A pergunta ao final da ultima publicação foi:
“Como Lucas, que já sabemos ter acordado normalmente na manhã de 1º de dezembro de 1996, voltou um dia no tempo e acabou acordando treze anos no futuro?”.
Esta questão é, provavelmente, a cerne do mistério de História extraordinária, o tipo de pergunta que qualquer roteirista deixaria para revelar em algum momento próximo ao final da historia. Mas não acho que o caso em questão valha tanto assim.
De qualquer forma, quando decidi deixar a dissertação um pouco de lado para trabalhar nos detalhes da trama (veja Parte 2), deixei de lado também a estrutura narrativa. É claro que certos elementos vêm a mente com um lugar a mesa já determinado, mas a maioria não. A respeito das duas subtramas apresentadas nesta publicação e na anterior, ainda não decidi como serão apresentadas e desenvolvidas na narrativa – embora eu esteja inclinado a contá-las paralelamente. Isto será definido quando eu voltar ao texto propriamente dito.
Então, vamos aos fatos:
Viagem no tempo, provavelmente no tempo-espaço? Já sabemos que, até certo nível, a realidade de He nos remete diretamente a ficção-científica. Assim, optei por não fugir dessa idéia e, mais ainda, assumir definitivamente o tema. E o mistério envolvendo o jovem Lucas, aquele que simplesmente acordou no hotel, explica-se numa trama ligeiramente complexa e totalmente mergulhada na mais pura ficção-científica.
O acidente com o Transatlântico, na tarde de 13 de dezembro de 1996, causou dezenas de vítimas. Uma boa parte, fatais. Camila, irmã de Lucas, é um dos mortos. Já Lucas, fez muito mais do que sobreviver, perder a memória e ganhar a identidade de Olivier, ele foi simplesmente… dividido.
Um experimento cientifico (LHC também inspira) realizado por um grande Laboratório (droga, lá vem a famigerada Companhia-Dharma-Dynamics) está acontecendo abaixo do nível do mar, nas proximidades da ilha (curiosamente não há influencia de Lost aqui). Um pequeno erro de programação causou uma reação em cadeia que culminou naquele terrível acidente. Lucas estava em um ponto específico da superfície da ilha e foi afetado drasticamente pelo fenômeno. Ali, seu corpo foi dividido em dois. Um deles caiu inconsciente (aquele que viria a se tornar Olivier) e o outro, assustado em ver a si mesmo (achando que morrera e se tornara um espírito), tentou correr e foi atingido por outro fenômeno do acidente.
E desapareceu no ar.
Reaparecendo imediatamente numa espécie de aquário (já deu pra ver que adoro aquários), o campo de testes do Laboratório envolvido no experimento científico. Lucas de repente se vê caído num chão molhado e um homem correndo em sua direção, falando em inglês. Lucas desmaia.
O homem é um cientista, (nome…) Harry, e o reanima com uma injeção. Lucas acorda num fôlego e pergunta em português o que aconteceu. Harry continua a conversa na língua do garoto e pergunta o que ele viu na ilha.
Fenômenos interessantes e o que significam? Vamos pensar nos fenômenos primeiro.
Lucas fala sobre uma grande onda, e que tinha muito barulho, gritos, luzes, frio, um cheiro forte, e que faltava ar. Lucas diz que tinha visto a si mesmo caído no chão.
O que está acontecendo? Como Lucas foi parar lá?
Há duas opções: por mero acidente ou ele foi levado para lá.
Eu gosto mais da parte intencional. Mas pensarei nos detalhes depois. Por enquanto, o fato de Lucas ter sido tirado da ilha e levado para aquele aquário parece ser algo urgente. Então, algo urgente está acontecendo. Vamos pôr um pouco de ação nisso.
Um barulho de explosão estremece o laboratório. Lucas pergunta o que está havendo e Harry diz que eles não têm muito tempo para explicações precisas (afinal, eu preciso pensar nelas), que eles estão sob ataque.
Mas por que Harry estava fazendo aquilo, basicamente?
Ele explica rapidamente que o acidente na ilha foi causado por aquele laboratório onde estavam, e que alguns meses atrás ele mesmo tinha descoberto isto, mas fora afastado dali. Lucas reage ao “alguns meses” e fica ainda mais chocado quando descobre que se passaram exatos treze anos desde o acidente.
Harry conta que o laboratório vem trabalhando num experimento “quase ilegal” há quinze anos e que desde o acidente eles tentam esconder a verdade ao mesmo tempo em que procuram por ela, para descobrir o que deu errado. O problema é que o “errado” só aconteceria em julho de 2009. E foi Harry quem descobriu a causa, sendo afastado em seguida. Mas ele conseguiu finalmente entrar no laboratório e tranca-lo. Ali, recriou o fenômeno e provavelmente foi o que causou a duplicação de Lucas e seu teletransporte.
Então aparição de Lucas talvez não tenha sido exatamente proposital.
Detesto quando decido algo e escrevo algo controverso logo em seguida.
Corrijo isto depois. O novo caminho parece bom.
Harry foi descoberto e do lado de fora do laboratório está um verdadeiro exercito tentando entrar para pegá-lo.
Harry diz que precisa tirara Lucas de lá antes que eles entrem e que, assim que entrarem, ele Harry será preso. Lucas precisa ajuda-lo a derrubar o Laboratório.
Lucas pergunta como fará isso. Tenho algumas idéias na cabeça, mas parar para pensar nisso agora vai quebrar o ritmo. Solução fácil: arranjar um gancho e empurrar a resposta para mais tarde.
Harry entrega uma chave e um pen-drive para Lucas, informando para o garoto do passado que aquilo era um disquete de computador sofisticado e conta que ali havia uma série de documentos e instruções que o guiariam, mas estavam em inglês (não vou facilitar tanto assim para Lucas), e que a chave era de um malote de aeroporto onde havia uma mochila com dinheiro e outras coisas que poderiam ajuda-lo, inclusive vários endereços (sinto que vários endereços e pessoas serão importantes para a trama).
Lucas pergunta como eles vão sair dali. Harry responde que precisará ficar para apagar todos os dados da operação e tentar impedir que eles descubram para onde Lucas foi. “Mas você será preso”, Lucas reclama, e Harry diz que não faz diferença porque ele só ficará preso a partir de agora, Lucas deve encontrá-lo antes disso. “Me conte tudo, tudo o que sabe. Eu vou acreditar em você”.
Lucas não entende o que ele quer dizer e Harry diz que Lucas terá que viajar no tempo-espaço outra vez, sozinho (não vou mesmo facilitar para ele), que é o único modo de sair de lá. Lucas fica indignado. Harry diz que Lucas ficará bem, que o pen-drive e a chave são tudo o que ele precisa para começar.
Lucas tenta discutir a opção. Harry conta que tem um problema cardíaco e que a viagem pode matá-lo. Lucas percebe que não tem opção, se ficasse, também seria preso e provavelmente enfiado em algum tubo de ensaio.
Lucas pergunta para onde vai. Harry diz Holanda, onde estava a mochila. Quando? Harry conta que o laboratório certamente descobrirá que uma pessoa foi transportada na máquina e que procurariam por ela. Por isso Lucas tinha que ir para o passado, onde seria mais fácil se esconder, e quando Harry ainda não estaria preso. Lucas deveria viajar para uma data intermediária entre os dias 13 de dezembro de 1996 e 2009, mas que muito no passado seria inútil, então alguns meses era o bastante.
Quando?, Lucas repete. Março de 2009. Tempo o bastante para Lucas se recuperar fisicamente do acidente e procurar por Harry.
Harry então manda Lucas para o passado.
Lucas foi tirado do dia 13 de dezembro de 1996 para aparecer nesta data em 2009 e ser mandado para 13 de março, nove meses antes. Tudo isso envelhecendo apenas 23 minutos.
Cerca de 80% dessas informações em forma de parágrafo surgiram num período de 4 horas. E foram afinadas e lapidadas em mais umas 2 horas de trabalho.
Como pode ser visto, muitos elementos foram acrescentados à trama (Harry, o pen-drive, a mochila, Lucas sozinho na cidade onde sabemos que Olivier vive), mas nada explica como Lucas fala francês tão bem (e o texto principal mostra que ele fala e não gosto da idéia de mudar isso) ou mesmo por que marcou um encontro com si mesmo, ou perdeu a memória ou estava naquele quarto.
Estes pequenos detalhes serão desenvolvidos no próximo e ultimo post desta primeira fase da primeira edição do Projeto Aquário.
Depois disso, começo a pisar em terreno novo.
Tenho muitas notas e anotações com o que imagino para esta história, mas nenhuma delas esta definida. Cheguei a um ponto especifico da historia e estou levando-os até ele.
Depois disso, estaremos juntos no mundo desconhecido das idéias e infinitas possibilidades do imaginário. Este magnífico mundo da Criação.