Reviravolta

15 15UTC Abril 15UTC 2009

De tempos em tempos, eu volto a perceber que escrever minha saga de ficção científica, Pela Humanidade, é um desafio realmente grande. Há anos (dez na verdade, esta foi uma das primeiras histórias que escrevi) venho trabalhando no primeiro livro e, paralelamente, no argumento geral de toda a série – que será de cinco volumes. Não acredito que os próximos volumes exigirão tanto tempo de dedicação, já que quando o primeiro livro estiver terminado, é porque o argumento da série como um todo já estará suficientemente forte e coeso para continuar fluidamente.

Humanos (uma apelido íntimo entre nós ;) ) é uma série longa e complexa, o que por si só já torna o trabalho dífícil. Somando-se a isto o fato de eu ser irritantemente detalhista (e obviamente falho, o que me deixa ainda mais irritado) faz com que eu mude elementos, formatos, caminhos, personagens, subtramas numa velocidade e numa frequência que enfartariam qualquer editor com prazo apertado. Como já comentei recentemente aqui no blog, por exemplo, depois de anos trabalhando o primeiro livro em primeira pessoa, percebi que escrever em terceira pessoa torna a história mais ampla e a narrativa mais eficaz, e por isso decidi alterar TODO o livro de acordo com o novo formato. Mas, claro, isto não significa que estou decidido, já que sempre gostei da idéia de escrever o primeiro livro em 1ª e os restasntes em 3ª.

E simplesmente hoje, fiz uma verdadeira descoberta. Uma determinada personagem que o protagonista encontra no “terceiro ato” da história… Ela simplesmente… não existe. Exatamente! Ela não existe! Fui eu que a inventei!

Piadas ineficazes à parte, isto é sim um pouco de verdade. Meu protagonista, Josh, tem um caminho específico para seguir neste terceiro ato e, para isto, eu precisava da interferência de alguém. Então decidi criar esta personagem. Mas eu nunca gostei dela. Nunca simpatizei. Da primeira à última linha onde ela é citada, eu sabia que habvia algo errado com aquela pessoa. Mas não conseguia entender, encontrar o problema…

Por outro lado, logo no início do livro, eu apresento uma personagem adolescente propositadamente caricata. E, por mais que meu personagem a deteste, a cada palavra sobre ela eu fico mais encantado. Eu já tinha planejado trazê-la de volta no futuro da série, quando certos acontecimentos deixam a trama mais sombria, mas sem grandes pretensões. Agora, porém, descobri que ela é de suma importância já neste primeiro volume da saga.

Neste terceiro ato, sai aquela mulher horrorosa que surgiu na minha cabeça e entra esta formidável garota que, certamente, vai mexer com os marmanjos – mas não tanto quanto a já “clássica” Denise.

E o mais interessante nesta “decisão”? Ela muda parte dos acontecimentos do terceiro ato que me desagradavam e, de brinde, traz a desculpa perfeita para nada menos do que duas sequências de ação que estão me deixando quente de excitação – quem escreve, sabe: escrever uma cena pode ser mais intenso do que viver a mesma situação na vida real. E ainda posso dizer que são duas sequências realmente intensas e dramáticas.

Ah! como é bom voltar a “transpirar”… Não vejo a hora de poder sentar quieto e voltar a trabalhar efetivamente neste texto. Que maravilha saber que isto não vai demorar… :D

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