Arquivo para Outubro, 2008

21 Gramas (Alejandro González Iñárritu)

31 31UTC Outubro 31UTC 2008

“Quanto pesa a vida?”

Esta é a pergunta escrita no cartaz deste que, para mim, é o melhor filme de Iñarritu.

Cru e emocionalmente violento, 21 Gramas nos mostra três personagens com seus devidos passados difíceis e que se cruzam numa virada em suas vidas que torna tudo muito, muito pior.

Sempre interessante é, sem dúvida, a montagem desta produção, que começa de forma confusa, deixando o espectador perdido durante a maior parte do tempo, mas que aos poucos fica mais clara já que gradualmente conhecemos mais a respeito daquelas histórias e aprendemos a deduzir em que momento da vida deles certas coisas acontecem.

Também difícil e melancólico, 21 Gramas é um mar de dúvidas. O que podemos interpretar, por exemplo, do poema versado pelo personagem de Sean Pean? Que determinada tragédia tinha que acontecer? Que toda aquela dor era apenas para que eles se encontrassem? Sim, ao final da história, todos os três personagens mudaram radicalmente, o que deveria justificar os acontecimentos. Mas, de certa forma, a redenção de dois deles nada mais é do que uma compensação pela injustiça que caiu sobre suas cabeças, já que até antes da tragédia suas vidas aparentemente estavam nos trilhos.

Ouso dizer (alias, eu afirmo com convicção), que há muito sobre a vida desses três personagens a ser contado. Pois suas histórias neste filme começam e terminam quase num mesmo ponto – a diferença é o estado em que estão: infinitamente mais machucados. E quando o poema final (também narrado por Pean) pergunta “Quanto é ganho?”, tendo uma linda resposta visual, eu prefiro repetir uma pergunta anterior: “Quanto se perde?”. E pergunto ainda: o que eles ganharam, compensa o que eles perderam?

Justa ou não, o fato é que esta trágica produção do mexicano Alejandro Iñárritu mostra o que acontece conosco quando perdemos alguma coisa, não somente nossa vida, mas principalmente o que nos faz viver.

5-estrela3

Mina e Lisa 25

29 29UTC Outubro 29UTC 2008

As gravações da segunda temporada de Mina e Lisa já começaram e até o final de novembro será publicado o primeiro novo episódio.

Aguardem…

Aquarela (David Oliveras)

29 29UTC Outubro 29UTC 2008

Meu único filme na 32ª Mostra Internacional de Cinema.

É uma pequena ironia que Aquarela fale de preconceitos por estereótipos e, em certos aspectos, invista justamente em alguns bastante comuns como o intelectual ligeiramente afeminado, a professora de arte liberal, o pai alcoólatra (em reabilitação) ou os valentões retratados como monstros que demonstram prazer em agredir os mais fracos ou assistir um desafeto tendo uma séria crise de saúde. Porém, diferentemente de comédias como Meninas Malvadas ou suspenses como Pãnico, o roteiro não usa tais artifícios para orientar a história, servindo como mero e quase insignificante comentário.

Aquarela é nada mais do que uma história de amor e conflitos, tocante em alguns momentos, estimulante em outros, mas incomodamente (embora apropriadamente) instável em retratar os sentimentos de Carter (Kyle Clare) e (erroneamente) em interromper a narrativa com cenas de Danny adulto (Ian Rhodes). A opção de transformar a história principal do longa em um longo flashback aliás é o que mais prejudica a história uma vez que a dinâmica entre Danny e Allan (Edward Finlay) jamais é explorada ou transformada em algo minimamente real – e a cena que encerra o filme, embora visualmente belíssima e tematicamente adequada, vem de um momento tão súbito e incompleto quanto todas as cenas anteriores a esta.

Mas o que deveria ser o grande destaque do filme acaba revelando-se um constrangimento em importantes momentos. Tye Olson é feliz em transformar seu Danny numa figura afeminada sem apelar para trejeitos pejorativos, mas exagera na vulnerabilidade do personagem quando este se despespera. Da mesma forma, sua conclusão de estar apaixonado surge também súbita – o que é uma prerrogativa adolescente, claro.

Por outro lado, a dinâmica de Danny e sua mãe (Casey Kramer) soa sincera em todas as cenas, retratando-os como pessoas extremamente ligadas mas também independentes. Jeffrey Lee Woods, por sua vez, escapa da caricatura embora faça o retrato de um pai que conhece mas não reconhece sua responsabilidade por um filho extremamente dependente, chegando a assumir que suas ambições para o resto da vida se resumem a sexo e bebidas e não hesitando em expor sua mente vazia de qualquer romantismo.

Explorando em seus quadros basicamente a beleza física dos protagonistas (embora Olson não seja exatamente “do tipo atlético”), a direção de David Oliveras revela-se tematicamente irregular mas tecnicamente bem sucedida, e um exemplo disso é a belíssima mas incompreensível cena à la Evanescence que se destaca no segundo ato.

Ganhando força na entrega absoluta de Kyle Clare na concepção de seu personagem, Aquarela parece sempre melhor quando Carter está em cena, e somando-se a isso nossa identificação com uma história de amor universal, o longa acaba revelando-se uma obra falha, mas emocionante por apresentar um desfecho (no flashback) que corresponde tristemente as expectativas para um indivíduo incompleto e assustado, incapaz de enxergar uma mão que ofereça auxílio quando todas as suas esperanças estão destruídas.

Seguindo o caminho de tantas outras histórias do gênero (O Terceiro Travesseiro, Depois…, O Segredo de Brokeback Mountain, Desejo e Reparação, Titanic, Tristão & Isolda, Romeu & Julieta), Aquarela termina com uma nota amarga de solidão. E mesmo quando Danny “se despede” de Carter, sabemos que tal gesto não passa de uma tentativa inútil já que um amor interrompido tem o dom (ou o castigo) de jamais ser esquecido ou perdido.

4-estrela2

Força brutíssima! – O ESPETÁCULO

27 27UTC Outubro 27UTC 2008

Funcionando como mera desculpa para alucinar a platéia com cerca de sete quadros de puro surrealismo, o pesadelo à Homero narrado pelo espetáculo Fuerzabruta perde o sentido em alguns momentos – como em praticamente todos os sonhos dos quais nos lembramos – e acaba parecendo um simples exercício de técnicas e tecnologia. Claro, nada disso diminui nosso entusiasmo, pois não há nada que desvie nossa atenção de todos os pontos do palco, palco que é tudo ao seu redor – abaixo e principalmente acima de todos!

O grande trunfo do espetáculo é manter o interesse – e o deslumbre – do público mesmo quando, ao final do show, o protagonista volta ao palco para continuar a cena de introdução. Depois de tudo o que vimos, ver algo que não é novidade apenas acentua o clima de tensão pelo que está por vir. E o choque é inequívoco! Mesmo depois de bailarinas aladas dançando numa gigantesca parede movediça que nos traz água, céu, gelo e fogo conforme as luzes que reflete, ou a belíssima seqüência onde o protagonista parece adormecer e então começa sua saga pelo abstrato: o primeiro elemento de seu sonho é um quadro suspenso onde um casal de bailarinos parece tentar se encontrar, desesperadamente separados por um teto – ou chão – de vidro que não pára de girar e nos enlouquecer! E ainda o painel giratório que parece se mover ao comando do corpo de dois bailarinos que se jogam sobre a platéia e ficam suspensos por cabos de aço tentando, assim como o outro casal, se encontrar em meio a um movimento turbulento e culminando no prenúncio de uma  tragédia…

Com uma introdução empolgante e tensa, Fuerzabruta nos leva a uma caminhada sem necessariamente passos, mas com muitos vôos e mergulhos! Mas os grandes momentos do espetáculo são sem dúvidas quando a platéia torna-se parte do sonho: primeiro quando bailarinas – ou sereias – dominam uma piscina de plástico que cobre o público e se apresentam numa dança ritualística arrebatadora e sexy, parecendo enfeitiçar marinheiros e marinheiras não com seu canto, mas com seus movimentos e corpos, e finalmente: quando tudo parece ter chegado ao fim, enquanto nossa atenção é desviada para o brilhante trilhista Gaby Kerpel (co-criador do espetáculo ao lado de Diqui James), os 11 atores e artistas do espetáculo infiltram-se na platéia e – sem aviso – uma torre de água despenca sobre a multidão numa chuva fresca, barulhenta e intensa levando todos para fora com a alma lavada e o corpo ardendo de excitação…

Nada que uma mini-rave esperando do lado de fora não resolva…

rafa – rodrigo – achilles (eu) – janna – ator do espetáculo

eu – janna – rodrigo – alex – rafa

achilles (eu) – e janna braçuda

Clique na imagem abaixo e veja fotos no meu álbum do Orkut!

4-estrela3

Aquário e Futuro

22 22UTC Outubro 22UTC 2008

Peço desculpas por ainda não ter publicado nenhuma seqüência do Projeto Aquário. Poucos comentários foram feitos diretamente no/pelo blog, a maior parte das opiniões recebi de amigos e conhecidos por e-mail e, embora História extraordinária tenha recebido um número maior de votos, todos os votos para Magnólia foram mais apaixonados, o que me deixou em dúvida.

Contudo, esta é apenas uma das razões do meu atraso. Há dois outros motivos mais importantes: a) evito escrever trabalhos pessoais quando estou na Eventos e b) nas horas vagas tenho trabalhado exaustivamente  em 2 roteiros, ambos já no terceiro ato, que pretendo concluir até o final de novembro. Eles são: “Hora de voltar” (sim, mesmo título em português do primeiro longa de Zach Braff, cujo tema não se assemelha em nada ao meu projeto) e “Pequenos acidentes“, adaptado ou inspirado em um famoso romance brasileiro (a história desse roteiro (como propriedade), aliás, vem me causando muitas dores de cabeça).

A idéia é inscrever ambos os roteiros em certos concursos para 2009 e, de preferência, produzi-los neste ano que vem.

Mas prometo, muito antes disso, continuar o Projeto Aquário – que renderá uma de duas coisas: um belo livro ou uma série formidável.

Municípios brasileiros – Top 20

21 21UTC Outubro 21UTC 2008

Municípios brasileiros com nomes excêntricos.
Como diria Corsini, “só a fina flor…”

Virginópolis (MG)

Viadutos (RS)

Venha-Ver (RN)

Trombudo Central (SC)

Tiros (MG)

Sombrio (SC)

Solidão (PE)

Recursolândia (TO)

Piranhas (GO)

Pendências (RN)

Passa e Fica (RN)

Não-Me-Toque (RS)

Funilândia (MG)

Chuvisca (RS)

Carrasco Bonito (TO)

Careiro (AM)

Buenos Aires (PE)

Breu Branco (PA)

Braço do Trombudo (SC)

Anta Gorda (RS)

O lugar certo…

21 21UTC Outubro 21UTC 2008

Ano passado assisti a primeira temporada de Prison Break. Como comentei em outro post, andei em marcha lenta já que este era o ritmo da série então. Rolava uma surpresinha aqui e ali a cada episódio, mas o joguinho do roteiro de dar um passo por vez e sempre trazer um problema para os planos do protagonista, que por sua vez sempre tinha uma alternativa na manga, ou na pele, melhor dizendo, tornava o ritmo um pouco episódico e, por isso, menos viciante.

Na reta final, porém, a série alcançou a harmonia entre estratégia e ação e assim concluiu uma primeira temporada bem agradável. E aí veio a segunda, e surpreendentemente superior, temporada.

Escreverei mais sobre a temporada mais tarde, mas por enquanto quero comentar o desempenho dos atores Lane Garrison e William Fichtner, respectivamente os personagens Tweener e Mahone.

Fichtner conseguiu humanizar um personagem extremamente caricato, chegando a ponto de nos fazer detestá-lo ao mesmo tempo que nos comove, especialmente numa cena particularmente trágica que ele divide com o personagem de Garrison.

Garrison, por sua vez, revelou-se o ator com maior alcance dramático da série até o momento, conquistando nossa simpatia e nos sensibilizando com sua má sorte – tudo dá errado com ele, mais do que deveria, e lembrar que ele foi preso por simplesmente roubar uma figurinha de colecionador nos deixa ainda mais abalados com seu destino injusto.

Rockmond Dunbar é outro ator que merece destaque, mas mais pelo seu desempenho na segunda metade da temporada (particularmente no 18º episódio).

+ Amy’s Song

17 17UTC Outubro 17UTC 2008

Amy Lee, cantando Sally’s Song ao vivo, tocando piano ao vivo, perdendo o tom por dois segundos ao vivo, tocando harpa ao vivo e magra! Viva!

Uau!

Comentei algum tempo atrás que seu desempenho ao vivo tinha enfraquecido bastante. Ao que parece, Amy trabalhou para resolver esse problema e agora voltou a velha forma – um errinho á toa é normal.

Estou feliz!

Blindness – Ensaio Sobre a Cegueira

17 17UTC Outubro 17UTC 2008

Em Antes do Pôr-do-sol, o personagem de Ethan Hawke, então um escritor, comenta que, hipocrisia à parte, não poderia escrever um livro sobre, se não me engano, guerra ou fome e coisas do gênero porque tais elementos não faziam parte da sua realidade. Assim, decidiu escrever sobre o encontro que teve com uma encantadora estranha quase uma década antes – encontro narrado em Antes do Amanhecer.

Emocionalmente exausto, quando comecei a pensar sobre o que escrever a respeito do novo filme de Fernando Meirelles, percebi que não conseguia deixar de compará-lo a obras como O Pianista, A Lista de Schindler, ou mesmo Tropa de Elite, O Jardineiro Fiel. Exagerado? Porém, uma preocupação: como comparar algumas histórias “reais” a uma ficção?

Felizmente, as realidades apresentadas por essas obras magistrais são muito diferentes da minha realidade – sim, vejo a violência em crescimento constante chegando cada vez mais perto, mas dou graças a Deus por nunca ter tido nenhuma experiência traumática. Assim, comparar os cenários de Luis Eduardo Soares e José Saramago, por exemplo, para mim é aceitável já que ambos, no meu mundo, não passam disso: um cenário, um “ensaio”, como diz o pleno título em português da difícil obra do escritor lusitano – e, como não poderia deixar de ser, do diretor brasilo.

Difícil, aliás, é o melhor modo de definir o filme de Fernando Meirelles, já que tudo “conspira” para tornar a experiência ainda mais incômoda: sons espalhados, enquadramentos tortos ou desfocados, reflexos constantes que deixam a nossa visão ainda mais confusa. Mas o que mais atordoa é nunca entendermos completamente a dimensão da epidemia branca. Uma cidade, um país, um continente…? O que mais inquieta é ver o mundo ao redor sucumbir à barbárie. Mas, mais do que tudo, o maior medo é o tempo…

Quando os primeiros “doentes” são levados para o sanatório, algo errado fica claro estar acontecendo. Aos poucos, o lugar ganha mais habitantes e, quando nos damos conta, tornou-se um campo de batalha tão injusto e incorreto quanto todos os outros, mas ainda mais triste por serem simplesmente pessoas na mesma situação.

Como sobreviver a isso? Como conviver com isso? Pior: quanto isso vai durar? Essa é uma pergunta que jamais é respondida – nem após os créditos. Assim que chegam ao sanatório, vêm as perguntas. Mas nenhuma resposta, nenhum prazo, nenhuma esperança, nenhuma expectativa de cura ou liberdade. O desespero é concreto e constante e a cegueira branca, a luz, assume o papel da escuridão, impedindo que vejamos qualquer esperança.

4-estrela4

Mallu Magalhães

17 17UTC Outubro 17UTC 2008

Maria Luiza de Arruda Botelho Pereira de Magalhães

Como pode uma garota de 15 anos (agora 16), conversar como uma menininha boba de 10 e cantar e compor melhor do que a maior parte das nossas compositoras. Talvez apenas Adriana Calcanhoto ou Ana Carolina se comparem a ela.

Estou atordoado com o contraste.

Transmissão

15 15UTC Outubro 15UTC 2008

Baseado sim em fatos reais.

- Socorro! – gritou a voz de uma jovem no andar de cima. – Socorro! – Em desespero.

Sentado a sua mesa na Criação, o redator atendeu pronta e heroicamente o pedido de ajuda e subiu as escadas a três degraus por vez. Quando chegou na sala do Atendimento, um susto: a jovem assistente estava debruçada sobre a maquina de fax, fazendo força, puxando algo. O redator correu até ela, pronto para desligar o aparelho e ajudar a bela moça a liberar seus sedosos e claros cabelos da engrenagem da máquina. Mas, ao alcança-la, uma surpresa: ela não tentava salvar sus cabelos, mas uma folha de papel.

- Me ajuda! – pediu ela, ainda em desespero.

O redator apertou um botão no aparelho e a mocinha relaxou, mas ainda tremendo pelo susto.

- O que houve? – perguntou o preocupado redator.

- O chefe pediu para eu mandar um fax para o cliente – disse ela, controlando-se e secando o rosto de lágrimas, ou suor. – Mas eu esqueci de tirar uma xerox antes!

Crise financeira

15 15UTC Outubro 15UTC 2008

A crise continua brava e sem previsão de trégua… E, enquanto a situação não melhora, as empresas se adaptam a nova realidade:

Dia, 15 de outubro

15 15UTC Outubro 15UTC 2008

Hoje é aniversário de uma de minhas melhores e principais amigas. Cinco anos de amizade, convivência, cumplicidade… A confiança foi inabalável por muito tempo, episódios recentes mexeram com ela um pouco – em ambos os lados – mas, como acontece poucas vezes na vida, sobrevivemos.

Algum tempo atrás, após um episódio particularmente difícil, questionei minha amiga a respeito de uma atitude dela e ela recusou-se a dar qualquer explicação ou resposta. Na época escrevi algo “incompleto” sobre o assunto e comentei que  mesmo “depois dos últimos cinco e complicados anos, nós ainda nos entendemos profundamente sem precisar de discursos, respostas ou explicações”. E isso é verdade. Pois mesmo quando ela me deixou no escuro com minhas indagações, alguns minutos de conversas aleatórias e sem significados específicos – a simples troca de experiências – são o bastante para fazer com que tudo fique bem. O inconsciente atua de tal forma que todas as ações se explicam sozinhas.

Ela, por sua vez, foi capaz de entender melhor do que eu minhas próprias atitudes quando descobriu que eu havia escondido verdades dela – ou seja, mentido. Confiei em alguém que não deveria – e que enganava a todos, inclusive a si mesmo – e assim abalei pela primeira vez a nossa harmonia – algo até então intocado.

Nossas vidas jamais voltarão a ser como cinco anos atrás, mas quem disse que não será melhor do que antes? Como não disse Alanis e uma de suas melhores músicas, nós estamos “constantemente em harmonia”.

Em sua homenagem, Dia, mando aqui duas coisas: mais do que uma música e mais do que a história contará.

e você é como um jesus dos anos 90
e você revela em sua psicose como você é corajoso
e você apresenta conceitos como um prato de entrada
e você devora as dúvidas deles como sobremesa

e sou simplesmente eu ou está quente aqui?

e você é como um kennedy dos anos 90
e você tem mesmo um milhão de anos,
você não pode me enganar
lançarão opiniões como pedras em um desmoronamento
e tropeçarão a sua volta como hipócritas

e sou simplesmente eu ou está escuro aqui?

você pode nunca ser ou ter um marido
você pode nunca ter ou segurar uma criança
você aprenderá a perder tudo
nós estamos temporariamente em harmonia

e você é como um noé dos anos 90
e riram de você enquanto
você guardava todas as suas coisas
e se perguntam por que você é frustrado
e se perguntam por que você tem tanta raiva

sou simplesmente eu ou você está cheio disso?

que  deus te abençoe nas suas viagens
nas suas conquistas e dúvidas

——————————-

Hora de voltar

“Você fica vazio por dentro. De repente o tempo passa e você percebe que não viveu a única vida que tinha, mesmo sendo a segunda. E quando pensa em recomeçar, descobre que não dá mais tempo.

Na véspera do meu aniversário, vi uma mulher morrer. E aconteceu comigo o que acontece a todos que vêem a morte: pensei na vida. Pensei em toda a minha vida até então, em tudo o que eu tinha deixado para trás. Aí no dia do meu aniversário, sofri um ataque cardíaco e quase morri. Sobrevivi, e e aquilo me fez decidir recomeçar. Mas três meses depois descobri que a falta de ar constante, os vômitos e as fortes dores de cabeça eram sintomas de uma doença que me mataria em poucos meses.

Naquele dia vi minha vida passar diante dos meus olhos. Apenas um reflexo no espelho, uma única imagem. Eu estava morrendo e o pior era que não estava perdendo nada. Minha vida não tinha significado, não tinha história. E eu não tinha mais tempo para escrever.”

Este é o monólogo que abre o longa Hora de voltar, a história de um homem que teme morrer sozinho e decide procurar por velhos amigos que abandonou. Sua principal busca é por Denise, cuja separação deixou tristes lembranças, e Fernando, que nunca compreendeu inteiramente. Eles também partiram para vidas distintas, mas se reencontraram muitos anos depois e se tornaram tão amigos quanto foram individualmente de Luciano.

Em sua jornada, Luciano reencontra mais do que pessoas, mas também verdades que fingia nao existirem. E ao final de sua busca, descobre que nada pode acontecer de novo. Nem amor nem amizade. Nem perdão.

Trecho do roteiro:

DENISE
Eu já venci a fase de sentir dor. Acho que estou anestesiada.

FERNANDO
Você está deprimida.

DENISE
Não deveria estar? Um dia eu acordei e o meu mundo estava assim: vazio, frio, escuro. Mas a pior parte em perder tudo é ter a capacidade de se lembrar de como era… 

FERNANDO
Eu lembro de quando o Luciano foi embora. Ele veio me procurar com aquele adeus cheio de significado, sabe? “O último encontro”!…

DENISE
Fazia parte do romantismo dele. Cutucar cada ferida no peito. Mas ele não estava errado: se não dá pra ter o amor, então que se aproveite ao máximo o coração partido. Você deveria procurá-lo qualquer dia desses, sabia?

FERNANDO
Você também, sabia?

DENISE
Eu não preciso.

FERNANDO
Porque não? Não disse que sente saudade?

DENISE
É que ele te ama tanto, que você parece ter uma parte dele. Então eu me sinto perto dele quando estou com você.

 Feliz aniversário…

Uhm… E se Dexter encontrasse Harry Potter?

14 14UTC Outubro 14UTC 2008

Infelizmente a série Harry Potter jamais perderá a estigma de literatura infantil, o que é compreensível, considerando a primeira parte da história – composta, na minha opinião, pelos quatro primeiros volumes -, mas injusto se levarmos em conta a segunda parte – a trilogia final.

Apesar do 5º volume, A Ordem da Fênix, ser considerado um dos mais fracos episódios da série, gastando uma imensa energia com inúmeras subtramas e longos capítulos, eu gosto do livro. O clima de tensão e medo são palpáveis e, quando ausentes, a injustiça vira o grande tema da trama focada no confronto de Harry com o Ministério da Magia. Já O Príncipe Mestiço, menos rebuscado do que o antecessor, é mais objetivo também – o que certamente tornou-se um grande problema na adaptação cinematográfica, do qual falarei em outro post – e, assim, a história simplesmente corre, sem perdas de tempo e subtramas que apenas acrescentam à história, nunca a desviam. O final deste volume, aliás, é incrivelmente impactante e tocante, auxiliado pelo fato de que, pela única vez, a história não termina em King’s Cross, ou seja, uma reticência que deixa ainda mais amargo o difícil momento que os personagens estão atravessando – e que a conecta, diretamente, à história do volume final.

Assim, é mais do que natural que Dumbledore seja tão importante para a trama de As Relíquias da Morte, continuando seu papel do sexto livro – o que mais contou com sua presença. Mas, o mais difícil, é ver Harry descobrindo subitamente que seu grande mestre, ídolo e guia provavelmente não passava de uma farça. Claro, aos poucos entendemos que não era bem assim, mas o fato de Dumbledore ter mentido e escondido muitas coisas de Harry não pode ser negado.

Assim, quando Dexter chega perto do final de sua primeira temporada e seu personagem-título chega perto da verdade sobre seu pai… A mágoa já está presente. Diferentemente de Harry e Dumbledore, Dexter e Harry Morgan (seu pai) eram intimamente ligados, justamente pelo fato do rapaz ser adotado, e isso faz a decepção de Dexter soar muito mais legítima e perigosa (embora as consequências em Harry Potter sejam proporcionalmente terríveis).

É interessante observar essa rima temática entre duas obras tão distinstas – a injustamente infantilizada HP e a indiscutivelmente adulta Dexter. Eu ficaria feliz se isso ajudasse a dar seriedade a série britânica, mas é mais provável que as comparações as distanciem ainda mais.

Futuro burro e doente, mas em rede…

14 14UTC Outubro 14UTC 2008

Não se preocupe. Se seu filho de apenas 4 anos quebrar a perninha, é só você entrar na Internet e pesquisar modelos de torniquete. Se ele se queimar, pesquise cuidados com queimaduras. Já o seu filho mais velho, de 07 anos, que ainda não aprendeu a ler nem escrever, pode perfeitamente aprender no Orkut, por que não?, há tantas comunidades de professores por lá – mas pedófilos também, não se esqueça.

Se você gostou dessa idéia, é só votar numa certa loira que disputa a prefeitura de São Paulo e que declara: “Não é só transporte, saúde e escola. Para pensar em futuro tem que ter Internet”. Extasiada, uma popular brigou com as vizinhas dizendo: “Suas traíras. Vocês não votaram na Marta e agora vão ficar sem banda larga.”

Fonte: UOL