Arquivo para Março, 2009

ourTunes #18

26 26UTC Março 26UTC 2009

É justo dizer que boa parte do sucesso de Damien Rice pode ser creditado a seus companheiros de palco, especialmente sua acompanhante vocal: Lisa Hannigan. Por questões que não vem ao caso, o casal rompeu a parceria e ambos seguiram com suas carreiras. Muito bem, por sinal.

Lisa Hannigan é maravilhosa. Sua versão para The Man I Love chega a dar arrepios quentes, mas esta doce Lille é sem dúvidas seu carro-chefe musical.

A título de comparação, publico aqui duas versões da música: o vídeo oficial e uma belíssima performance ao vivo.

ele foi para o mar por um dia
ele queria saber o que dizer
quando se perguntasse o que ele havia feito
no passado para alguém
que ele ama infinitamente
agora ela se foi, e ele também

eu fui para a guerra todas as manhãs
eu perdi meu caminho mas agora estou seguindo
o que você disse em meus braços
o que li no pingente
que eu amo duradouramente
agora está acabado, se foi e eu estou livre

eu ia dormir pela manhã
fechava meus olhos para a luz do sol
virava minha cabeça para longe do barulho
dolorida e gotejante decadência de brinquedos infantis
que eu amo discutivelmente
toda nosso trabalho virou semente

nós saímos para brincar ao anoitecer
nós queríamos nos agarrar aquela emoção
e nos estirar ao sol
e nossa falta de ar enquanto corríamos
para a praia, infinitamente
enquanto o sol se espalhava pelo mar

A promessa…

25 25UTC Março 25UTC 2009

A emissora americana ABC, que atualmente exibe a 5ª temporada de Lost, já tem uma carta na manga para continuar no topo quando sua queridinha (Lost, claro) terminar – o que vai acontecer em maio de 2010. Bem interessante é o nome da série, que faz referência a uma das mais impressionantes reviravoltas na narrativa da série da ilha: Flash Forward.

E se o segredo do sucesso for uma premissa simples desenvolvida de forma extremamente complexa, FF será verdadeiramente um sucesso.

A série é escrita por David S. Goyer – o roteirista por trás de Batman BeginsBlade 2, e que elaborou o argumento de The Dark Night, mas que também é responsável pelos crimes Blade Trinity e Jumper - e por Brannon Braga, um dos roteiristas de 24 horas. E a sinopse é a seguinte:

De repente, o mundo sofre um colapso. Todos os seres humanos simplesmente desmaiam, “apagam”, por exatamente dois minutos e dezessete segundos. Porém, neste período, eles não exatamente perdem a consciência, mas sim vivem um impressionante flash forward, vivenciando estes poucos minutos no futuro, exatamente as 20h do dia 20 de abril de 2010 – cinco meses após o colapso.

Porém, milhões de pessoas não sobrevivem ao acontecimento: aviões caem, carros batem, pessoas são atropeladas, caem de alturas ou se afogam. E os que sobreviveram agora precisam entender o que aconteceu com o mundo e por que todos viram exatamente o mesmo instante no futuro.

As gravações de Flash Forward começaram em 21 de fevereiro, em Los Angeles, e a série conta com rostos já conhecidos do grande público, como Sonya Walger, a Penny Widmore de Lost, Miranda Richardson (Paris, Te amo; Harry Potter e o Cálice de Fogo) e Jack Davenport, da trilogia Piratas do Caribe.

FF promete estreiar em maio de 2009, após a exibição da 5ª temporada de Lost.

Mães…

24 24UTC Março 24UTC 2009

Neste último final de semana, por um motivo qualquer, minha irmã saiu da casa dela no meio da tarde e, às onze da noite, não tinha retornado. Ela saiu de carro, com meu sobrinho, e deixou – ou esqueceu – o celular em casa. Ou seja, estava incomunicável.

Preocupada, minha mãe saiu para a rua. Como se ficar parada em frente ao prédio pudesse atrair minha irmã para nossa casa.

Minutos depois, eu, na cozinha, ouvi a porta da frente abrir e minha mãe entrar chorando alto. Meu peito quase explodiu para deixar meu coração sair e derrubei um copo com leite dentro da pia – ele não quebrou – e corri para a sala esperando ouvir o pior.

“Aaahh!” ela gritava contidamente nervosa, se controlando para não fazer escândalo. “Uma barata voou para o meu cabelo… Aaahh!”.

Minha irmã apareceu poucos minutos depois. Foi com o bebê no hospital, por causa de uma virose – e ter demorado tanto mostra que não foi uma visita à toa. O bebê já está melhor. Mas minha mãe esquece que eu tenho um coração fraco. Mesmo que nada ruim tenha acontecido com minha irmã e meu sobrinho, eu agora poderia estar morto ou, pelo menos, internado por causa de um ataque cardíaco aos vinte e dois anos! Um absurdo!

Mães… Só elas conseguem fazer uma coisa dessas.

Palavrão #5

23 23UTC Março 23UTC 2009

A série As Crônicas de Nárnia parece ter um padrão. Tirando o primeiro e estúpido livro, ela apresentou O Leão…, O Cavalo e seu Menino, Príncipe Caspian e A Viagem do Peregrino da Alvorada. Respectivamente: ruim, bom, péssimo, ótimo.

Se realmente houver um padrão, significa que eu ainda tenho que enfrentar uma história terrível (a próxima) e uma história excelente (a seguinte e última!), e pensar nisso não é nada empolgante, mesmo que eu esteja a poucos passos de atravessar esta floresta.

Assim, decidi dar uma trégua da série de C.S. Lewis, mas é minha obrigação dizer que o último livro que li, Peregrino da Alvorada, é uma grata surpresa. A narrativa é mais episódica e óbvia do que nunca, mas ao menos tem um objetivo  claro desde o início e foge a velha fórmula: crianças aparecem em Nárnia no primeiro capítulo-conhecem as criaturas locais no segundo-descobrem que há um vilão terrível no terceiro-atravessam o país nos próximos doze capítulos-e a história acaba com dois parágrafos narrando a batalha. Além disso, o corajoso e honrado ratão Ripchip está ainda mais presente e divertido neste episódio, e Lewis mantém um ritmo mais sombrio e mais cheio de ação aqui, com momentos de calmaria que servem para alguma coisa na história – mas vale dizer que ele acovarda na tal Ilha dos Pesadelos, que poderia ter rendido momentos horripilantes. Enfim, A Viagem do Peregrino da Alvorada poderia ser muito melhor se não tivesse um passado tão condenável.

E agora… O momento atual. Antes de continuar a leitura das Crônicas, decidi iniciar uma obra mais moderna, mas igualmente controversa: Crepúsculo. E, embora a obra de Stephanie Meyer esteja longe de ser boa, para minha enorme surpresa, a leitura é até que fluida. Meyer está numa linha tênue entre o puro (e adocicado) romance e o suspense, e por mais que estes dois gêneros possam coexistir saudavelmente em certas obras, aqui causam um certo desequilíbrio.

A narração da protagonista incomoda no início – Meyer parece usar a garota para desferir o maior número possível de frases de efeito que conhece -, mas aos poucos fica mais natural. E por mais insultiva, fálica e nóxia que seja a “admiração” (um eufemismo) de Bella pelo “maravilhoso Edward”, revelando uma autora carente e deslumbrada que poderia perfeitamente escrever estes romances semieróticos extremamente açucarados, a ferramenta funciona quando entendemos que aquele charme irresistível de Edward tem um propósito fincado na Evolução – tais características o tornam um predador invencível. Bella, por sua vez, revela uma personalidade forte e madura, e ao mesmo tempo tipicamente adolescente – e assim suscetível. E, se por um lado, ela reage adequadamente aos fenômenos confusos que testemunha quando Edward está por perto, interrogando-o assim que tem a chance, por outro, Meyer falha ao tentar nos fazer acreditar que Bella é capaz de aceitar tão bem as respostas do mistério que o garoto representa. É inacreditável que uma garota tão responsável possa aceitar tão passivamente que o homem por quem está apaixonada seja uma criatura fabulesca. Afinal, apesar da fantasia, a trama parecia estar ambientada num mundo real (o nosso mundo, infinitamente mais cético do que o de cinquenta anos atrás) onde aceitar uma “revelação” dessas é impraticável.

Eu parei pouco depois disso. Apesar de tais absurdos, Crepúsculo tem a decência de oferecer uma narrativa rápida. Mas, a partir de agora, parece que a história vai deixar o tradicional um pouco de lado e se aprofundar no suspense.

Espero que ela não perca as qualidades que a fazem suportável.

Heart enriching…

23 23UTC Março 23UTC 2009

Sarah Kane é uma dramaturga inglesa que chamou a atenção do mundo com suas peças fortes e depressivas, agressivas, opressoras. Ainda muito jovem, teve suas peças compradas e encenadas num importante teatro de Londres e depois ao redor do mundo. Mas, como é prerrogativa dos gênios, seu dom foi sua maldição, e os mesmos sentimentos que ela transformava em palavras e cenas a afundaram na depressão. Num período sobrevivido entre clícinas psiquiátricas, Kane escreveu a peça 4:48, uma de suas obras mais intensas e que fala sobre suicídio – o título seria a hora em que a maioria dos casos acontecem. Esta foi sua última contribuição a 5ª arte: Sarah Kane suicidou-se em 20 de fevereiro de 1999, aos 28 anos.

O curta-metragem abaixo é uma adaptação da peça Crave, seu penúltimo trabalho, e é assinado pela produtora britânica Arri Média, produzido e dirigido por Richard Jakes e Michael Tamman. Os casal que divide a cena em recortes e frases é interpretado por Christofer Duniop e Fiona Peance.

Este curta-metragem é um dos mais belos filmes e poema e já vi, comparável talvez aos maravilhosos Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, Apenas Uma Vez… Alguns dos filmes mais tristes e românticos que já tive a felicidade de presenciar.

Reflexões de um Horizonte representa, sem dúvidas, os mais bem aproveitados seis minutos dos últimos tempos. Está no áudio original, com legendas em inglês. Abaixo do vídeo, está minha tradução livre para o português.

e eu quero brincar de esconde-esconde

e te dar minhas roupas

te dizer que eu amo seus sapatos

e sentar nos degraus enquanto você toma banho

e massagear sua nuca

e beijar o seu rosto

e segurar sua mão

e dar um passeio

não me importar quando você comer minha comida

e te encontrar no bar

e falar sobre o seu dia

falar sobre o seu dia

e rir da sua

sua paranóia!

e te dar fitas que você não ouve

assistir grandes filmes

assistir filmes terríveis

e te falar sobre o programa de tv que eu vi ontem a noite

e não rir das suas piadas

querer você de manhã

mas te deixar dormir mais um pouco

te dizer o quanto eu amo

seus olhos

seus lábios

sua nuca

seus peitos

seu tipo esperto

e sentar na escada fumando até seus vizinhos chegarem

e sentar na escada fumando até você chegar

e ficar preocupado quando você chegar

tarde

e ficar feliz quando você chegar cedo

e te dar girassóis

e ir para sua festa e dançar

me desculpar quando eu estiver errado

e feliz quando você me perdoar

olhar suas fotos

desejar que eu te conhecesse eternamente

ouvir sua voz

no meu ouvido

sentir sua pele

na minha pele

e ter medo quando você estiver com raiva

e te dizer que você é gostosa

e te abraçar quando você estiver ansioso

e te segurar quando você se machucar

e te querer quando eu te cheirar

e te irritar quando eu te tocar

e lamentar

quando eu estiver perto de você

e lamentar quando eu não estiver

babar no seu peito

sufocar você à noite

e ficar com frio quando você tomar o cobertor

e com calor quando você não tomar

e me derreter ao seu sorriso

e me dissolver quando você rir

mas não entender como você pode achar que eu te rejeito

quando eu não estou rejeitando você

e imaginar

como você poderia sequer pensar que eu te rejeitaria

e imaginar quem você é

mas te aceitar de qualquer jeito

e te falar sobre o anjo de natal

o garoto da floresta encantada

que voou através do oceano

porque ele amou você

e te comprar presentes que você não quer

e levá-los embora de novo

e te pedir para casar comigo

e você dizer “não” de novo

mas continuo pedindo porque embora

você pense que eu não quero

eu sempre quis desde a primeira vez que eu pedi

eu ando pela cidade, pensando

mas ela é vazia sem você

mas eu quero o que você quer

e acho

que estou me perdendo

mas

mas

mas

eu vou te contar o pior de mim

e tentar

te dar o melhor de mim

porque

você não merece nada menos

responder suas perguntas quando eu preferir não responder

e te contar a verdade

quando eu realmente não quero

e tentar ser honesta

porque eu sei que você prefere isto

e pensar que tudo acabou mas

esperar por apenas mais dez minutos

antes que você me jogue para fora da sua vida

esqueça quem eu sou

e me deixar tentar e chegar mais perto de você

e de algum jeito

algum jeito

de algum jeito comunicar algo devastador

eterno

dominante

incondicional

cercado

enriquecedor

esclarecedor

avançado

interminável

amor

eu sinto por você

ourTunes #17

19 19UTC Março 19UTC 2009

Uma música muitíssimo romântica para mexer com os desejos e os sentimentos… A letra é tão fantásica que, mesmo música brasileira, merece espaço.

eu sei,
ela tem uma queda por mim
pelo menos eu acho que sim
mas eu finjo e nem digo

porque
ela já tem um namorado legal
descolado, tranquilo e astral
que é até meu amigo

sim,
ela sabe, eu também tenho alguém
a quem chamo feliz de meu bem
que está sempre comigo

não,
eu não vou bagunçar minha paz
nem a dela e a do seu rapaz
mas viver é um perigo

afinal,
somos ambos casados
amamos nossos namorados
isso não dá pra mentir

afinal,
nós não somos sacanas
somos gente bacana
somos seres do bem

ah mas que eu queria, eu queria
só um pouquinho, eu queria
assim, só pra ver, eu queria
mas vamos deixar pra lá
vamos deixar pra lá

e então,
quando às vezes a gente se vê
eu disfarço meu louco querer
e ela finge que nem imagina

Palavrão #4

17 17UTC Março 17UTC 2009

Em um dos episódios do livro de J.K. Rowling, o agradável Os Contos de Beedle, o Bardo, as “anotações” de Alvo Dumbledore falam sobre uma certa autora chamada Beatrix Bloxam, uma mulherzinha enjoativa que, preocupada com a influência dos contos de Beedle, publicava suas próprias versões “melhoradas”, culminando em trechos como:

“Então a panelinha dourada dançou de prazer – tim tirim tim – batendo seus pezinhos rosados! (…) A panelinha ficou tão feliz que se encheu de docinhos (…) ‘Mas não se esqueça de escovar seus dentinhos!’, gritou a panelinha…”

Hoje, terminei de ler o quarto livro da série As Crônicas de Nárnia, o episódio Príncipe Cáspian. Bom, a sensação que tenho é que Alvo Dumbledore está para J.K Rowling assim como Beatriz Bloxan está para C.S. Lewis.

Preparem as espadas, me condenem. Mas o texto de C.S. Lewis consegue ser tão insuportável quanto um único parágrafo escrito pela imaginária Bloxam. Não consigo entender como esta série de livros sobreviveu tanto tempo a ponto de se tornar um clássico literário.

Queda livre

17 17UTC Março 17UTC 2009

Pela primeira vez, um episódio Effy-centric foi realmente centrado na garota. Nos dois primeiros episódios, fomos relegados a mera observação, já que tudo acontecia ao redor dela e não com ela.

Aqui, Effy está “oficialmente fora dos trilhos”. Mas, ao que parece, a expressão de filme de ação ficou bem longe da adrenalina esperada e, assim, Effy mergulhou na depressão. Se bem que, para uma série com tema e tom bem definidos como Skins, a seqüência na viagem envolvendo o trio de estranhos e os tiros foi incrivelmente tensa; uma proeza já que sabemos que nada  “terrível” vai acontecer com eles.

Isto, porém, não diminui as tragédias particulares destes adolescentes, que escavaram abismos para se jogarem de cabeça neles. Assim, temos uma outrora super-ingênua Panda guardando segredos sexuais, uma mimada Katie tentando ser o centro das atenções de um novo grupo e Effy, a mais intrigante, forte e misteriosa personagem da história da série, que perdeu tudo, o desejo, o sentimento, o controle, o autocontrole e, por que não dizer, o poder.

Ao abrir as feridas da garota e expor algumas de suas camadas mais profundas, Skins provocou um inevitável enfraquecimento de Effy como personagem já que, agora, a única coisa que nos atrai na garota é ela estar “fora dos trilhos” e, mais do que isso, correndo rumo a autodestruição.

Por outro lado, porém, tais mudanças tão radicais na vida e também nos sentimentos de Effy (de quase estóica às lágrimas) trazem a tona o tão esperado arco dramático da temporada, o que dá uma cor especial a garota e a faz crescer, como personagem.

O que só reforça que Effy é uma das personagens mais complexas que Skins já concebeu, afinal, quem mais nesta história foi capaz de abrir mão de suas forças e justamente por isso ficar mais forte?

No geral, este foi um bom episódio. Mas por se concentrar demais nos conflitos de Effy e deixar de lado as subtramas de seus amigos, deixou de lado também a excelente dinâmica entre os outros personagens. E como já disse mais de uma vez aqui, Skins é sempre Skins quando conta pelo menos um pouco a história de todos.

UP: Há um segundo arco dramático ficando mais evidente em Skins: Cook, que continua tão insuportável quanto foi no início, mas agora precisa lidar cada vez mais com as consequências do seu estilo de vida. Melhor do que ninguém, Cook compreende que aos poucos foi perdendo tudo, e que suas escolhas foram todas erradas. E agora que não tem mais Freddie para controlá-lo, sabe que está a solta, em queda livre, e a única coisa que pode fazer é se agarrar a quem estiver mais perto.

Justiça seja feita: Effy sempre apreciou seu modo de não se importar com nada.

4-estrela6

ourTunes #16

16 16UTC Março 16UTC 2009

Provavelmente a melhor música-léo-freitas que ouvi em 2008. E, acreditem, isto é muita coisa.

Infelizmente esta versão “ao vivo no estúdio” não é tão fascinante quanto a original gravada para o álbum. Mas ainda vale muito, muito a pena.

você pode se cansar de mim
enquanto nosso sol de dezembro se põe
porque eu não sou quem eu costumava ser

não é mais tão fácil para os olhos
mas estas rugas dominadoras disfarçam
o jovem garoto por baixo de quem se virou e viu
algo que ele nao procurava
tanto um começo quanto um fim

mas agora ele vive dentro de alguém que ele não reconhece
quando ele encontra seu reflexo por acidente

na garupa de uma moto
com os braços estendidos
tentando alçar voo
deixando tudo para trás

mesmo na maior velocidade
não poderíamos nos separar do concreto
da cidade onde ainda vivemos
e eu aqui eu aprendi que mesmo os
amantes da terra
anseiam pelo mar como marinheiros

agora nós dizemos boa noite
cada um do seu próprio lado
como irmãos numa cama de hotel
como irmãos numa cama de hotel
como irmãos numa cama de hotel
como irmãos numa cama de hotel

você pode se cansar de mim
quando nosso sol de dezembro de pôr
porque eu não sou mais quem eu costumava ser

ourTunes #15

13 13UTC Março 13UTC 2009

Há dois meses, numa dessas viagens rápidas de final de semana com os amigos, ouvi esta música pela primeira vez. Foi paixão a primeira vista e, pra mim, a grande marca daquele encontro.

Sou fâ. Dos meus amigos. E dessa música:

Publicidade também é arte?

12 12UTC Março 12UTC 2009

Dizem que Publicidade não é arte, é Comércio.

Eu sou escritor, com projetos assumidamente artísticos voltados para as 6ª e 7ª artes. Hoje, porém, atuando na Publicidade, eu não poderia discordar mais da injusta afirmação acima.

Claro, há empresas e profissionais com suas campanhas sem a menor inclinação artística, mas esta generalização perde a credibilidade imediatamente quando nos deparamos com o trabalho de certas agências e criativos.

Alguns meses atrás publiquei 2 posts destacando comerciais fantásticos que eu tinha visto ou revisto na época (Grandes comerciais e +), e mais tarde cheguei a comentar sobre os fantásticos vídeos comerciais da IBM, que são simplesmente os melhores da categoria negócios.

Numa época em que best-sellers e campeões de bilheteria são títulos como O Doce Veneno do Escorpião (um ótimo título desperdiçado num blogue pornô impresso) e Se Eu Fosse Você (para focar em exemplos nacionais), temos a estupenda e divertidissima campanha publicitária da Oi, que deu um banho de criatividade em sua chegada a São Paulo, e até mesmo eventos institucionais marcantes como a festa de final de ano do Grupo Caixa Seguros, ou a mais recente convenção de vendas da Coca-Cola Femsa, eventos desenvolvidos e executados com conceitos artísticos e alcance dramático que estas obras “tecnicamente artisticas” mencionadas são incapazes de oferecer.

Mas as grandes estrelas do mundo publicitário são sem dúvidas os vídeos comerciais. Pequenos vídeos com pequenas histórias que muitas vezes guardam mais significados e complexidade  do que longos longas-metragens e grossos livros lançados pontualmente no mercado artístico.

Nada disso, porém, esconde a verdadeira intenção final da Publicidade: gerar receita. E é justamente isto o que torna esta nova arte uma arte verdadeiramente digna.

Enquanto autores, cineastas e outros artistas fingem fazer arte quando na verdade buscam um desmerecido sucesso e dinheiro, nada impede a Publicidade de seguir os rastros do capital e ao mesmo tempo oferecer obras que influenciam e ensinam a mente, o coração e alma das pessoas.

Quantos artistas podem dizer que alcançaram este triunfo?

Palavrão #3

11 11UTC Março 11UTC 2009

Depois de um fevereiro inteiro sem ler qualquer livro, semana passada comecei a ler a série As Crônicas de Nárnia.

Já conclui O Sobrinho do Mago e O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa.

O primeiro é extremamente infantil, como era de se esperar, e sem um único parágrafo de tensão – especialmente porque o próprio texto se sabota, já que à qualquer sutil expectativa de problema sério, Lewis acalma os muito jovens leitores com frases como “fulano de tal chegaria a rir disso anos mais tarde, em sua saudável e feliz velhice“. E se animais falantes são uma prerrogativa das histórias infantis, a primeira aparição de Aslam chega a ser absurda até mesmo em seu próprio universo fantasioso (o que explica por que uma legião de fãs defende a ordem dos livros de acordo com suas publicações, permitindo considerar aque  apresentação de Aslan acontece em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa.) O único momento não ruim do livro é aquele em que o sobrinho do título ajuda sua mãe a recuperar a saúde, trecho este que quase consegue ser tocante. Quase.

E então encarei o livro que deu origem ao péssimo filme de Andrew Adamson. E compreendi que praticamente todos os defeitos do longa são culpa do material original que, por sua vez, e enjoativamente meloso. O que torna o sucesso e longevidade da série incompreensíveis.

ísto é, até o (até agora) excelente O Cavalo e seu Menino.

Mergulhado num tom muito mais sério e infinitamente mais tenso do que os dois primeiros livros, este terceiro volume se beneficia da agressividade de um povo miserável e da aventura de personagens que foram tomados de suas famílias ainda muito jovens e viveram anos de sofrimento desconhecendo sua verdadeira e nobre origem. Mas por mais que haja convenções, como quem é bom é muito bom e quem é mau é muito mau, até mesmo um dos mais básicos é conduzido de forma elegante, como o caso da menina que não simpatiza muito com o menino (e já sabemos que serão grandes amigos ou amantes no final): ela tem razões reais para ser, na verdade, cautelosa com ele, o que não a impede de tomar atitudes nobres como não deixar um companheiro para trás ou, mais nobre ainda, deixá-lo seguir em frente. E o próprio menino (o menino do título), embora criado miseravelmente e sem qualquer valor, tem sua própria nobreza de caráter, o que talvez remeta ao seu sangue real (revelação que certamente só acontecerá no final do livro, claro).

Estou feliz com a drástica mudança narrativa na saga de C.S. Lewis (embora ele não resista a mania de acalmar os leitores com frases revelando o futuro seguro dos personagens). E já sabendo que o filme Príncipe Caspian é muitísimo superior ao seu antecessor, imagino que a qualidade dessa série literária irá apenas aumentar no decorrer das páginas e volumes.

Forte esperança.

UP (12/03): Revi ontem a noite alguns trechos do primeiro filme da série e percebi, surpreso, que o longa-metragem consegue ser muito melhor do que o livro.

No futuro…

9 09UTC Março 09UTC 2009

Achilles de Leo

apresenta

hora-de-voltar

distancia

Cada dor ou alegria, são cinco.

magnolia-branco

Em breve…

9 09UTC Março 09UTC 2009

Núcleo Indie Finito

apresenta

2e39ahg

você não vive só uma vez…

Aquário – He – Parte 4

9 09UTC Março 09UTC 2009

A pergunta ao final da ultima publicação foi:

“Como Lucas, que já sabemos ter acordado normalmente na manhã de 1º de dezembro de 1996, voltou um dia no tempo e acabou acordando treze anos no futuro?”.

Esta questão é, provavelmente, a cerne do mistério de História extraordinária, o tipo de pergunta que qualquer roteirista deixaria para revelar em algum momento próximo ao final da historia. Mas não acho que o caso em questão valha tanto assim.

De qualquer forma, quando decidi deixar a dissertação um pouco de lado para trabalhar nos detalhes da trama (veja Parte 2), deixei de lado também a estrutura narrativa. É claro que certos elementos vêm a mente com um lugar a mesa já determinado, mas a maioria não. A respeito das duas subtramas apresentadas nesta publicação e na anterior, ainda não decidi como serão apresentadas e desenvolvidas na narrativa – embora eu esteja inclinado a contá-las paralelamente. Isto será definido quando eu voltar ao texto propriamente dito.

Então, vamos aos fatos:

Viagem no tempo, provavelmente no tempo-espaço? Já sabemos que, até certo nível, a realidade de He nos remete diretamente a ficção-científica. Assim, optei por não fugir dessa idéia e, mais ainda, assumir definitivamente o tema. E o mistério envolvendo o jovem Lucas, aquele que simplesmente acordou no hotel, explica-se numa trama ligeiramente complexa e totalmente mergulhada na mais pura ficção-científica.

O acidente com o Transatlântico, na tarde de 13 de dezembro de 1996, causou dezenas de vítimas. Uma boa parte, fatais. Camila, irmã de Lucas, é um dos mortos. Já Lucas, fez muito mais do que sobreviver, perder a memória e ganhar a identidade de Olivier, ele foi simplesmente… dividido.

Um experimento cientifico (LHC também inspira) realizado por um grande Laboratório (droga, lá vem a famigerada Companhia-Dharma-Dynamics) está acontecendo abaixo do nível do mar, nas proximidades da ilha (curiosamente não há influencia de Lost aqui). Um pequeno erro de programação causou uma reação em cadeia que culminou naquele terrível acidente. Lucas estava em um ponto específico da superfície da ilha e foi afetado drasticamente pelo fenômeno. Ali, seu corpo foi dividido em dois. Um deles caiu inconsciente (aquele que viria a se tornar Olivier) e o outro, assustado em ver a si mesmo (achando que morrera e se tornara um espírito), tentou correr e foi atingido por outro fenômeno do acidente.

E desapareceu no ar.

Reaparecendo imediatamente numa espécie de aquário (já deu pra ver que adoro aquários), o campo de testes do Laboratório envolvido no experimento científico. Lucas de repente se vê caído num chão molhado e um homem correndo em sua direção, falando em inglês. Lucas desmaia.

O homem é um cientista, (nome…) Harry, e o reanima com uma injeção. Lucas acorda num fôlego e pergunta em português o que aconteceu. Harry continua a conversa na língua do garoto e pergunta o que ele viu na ilha.

Fenômenos interessantes e o que significam? Vamos pensar nos fenômenos primeiro.

Lucas fala sobre uma grande onda, e que tinha muito barulho, gritos, luzes, frio, um cheiro forte, e que faltava ar. Lucas diz que tinha visto a si mesmo caído no chão.

O que está acontecendo? Como Lucas foi parar lá?

Há duas opções: por mero acidente ou ele foi levado para lá.

Eu gosto mais da parte intencional. Mas pensarei nos detalhes depois. Por enquanto, o fato de Lucas ter sido tirado da ilha e levado para aquele aquário parece ser algo urgente. Então, algo urgente está acontecendo. Vamos pôr um pouco de ação nisso.

Um barulho de explosão estremece o laboratório. Lucas pergunta o que está havendo e Harry diz que eles não têm muito tempo para explicações precisas (afinal, eu preciso pensar nelas), que eles estão sob ataque.

Mas por que Harry estava fazendo aquilo, basicamente?

Ele explica rapidamente que o acidente na ilha foi causado por aquele laboratório onde estavam, e que alguns meses atrás ele mesmo tinha descoberto isto, mas fora afastado dali. Lucas reage ao “alguns meses” e fica ainda mais chocado quando descobre que se passaram exatos treze anos desde o acidente.

Harry conta que o laboratório vem trabalhando num experimento “quase ilegal” há quinze anos e que desde o acidente eles tentam esconder a verdade ao mesmo tempo em que procuram por ela, para descobrir o que deu errado. O problema é que o “errado” só aconteceria em julho de 2009. E foi Harry quem descobriu a causa, sendo afastado em seguida. Mas ele conseguiu finalmente entrar no laboratório e tranca-lo. Ali, recriou o fenômeno e provavelmente foi o que causou a duplicação de Lucas e seu teletransporte.

Então aparição de Lucas talvez não tenha sido exatamente proposital.

Detesto quando decido algo e escrevo algo controverso logo em seguida.

Corrijo isto depois. O novo caminho parece bom.

Harry foi descoberto e do lado de fora do laboratório está um verdadeiro exercito tentando entrar para pegá-lo.

Harry diz que precisa tirara Lucas de lá antes que eles entrem e que, assim que entrarem, ele Harry será preso. Lucas precisa ajuda-lo a derrubar o Laboratório.

Lucas pergunta como fará isso. Tenho algumas idéias na cabeça, mas parar para pensar nisso agora vai quebrar o ritmo. Solução fácil: arranjar um gancho e empurrar a resposta para mais tarde.

Harry entrega uma chave e um pen-drive para Lucas, informando para o garoto do passado que aquilo era um disquete de computador sofisticado e conta que ali havia uma série de documentos e instruções que o guiariam, mas estavam em inglês (não vou facilitar tanto assim para Lucas), e que a chave era de um malote de aeroporto onde havia uma mochila com dinheiro e outras coisas que poderiam ajuda-lo, inclusive vários endereços (sinto que vários endereços e pessoas serão importantes para a trama).

Lucas pergunta como eles vão sair dali. Harry responde que precisará ficar para apagar todos os dados da operação e tentar impedir que eles descubram para onde Lucas foi. “Mas você será preso”, Lucas reclama, e Harry diz que não faz diferença porque ele só ficará preso a partir de agora, Lucas deve encontrá-lo antes disso. “Me conte tudo, tudo o que sabe. Eu vou acreditar em você”.

Lucas não entende o que ele quer dizer e Harry diz que Lucas terá que viajar no tempo-espaço outra vez, sozinho (não vou mesmo facilitar para ele), que é o único modo de sair de lá. Lucas fica indignado. Harry diz que Lucas ficará bem, que o pen-drive e a chave são tudo o que ele precisa para começar.

Lucas tenta discutir a opção. Harry conta que tem um problema cardíaco e que a viagem pode matá-lo. Lucas percebe que não tem opção, se ficasse, também seria preso e provavelmente enfiado em algum tubo de ensaio.

Lucas pergunta para onde vai. Harry diz Holanda, onde estava a mochila. Quando? Harry conta que o laboratório certamente descobrirá que uma pessoa foi transportada na máquina e que procurariam por ela. Por isso Lucas tinha que ir para o passado, onde seria mais fácil se esconder, e quando Harry ainda não estaria preso. Lucas deveria viajar para uma data intermediária entre os dias 13 de dezembro de 1996 e 2009, mas que muito no passado seria inútil, então alguns meses era o bastante.

Quando?, Lucas repete. Março de 2009. Tempo o bastante para Lucas se recuperar fisicamente do acidente e procurar por Harry.

Harry então manda Lucas para o passado.

Lucas foi tirado do dia 13 de dezembro de 1996 para aparecer nesta data em 2009 e ser mandado para 13 de março, nove meses antes. Tudo isso envelhecendo apenas 23 minutos.

Cerca de 80% dessas informações em forma de parágrafo surgiram num período de 4 horas. E foram afinadas e lapidadas em mais umas 2 horas de trabalho.

Como pode ser visto, muitos elementos foram acrescentados à trama (Harry, o pen-drive, a mochila, Lucas sozinho na cidade onde sabemos que Olivier vive), mas nada explica como Lucas fala francês tão bem (e o texto principal mostra que ele fala e não gosto da idéia de mudar isso) ou mesmo por que marcou um encontro com si mesmo, ou perdeu a memória ou estava naquele quarto.

Estes pequenos detalhes serão desenvolvidos no próximo e ultimo post desta primeira fase da primeira edição do Projeto Aquário.

Depois disso, começo a pisar em terreno novo.

Tenho muitas notas e anotações com o que imagino para esta história, mas nenhuma delas esta definida. Cheguei a um ponto especifico da historia e estou levando-os até ele.

Depois disso, estaremos juntos no mundo desconhecido das idéias e infinitas possibilidades do imaginário. Este magnífico mundo da Criação.