(Atenção, o texto abaixo revela informações importantes e reviravoltas na trama do filme.)
Embora seja repleto de clichês e equívocos e quase exageradamente carregado de simbolismos Cristãos, Presságio consegue se equilibrar com firmeza entre os gêneros suspense, ação, catástrofe e ficção científica, sem jamais ultrapassar os limites aceitáveis para cada um.
E, mesmo que definitivamente este não seja um filme religioso, chega a ser muito mais eficiente do que os fracos exemplares da trilogia Deixados Para Trás, por exemplo, que se limitam a uma espécie de pregação quase didática, um sermão, ao invés de explorarem o forte tema para desenvolver um drama de suspense que, por si só, sirva como exemplo e mensagem.
Presságio é particularmente eficiente neste sentido, já que pontua a trama com suas referências religiosas, mas permite que elas sejam ligeiramente ofuscadas pela angustiante urgência da narrativa que vai se acumulando entre sinais e acontecimentos. Assim, enquanto nos distraimos com sequências de ação aterrorizantes, nosso insconsciente vai registrando informações que virão à tona posteriormente e, claro, nos farão meditar – não necessariamente no Apocalipse, eu garanto, mas talvez no Significado das coisas, na diferença entre o Destino e o Acaso.
Mas Presságio se destaca mesmo é pela ação. As duas grandes tragédias que marcam os dois primeiros atos impressionam pelos detalhes – a sequência do acidente aéreo, em particular, me deixou tão atônito quanto o protagonista, que reage lentamente ao que testemunha enquanto assiste vítimas em desespero e chamas. Já o acidente no subsolo, poderia perfeitamente ser uma das famosas sequências de abertura da série Premonição, com a mesma qualidade ténica e dramática (dos dois primeiros filmes), mas em escala maior e menos grafica, felizmente – embora, à exceção do protagonista, apresente apenas indivíduos, e não personagens, para o banho de sangue; o que não diminui o impacto da tragédia.
Poderoso e ainda mais urgente em seu terceiro ato, Presságio alcança um desfecho apoteótico e atípico para filmes Hollywoodianos. E justamente no modo como o longa ilustra o Apocalipse é que ele parece encontrar sua grande força, afinal, a opção de destruir o Mundo com uma tragédia Natural e não com Anjos e Trombetas (literalmente) torna o acontecimento mais… verossímil, talvez seja a palavra correta. E, por isso mesmo, extremamente assustador, já que algo assim pode realmente acontecer algum dia e está totalmente fora do controle Humano – diferente do Aquecimento Global, das Guerras e até mesmo de Corpos Celestes perdidos no espaço e que podem ser avistados, talvez, com antecedência.
A dor emocional e o medo são as marcas de Presságio, já que, mesmo com a garantia de “continuação” da raça humana, o fato é que o Mundo foi literalmente e completamente destruído, e este é um Fim que não traz alívio. Aqui, não há protagonistas e sobreviventes para nos identificarmos e sentirmos calma. Aqui, somos meros Humanos. E não somos os Escolhidos.
