Antes do Amanhecer (Richard Linklater)

22 22UTC Junho 22UTC 2009

(A resenha abaixo foi escrita para o Curso de Teoria e Linguagem Cinematográfica do Cinema Em Cena, ministrado pelo crítico e cineasta Pablo Villaça. O texto está intocado, ainda sem as correções apontadas pelo professor.)

Com o perdão da palavra, Celine é uma vaca. Mulher culta, inteligente, independente, nitidamente sensível à paixão, mas que faz questão de não parecer romântica. Onde, aliás, falha completamente, e exemplo disso é ela zombar do gesto romântico do rapaz que está conhecendo, embora se convença facilmente pelas palavras de uma charlatã, quando a mulher está claramente usando o método da leitura fria – que, confesso, não sei se era tão conhecido há quinze anos. Ou seja, uma não-romântica crédula? Impossível!

O rapaz? Bom, Jesse é só um moleque americano que atravessou o Atlântico para encontrar a garota que namorava à distancia, mas levou um fora. E então conheceu uma garota francesa atraente, culta, inteligente e, provavelmente, disposta a transar com ele. Perfeito para ele, não? Não. Ele quer – e muito – transar com a garota, mas isto não será o bastante porque ele é um… Romântico chorão que precisa se apaixonar por alguém.

Esta é uma das leituras que podem ser feitas do casal de Antes do Amanhecer, uma versão talvez injusta do casal que, surpreendentemente, considerando os dois parágrafos acima, é responsável por um dos poucos encontros absolutamente românticos que o cinema exibiu nas duas ultimas décadas (provavelmente estou me referindo a Antes do Pôr-do-Sol, mas okay). Isto porque Jesse e Celine, mais do que “personagens” dentro de algum estereótipo (a feminista, o carente), são dois jovens em plena descoberta da própria personalidade e, por isso mesmo, suscetíveis a mudanças, influências, mas tentando mostrar uma imagem de estabilidade que ainda não existe (a mulher questionadora, o homem que percebe a verdade).

Aos poucos, porém, Jesse e Celine vão deixando de lado as questões mais políticas e filosóficas, entrando em um terreno mais pessoal, íntimo, lentamente se abrindo, expondo, um para o outro. Eles não apenas começam a realmente confiar um no outro, mas em si mesmos. E, dessa forma, um acaba enxergando no outro o cúmplice perfeito. E um amante perfeito.

E é aqui que Antes do Amanhecer queria chegar… À verdade. Porque por mais que haja atuação, por mais que haja mentiras, entre dois estranhos há sempre um tipo de verdade que nenhum longo tempo de convivência pode descobrir. Mas uma verdade que tem a curiosa capacidade de desaparecer caso a vida permita que estes dois estranhos fiquem juntos por mais tempo – uma propriedade indispensável, diga-se de passagem. Afinal, quem suportaria viver com alguém que o conhece tão profundamente?

5-estrela1

Uma resposta para “Antes do Amanhecer (Richard Linklater)”

  1. bedcompany Diz:

    Entregar-se ao amor é o pior erro cometido pelas almas gêmeas.
    São tão perfeitos um pro outro q devem viver separados.


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