” ao ver alguém assistindo a um videoclipe anos oitenta do U2.

Um recente motivo de risos (e um besliquinho na bochecha acompanhado de um “Que fofo!”) foi quando declarei que quero visitar Amsterdã ano que vem para provar maconha sem peso na consciência, e quando confidenciei que estou com vontade de experimentar LSD, comentando que ia marcar uma consulta médica para saber se é seguro para o meu corpo.

Oras! Por que uma garota de 16 anos pode consultar um ginecologista ao decidir transar e um homem adulto não pode consultar, por exemplo, um cardiologista para usar drogas de acordo com o conceito de Redução de Danos?

De fato, eu realmente tomei essas duas decisões: só vou experimentar maconha quando estiver em um País em que a droga for legal, e só vou provar qualquer outra droga quando um médico disser que é relativamente seguro. E sim: eu acredito que encontrarei um médico mente aberta o bastante para ser completamente honesto (em todos os sentidos).

Mas o que me fez escrever esse post é um acontecimento ocorrido lá em setembro, num dos cantos escuros da badalada e (eu acho) bem frequentada casa noturna A Lôca.

Não entrarei em detalhes agora, para entender o caso basta ler uma matéria do G1 aqui ou, de preferência, um relato em primeira pessoa aqui (posts da época).

Leia, por favor.

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Viu? Agora me diz… O que você acha?

Bom, eu estou sim surpreso. Claro que sei imagino o que rola por aí nas noites paulistanas. Mas sempre associei os casos de agressão mais graves à tribos como skinheads e punks. Sim, eu também sei que há inúmeros casos de violência e assassinato cometidos por seguranças de bares e casas noturnas. Mas sempre acreditei que estes casos fossem casos de homens recém-contratados que eram provocados e, provavelmente tão chapados quanto os baladeiros, se descontrolavam. E sempre acreditei que esses homens eram sumariamente presos ou demitidos.

E agora leio que uma das casas noturnas que eu mais frequento frequentei é justamente conhecida por abrigar seguranças que explodem à menor oportunidade. O Gerente? Simplesmente “revidou as agressões”, dominou o cliente ao invés de cumprir seu papel e tentar acalmá-lo

Eu só não acho que o flyer criado para ilustrar o protesto seja válido. “Até quando seremos tratados como lixo apenas por termos gostos diferentes?”, diz a arte gráfica. Eu não acredito (novamente minha ingenuidade falando?) que o motivo da barbarie seja preconceito contra classes, estilos ou sexualidde – afinal, trabalhar como segurança em uma balada gay e ser, por exemplo, homofóbico, não parece fazer muito sentido.

Contudo, trabalhar como segurança em qualquer que seja o lugar e ser justamente o responsável por uma agressão hedionda a um dos frequentadores… É, isso também não faz o menor sentido.