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Déjà vu (Tony Scott)

21 21UTC Outubro 21UTC 2007

Não é preciso exatamente uma inteligência fora do comum para criar uma história sobre viagens temporais competente e coesa. Isso porque há uma lógica simples que deveria ser empregada a todas essas histórias: o passado não pode ser alterado. Apesar disso, praticamente todas esses contos envolvem personagens que agem justamente para mudar algo, há os que seguem a lógica e falham, outros, porém, conseguem o que querem. E é nestas histórias que é preciso muitíssima inteligência para conceber uma trama a prova de furos.

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O cinema já contou inúmeras aventuras com esse conceito, e uma das mais recentes é o fabuloso Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, que primeiramente nos mostra um destino terrível, que mais tarde seria supostamente alterado por dois personagens. Contudo, a história nos mostra que desde o desagradável presente, os personagens já assistiam a ações deles do futuro, para alterar o rumo dos acontecimentos. Mais tarde, eles apenas mantém esse ciclo, voltando para ajudar seus “eus” do passado.

E novamente o cinema nos trouxe uma história fascinante baseada nessa premissa. Déjà vu, porém, está longe de ser uma aventura fantasiosa e põe seus pés no chão durante boa parte do tempo, chegando quase a nos convencer de sua realidade. O mais interessante é que, à princípio, somos apresentados a uma descoberta científica que mexe com o tempo, mas sem intenção de mudar as coisas, apenas usa as imagens do passado como auxílio no presente.

E é assim que a história de desenvolve, trazendo seqüências de ação simplesmente fantásticas, além da incrível prova de inteligência dos investigadores. Ao mesmo tempo, os personagens se tornam pessoas reais com as quais nos identificamos e importamos, desde os coadjuvantes (que se angustiam com as coisas que são obrigados a assistir, sabendo que não podem fazer nada) até o protagonista, interpretado com a habitual competência de Denzel Washington: Doug Carlin é um detetive interessantíssimo, fugindo completamente do clichê hollywoodiano que sempre traz heróis traumatizados, amargos ou rudes, ou tudo isso ao mesmo tempo. Carlin é carismático e inteligente, o que o torna ainda mais real e querido para nós. Da mesma forma, é comovente a atitude de um pai, quando dá fotos de sua filha ainda viva para que o investigador se sinta mais próximo dela e assim mais determinado a solucionar seu caso.

Déjà vu é um ótimo filme: inteligente e competente, brinca com as expectativas do espectador e, em certo momento, nos faz acreditar que tudo está caminhando para um novo e decepcionante final. Logo em seguida, porém, descobrimos que ainda há mistérios que precisam ser esclarecidos. E não deixa de ser exasperante perceber como determinado personagem se rende a detalhes e não se empenha em mudá-los (por que não tentar apelar para o efeito borboleta simplesmente espalhando o conteúdo de um cesto de lixo?), e quando vemos a mocinha saindo de casa com o mesmo vestido que usava “anteriormente” percebemos que o filme está se encaminhando para um desfecho fora do comum em Hollywood.

O que, infelizmente, não acontece. Nos seus momentos finais, Déjà vu realmente nos decepciona e cria uma nova realidade. Ao que parece, um único protagonista é o bastante para um filme, e certamente não pode existir um bom protagonista sem uma bela mocinha.

Ainda assim, apesar desse péssimo final, este novo exemplar de filme de ação com viagem temporal é um trabalho forte e inteligente o bastante para prender nossa atenção e entreter, mas não é acima da média, embora estivesse no caminho. Não foi dessa vez que tivemos um novo Exterminador ou De Volta para o Futuro, mas não duvido que este filme dê origem a uma continuação. Se seguir os padrões dessa, mas ignorar o impulso de criar finais felizes, sem dúvidas será outro grande filme.

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A Fonte da Vida (Darren Aranofsky)

21 21UTC Outubro 21UTC 2007

Contando com duas narrativas paralelas praticamente dispensáveis, The Fountain se sairia bem melhor caso se concentrasse apenas em sua trama principal. Uma trama maravilhosa, diga-se de passagem, que trata a questão da morte com uma delicadeza comovente.

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Uma das principais características é a dedicação do Dr. Tommy Creo, personagem de Hugh Jackman, em encontrar uma cura para a doença de sua esposa Izzy, e a conseqüente distância entre ele e a mulher. Ele passa horas estudando no laboratório enquanto poderia estar ao lado de Izzy aproveitando os momentos que inevitavelmente serão cada vez mais escassos.

A personagem de Rachel Weisz, por sua vez, é de uma beleza encantadora. Não só fisicamente, Izzy é uma mulher que certamente merece todo o amor que recebe do marido e dos amigos, e sua fascinante aceitação do que está por vir a torna ainda mais bela, e trágica, quase sobre-humana. Já a fragilidade do médico é terrivelmente verdadeira e sua impotência numa das cenas mais delicadas do longa atinge um nível simplesmente angustiante.

Com um desfecho poderoso e coerente, e ainda conseguindo encaixar com perfeição as duas outras narrativas como “história” e “prólogo” do livro de Izzy, Fonte da Vida é uma obra de emoção admirável, um esforço compensador e marcante para qualquer um que a assiste.

Ainda acho que a ausência das duas outras histórias não comprometeria o longa (mas, claro, o roteiro teria que ser devidamente alterado para compensar o desfalque), contudo, não posso negar que a força lírica dessas histórias (mais a do futuro do que a do passado), preenchem o filme de forma belíssima e o concluem com ainda mais poesia.