Este feriado prolongado foi bem… “interessante”. Mas, entre umas e outras surpresas (vide post anterior e outros comentários no meu Twitter), consegui concluir o primeiro volume da saga Fronteiras do Universo, A Bússola de Ouro.
E o que dizer?
Lyra Belacqua é uma das personagens de literatura-fantasia mais carismáticas que conheci nos últimos tempos. Seu mau humor ácido, sua praticidade e inteligência indiscutíveis, sua coragem e força de espírito… Tudo nela é deliciosamente divertido e inspirador. E é incrível perceber, ao longo da trama, que ela é uma boa garota mesmo sendo filha de um casal tão desgraçado como são seus pais.
Sobre a trama, A Bússola de Ouro é igualmente inspiradora. Uma história aparentemente simples que vai ganhando complexidade com o tempo, nos fazendo vacilar ao lado de Lyra enquanto esta tenta entender qual lado deve apoiar, sem saber que lhe aguarda um inevitável destino amargo (embora a morte de determinado persoangem e o encontro de outros dois tenha sido uma decepção). O livro é particularmente eficiente ao descrever este co-universo de forma tão simples, nos permitindo entender facilmente sua cultura local a respeito dos deamons - o que torna o encontro de Lyra com um garotinho perdido um dos momentos mais impressionantes e trágicos deste primeiro volume.
Em poucos capítulos, foi possível perceber que Phillip Pullman criou uma história sobre crianças, mas não para crianças – embora os jovens sejam seu público alvo. Começarei em breve a ler A Faca Sutil (estou ansiosissimo), mas não creio que a história chegará ao nível perturbador de uma obra como o longametragem O Labirinto do Fauno. O que, é claro, não diminui em nada o poder dessa história magnetizante que A Bússola de Ouro promete para as trilogia As Fonteiras do Universo.
E, neste final de semana também, comecei a ler a biografia do cineasta Helvécio Ratton, escrita por Pablo Villaça, crítico de cinema, editor do site Cinema em Cena e meu futuro professor, o surpreendente O Cinema Além das Montanhas. Conclui hoje de manhã a primeira parte do livro, As Circunstâncias, que narra o encontro de Ratton com a política e a assustadora Ditadura de dois países. Uma primeira parte completamente cinematográfica, com capítulos curtos e desesperadores (já no Prólogo, entramos num clima de tensão angustiante) que culminam num golpe político arrasador – e ler a transcrição da mensagem de determinado líder político, resistindo ao golpe enquanto exerga um trágico desfecho se aproximando rapidamente, foi particularmente tocante.
É claro que Villaça revela-se um excelente escritor nestas linhas até agora impecáveis. Porém, nem o mais competente letrado seria capaz de construir uma narrativa tão formidável se não tivesse em mãos um material a altura. E é isto o que Helvécio Ratton oferece em sua história… Mais do que isso, é História de verdade.


29 29UTC Abril 29UTC 2009 às 12:50
[...] Palavrão #8 [...]
4 04UTC Maio 04UTC 2009 às 11:23
Hummm, não sou de comentar em blogs, mas sou absurdamente apaixonada por Fronteiras do Universo, e você falou sobre a Lyra de um jeito tão… à altura dela! rsrs Ela é maravilhosa, né? *-*
Ai, ai. Você vai ver como a trilogia é fascinante. Também amo Labirinto do Fauno, achei curiosa a sua comparação entre as duas obras, acho que nunca procurei associar Labirinto e Fronteiras. Mas os livros vão ficando cada vez mais perturbadores, você vai ver! Comenta quando terminar de ler os outros, ok?
;*