(O texto abaixo fala sobre cenas importantes dos filmes da série Premonição e Presságio)
Após ler o comentário de meu amigo Remi no post anterior, comecei a elaborar uma breve resposta com a minha opinião sobre a franquia Premonição e a comparação entre o desastre de Metrô, que acontece no encerramento do último filme, e aquele visto no principal lançamento da semana passada, Presságio. E me surpreendi com um texto bem maior do que esperava… Assim, preferi vir para cá.
É verdade: Premonição 3 também conta com uma sequência de tragédia no Metrô. Mas, a experiência dos primeiros filmes avisou os produtores que eles deveriam investir mais grana na primeira tragédia, já que era ela que direcionava toda a história e blablablá. Assim, essa tal sequência de encerramento é apenas boa, mas nitidamente desinteressante se comparada as tragédias que abrem os filmes – e nem chega a ser impressionante já que, a altura em que acontece, estamos anestesiados com a exposição extravagante de tantas vísceras, miolos e fluidos que o filme oferece.
Mas preciso dizer que, para mim, Premonição 3 é simplesmente um fiasco. Os personagens são todos desinteressantes, alguns atores muito apenas-razoáveis, as mortes são estúpidas (no sentido idiota e não banal) e chocam apenas… pelo choque! e as novas revelações e reviravoltas não acrescentam nada a trama. Sem contar que os efeitos especiais estão muito abaixo do padrão da série.
Mas focando nas aberturas… O acidente na montanha-russa têm dois problemas: é chato e clichê. E pela mesma razão: morrer numa montanha-russa é apenas um medinho infantilóide, um daqueles pesadelos que temos aos oito anos. Enquanto que desastre de avião e acidentes de trânsito são tragédias muito mais impactantes já que as vítimas estão, geralmente, num momento coloquial de suas vidas e não buscando adrenalina como no caso da atração do parque. Dramaticamente falando, morrer num parque de diversões não tem comparação a tragédia que uma queda de avião ou um engavetamento de carros representa – ou mesmo um descarrilamento de trem.
Mas quero deixar claro que não estou menosprezando o sentimento insuportável de perder alguém, independente do modo como aconteça. Especialmente quando todos sabemos que acidentes em parques de diversão realmente acontecem, e a morte neste caso não é “menor” do que a morte de uma pessoa no trânsito, numa piscina, num terremoto, num tiroteio ou num parto. Estou dizendo no ponto de vista dramático, ficcional. E, neste caso, os desastres dos primeiros filmes são muito mais relevantes que o do terceiro.
E assim chegamos a Presságio. Se em Premonição 3, o desastre no Metrô não causa impacto (apenas choque barato), o mesmo não se aplica ao visto nesta produção com Nicholas Cage. Quando acontece, o atmosfera de tradégia já está impregnada no filme, especialmente porque as cenas do desastre de avião não saem da nossa mente. Ou seja, estamos dramaticamente sensíveis ao choque (o oposto do que acontece no gore) e ficamos emocionalmente impressionados com o acidente, o que já seria o bastante. Mas Presságio vai além e ainda realiza uma sequência tecnicamente eficiente, ampla e complexa, infinitamente superior aquela vista em Premonição 3.
Para mim, como comentei vagamente na resenha, o momento só poderia ter sido melhor caso algum personagem que conhecêcemos fosse uma das vítimas – no mínimo, poderia ter sido a mulher com o bebê. Como, por exemplo, acontece em Premonição: antes do acidente, acompanhamos alguns instantes dos personagens, e isto é suficiente para fazê-los mais do que estatística. Já em Presságio… Só os números importam.