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Na violenta natureza sobrenatural

31 31UTC Agosto 31UTC 2009

Neste final de semana, tirei o atraso e assisti a quatro filmes que já deveria ter visto há algum tempo.

Crepúsculo
Violência Gratuita
Coraline e o Mundo Secreto
Na Natureza Selvagem

Um ruim, um bom, um ruim e um excelente. Assim, uma média ótima para a sessão.

Crepúsculo basicamente consegue o mesmo resultado do livro. Uma narrativa ligeiramente agradável, uma protagonista carismática e um protagonista… Apenas um pouquinho mais interessante que o original, mas imediatamente sabotado por um Robert Patinson sem graça e com uma beleza plástica artificial e mal aproveitada – qualquer rapaz rico, que se vista bem e tenha um cabelo fashion (!) (a cor é realmente ótima) atrairia mais atenção do que os demais. Agora, por que a a garota se sentiria mais atraida por ele do que pelo carismático Mike Newton ou pelo dócil e familiar Jacob Black, é um mistério – não, não é, os sanguessugas têm o “poder” predatório de atrair sensualmente as pessoas (leia-se: presas).

2-estrela

Mas o tédio (sim, fiquei entediado com Crepúsculo) logo foi substituido pela tensão e os nervos à flor da pele. Violência Gratuita não apenas é um exercício narrativo perturbador (a revira-volta no terceiro ato é um tapa na cara), como também um execício emocional angustiante. Em certo momento do longa, o simples enquadramento do personagem George sentado em uma cadeira ao lado de uma janela fez meu ar desaparecr, já que anos e anos de cinema-óbvio me ensinou a temer qualquer “entrada” para o vilão, especialmente quando a câmera se fixa num mesmo quadro por mais do que poucos segundos.

4-estrela

Infelizmente, Coraline e o Mundo Secreto não continuou o nível de Violência Gratuita, revelando-se um filme visualmente encantador (que cores maravilhosas!), com personagens muito agradáveis e basicamente divertidinho, mas que no final das contas não parece oferecer mais ou melhor do que outras obras do gênero (embora, curiosamente, eu não consiga comparar sua trama a qualquer outra).

2-estrela

Na Natureza Selvagem cumpriu e superou todas as expectativas. Deixei por último já esperando que fosse o melhor, e não me enganei. Angustiante desde a primeira cena, quando vemos a personagem de Marcia Gay Harden acordando abalada, é particularmente feliz com sua coleção de personagens, já que todos os indivíduos que cruzam o caminho do protagonista são belíssimos ao seu próprio modo; em especial a triste Jan, de Catherine Keener, que me comoveu profundamente em suas poucas e marcantes cenas.

(Kristen Stewtart, a Bella de Crepúsculo, também cruza a tela por aqui, provando ser uma atriz mais talentosa do que parecia no romance-vampiresco).

Mas o que mais me emocionou em Na Natureza Selvagem foi a narrativa em off de Jena Malone, que interpreta a doce e companheira irmã do protagonista e, assim, abre uma janela para sua família – sendo, além de tudo, outra vítima do abandono do rapaz. Tentando condenar a atitude do irmão ao mesmo tempo em que tenta se convencer de que o compreende, a garota assiste a gradual degradação emocional de seus pais, o que a faz sofrer ainda mais pelo desaparecimento do irmão.

E se a morte do viajante é aguardada desde o início da jornada, o modo como acontece confere um sabor agridoce ao desfecho, revelando-se ao mesmo tempo um anticlímax e um alívio, – eu, francamente, esperava por um destino violento, e confesso que fiquei feliz que a consequência final de sua aventura tenha sido tão branda, embora ainda dolorosa.

Contudo, o que mais perturba, angustia e fascina em Na Natureza Selvagem é pensar nos personagens que cruzaram a tela ao longo da projeção e que, por um tempo certamente indeterminável, devem ter esperado que aquele jovem encantador voltasse a suas vidas. Incluindo neste lista, a própria família do rapaz, eternamente condenada à dor de esperar por alguém que jamais irá voltar – e, pior, sem jamais ter certeza de quais foram os últimos sentimentos dele, se foram culpados até o fim ou se, antes do fim, conseguiram ser perdoados por erros que, de certa forma, eram inevitáveis.

5-estrela1

Do inconsciente ao subconsciente, passando pelo medo.

30 30UTC Agosto 30UTC 2009
Mauro Vilela Pietrobon

Uma coisa boa a precisar, antes de começar este post, é o seguinte: Eu sou uma das pessoas mais hipocondríacas que o mundo já conheceu. Mas não é nem que eu acho que eu estou sempre com uma doença, ou que se eu cortar o dedo, eu logo terei que amputar o braço. Minha hipocondria começou por aí, mas atualmente é algo bem mais complexo, e que ninguém conseguiria me persuadir de que eu estou errado.

As doenças que eu tenho certeza ou quase que eu tenho são todas de ordem psicológica. Já existia esse sentimento em mim, mas se intensificou depois de ler o artigo na SuperInteressante falando sobre psicopatia. Desde então, não é que eu acho, é que eu sei que eu tenho uma grande tendência à psicopatia.
Eu comecei a ficar mais controlado, atualmente, eu não começo a acreditar quando alguém me diz que eu posso ter alguma doença, mas fico com mais raiva da pessoa por ter colocado esse sentimento dentro de mim.
Aconteceu há pouco tempo com o Marcelo, eu comentei que eu tinha medo de todas essas coisas de ordem psicológica, e ele me disse “Você sabe que é possível que nenhum dos seus amigos existam, né?” E é óbvio que eu sei disso! É óbvio que eu já pensei muito mais nisso do que a maioria das pessoas, mas era uma coisa na qual eu não pensava fazia um bom tempinho já. Por ele ter recolocado (ou pelo menos tentato recolocar) essas ideias na minha cabeça, não é nem que eu comecei a acreditar mais, eu simplesmente aceitei que era possível (e até um certo ponto, provável) que isso fosse verdade, mas o meu maior sentimento na hora foi raiva dele! Eu quase decidi parar de falar com ele. Mas me controlei, falei pra ele não fazer muito isso, e continuei a vida normalmente.

Agora, uma das doença que sempre me incomodou bastante é…
a dupla personalidade

a dupla personalidade
Quer dizer, eu falo sozinho, eu falo muito, muito, muito sozinho! Eu chegava a falar sozinho na escola, na rua… Chegaram até dias que eu comecei a falar com duas vozes diferentes, como se fosse mesmo um diálogo. Sempre na consciência de que era eu fazendo as duas vozes.
Mas aí vem a parte do inconsciente, na história. Eu sonho umas coisas muito malucas, os meus sonhos quase nunca são “liguei pra minha mãe”, em geral têm começo, meio, um monte de problemas, e um fim. Isso não seria um problema tão grande, até porque eu sei que não sou o único a ter esses sonhos gigantescos. (Se bem que eu boto fé de que eu fui o único que conseguiu morrer mais do que dez vezes numa noite só!) 
Só que hoje, eu cochilei durante uns cinco minutos, e quando acordei, percebi (ou achei) que tinha sonhado, assim! Depois de despertar, até achei estranho aquele silêncio, pois meu sonho tinha até trilha sonora! E isso foi um sonho que não durou mais do que cinco minutos.
Isso foi hoje de tarde, não me preocupei muito com isso, não achei que pudesse ser um sinal de dupla personalidade, ou qualquer coisa do gênero; mas depois do que aconteceu mais tarde comecei a considerar que talvez fosse um sinal! Porque talvez eu não estivesse sonhando, mesmo, mas talvez outra pessoa estivesse cantarolando uma música, usando o meu corpo e a minha voz para isso, e quando acordei, achei que tivesse sido um sonho porque era o mais racional a se acreditar!
Mas acontece que hoje eu fui na dentista. E para isso, eu peguei um ônibus, e um livro. Eu estava na Alemanha, pós-primeira guerra mundial, quando de repente bateu um sono, mas um sono estranho, porque eu estava gostando muito da história, não tinha dormido particularmente mal de noite, e mesmo assim, estava com dificuldade para me manter reto na poltrona. Estava cambaleando, prestando atenção, para sentir quando o ônibus passasse por cima do viaduto, minha indicação de que era para apertar o botão para parar. Não senti o viaduto, e foi nessa hora que meu subconsciente fez uma pequena intervenção na minha vida, depois disso eu tive tempo de raciocinar e perceber que essa estranha passagem que meu inconsciente está fazendo, tentando mais e mais se aproximar do meu subconsciente, até virar parte da minha consciência é extremamente assustadora, porque isso com certeza será uma dupla personalidade, e se o inconsciente já está praticamente lá, no subconsciente, eu devo dizer que eu tenho medo! acordei com uma voz dizendo numa altura muito grande “SIM!” Ninguém tinha dito aquilo, vinha diretamente do meu subconsciente. Esse inconsciente que raramente aparece para mim, decidiu aparecer para me acordar. Eu acordei, li a placa da rua, e percebi que era a hora de apertar o botão, ainda extremamente intrigado pela maneira como eu tinha sido acordado, apertei o botão, e desci do ônibus. O ponto não tinha passado, eu apertei o botão segundos antes do ônibus quase passar reto por ele, e ele não passou pois eu fui acordado pelo meu subconsciente.
Ãhn?
Como meu subconsciente pode ter me acordado, sabendo que eu já tinha passado o viaduto, se nem meu consciente tinha a capacidade de saber, principalmente porque foi provavelmente a primeira vez que fiz esse percurso de ônibus nessa hora do dia, nessa velocidade?
Oi, eu sou o Mauro, e hoje minha segunda personalidade me acordou no ônibus.

Pagando bem… Putz, nem isso.

26 26UTC Agosto 26UTC 2009

TRÊS AMIGOS SE ENCONTRAM DURANTE O ALMOÇO:

WILSON
O que você está fazendo na vida, Roberto?

ROBERTO (ex-executivo da Pirelli)
Bem… Eu montei uma recauchutadora de pneus. Não tem aquela estrutura e organização que havia quando eu trabalhava na Pirelli, mas vai indo muito bem…

WILSON
E você, José?

JOSÉ (ex-gerente de vendas da Shell)
Eu montei um posto de gasolina. Evidentemente também não tenho a estrutura e a organização do tempo que eu trabalhava na Shell, mas estou progredindo… Mas e você Wilson?

WILSON (ex-publicitário da grande Agência)
Ah, eu montei um puteiro. Claro que não é aquela zona toda da Agência, mas já tá dando algum lucro…

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Explicando a piada…

1 – Você trabalha em horários estranhos (que nem as putas);

2 – Te pagam para fazer o cliente feliz (que nem as putas);

3 – Seu trabalho vai sempre além do expediente (que nem as putas);

4 – Você é mais produtivo à noite (que nem as putas);

5 – Você é recompensado por realizar as idéias mais absurdas do cliente (que nem as putas);

6 – Seus amigos se distanciam de você e você só anda com outros iguais a você (que nem as putas);

7 – Quando você vai ao encontro do cliente você precisa estar apresentável (que nem as putas);

8 – Mas quando você volta parece que saiu do inferno (que nem as putas);

9 – O cliente sempre quer pagar menos e quer que você faça maravilhas (que nem as putas);

10 – Quando te perguntam em que você trabalha você tem dificuldade para explicar (que nem as putas);

11- Se as coisas dão erradas é sempre culpa sua (que nem as putas);

12 – Todo dia você acorda e diz: NÃO VOU PASSAR O RESTO DOS MEUS DIAS FAZENDO ISSO (que nem as putas).

13 – O pior é que a gente gosta !! (que nem as putas).

ourTunes #22(,5)

21 21UTC Agosto 21UTC 2009

A primeira vez que ouvi falar na banda americana Evanescence foi em meados de 2001/2002. Nesta época, eu tinha acabado de redescobrir Alanis Morissete e estava em busca de  outras cantoras, especialmente vocalistas femininas de bandas de rock. Curiosamente, nesta época surgiram para mim duas outras cantoras: Pitty e Avril Lavigne. Mas na época, não consegui ouvir nenhuma música do Evanescence. Isto finalmente aconteceu na época da produção do filme Demolidor – O Homem Sem Medo (do qual, confesso, gosto bastante) e, é claro, a primeira música que ouvi foi Bring Me To Life.

Alguns meses mais tarde, algo maravilhoso aconteceu. O surpreendente videoclipe de Bring Me To Life foi lançado. E a cena da janela me causou arrepios pela primeira vez.

como você pode ver através de meus olhos
como se fossem portas abertas?
conduzindo você até meu interior
onde eu me tornei tão entorpecida

sem uma alma
meu espirito dorme em algum lugar frio
até que você o encontre lá e o leve
de volta pra casa

(acorde-me) acorde-me por dentro
(eu não consigo acordar) acorde-me por dentro
(salve-me) chame meu nome e me salve da escuridão
(acorde-me) faça meu sangue correr
(eu não consigo acordar) antes que eu me desfaça
(salve-me) salve-me do nada que eu me tornei

agora que eu sei o que me falta
você não pode simplesmente me deixar
respire dentro de mim e me faça real
traga-me para a vida

(acorde-me) acorde-me por dentro
(eu não consigo acordar) acorde-me por dentro
(salve-me) chame meu nome e me salve da escuridão
(acorde-me) faça meu sangue correr
(eu não consigo acordar) antes que eu me desfaça
(salve-me) salve-me do nada que eu me tornei

traga-me para a vida
eu tenho vivido uma mentira
não há nada por dentro

traga-me para a vida

congelada por dentro
sem o seu toque, sem o seu amor, darling
só você é a vida entre a morte

todo esse tempo
eu não posso acreditar que eu não pude ver
preso no escuro
mas você estava lá na minha frente

eu tenho dormido há 1000 anos, parece
eu tenho que abrir meus olhos para tudo

sem um pensamento
sem uma voz
sem uma alma

não me deixe morrer aqui
deve haver algo a mais

traga-me para a vida

(acorde-me) acorde-me por dentro
(eu não consigo acordar) acorde-me por dentro
(salve-me) chame meu nome e me salve da escuridão
(acorde-me) faça meu sangue correr
(eu não consigo acordar) antes que eu me desfaça
(salve-me) salve-me do nada que eu me tornei

traga-me para a vida
eu tenho vivido uma mentira
não há nada por dentro

traga-me para a vida

5-estrela1

Mas isto não acabou.

Hoje, seis anos depois do lançamento de Bring Me To Life e o primeiro álbum, Fallen, a agora Amy Hartzler (sobrenome de seu marido) está trabalhando no terceiro álbum de estúdio da banda - ainda sem nome conhecido -, que será provavelmente lançado em 2010 (o que sugere um padrão, ou seja, 4º álbum só em 2015?). Assim espero, pelo menos.

Por enquanto, Amy nos agracia com pequenos lançamentos independentes da banda que a consagrou, como sua participação no Acústico MTV da banda Korn, cantando Freak On a Leash; a ótima versão de Sally’s Song, numa revisita à trilha sonora do filme O Fantástico Mundo de Jack, de Tim Burton; e, mais recentemente, sua participação no programa Legend & Lyrics, onde faz uma outra e belíssima parceria, apresenta uma música inédita (que será divulgada com o lançamento dos DVDs do programa) e ainda faz uma segunda revisita, mas desta vez a sua própria música: o debute Bring Me To Life.

Uma versão que, sem dúvidas, é a mais bela performance de sua carreira.

E detalhe para a “carinha” de senhora casada que ela está…
Fofa, fofa, como sempre. :)

congelada por dentro
sem o seu toque, sem o seu amor, darling
só você
é a vida entre a morte

acorde-me por dentro
acorde-me por dentro
chame meu nome e me salve da escuridão
faça meu sangue correr
antes que eu me desfaça
salve-me do nada que eu me tornei

traga-me para a vida
traga-me para a vida

5-estrela1

Eu quero dar-dar-dar.

9 09UTC Agosto 09UTC 2009

Mauro Vilela Pietrobon

Nossa… Conversa interessante na janta hoje.

Começou com dois amigos da família falando sobre teatro. Ele escreveu uma peça pra ela, falando mais ou menos sobre ela, enfim. E os dois ficaram falando sobre a peça: ela falando como a peça é maravilhosa, como o marido dela é um gênio, enfim. Ele falando mais sobre o teatro, mesmo.
Depois de um tempo, a conversa passou pra teatro, os dois falando como vida de ator é complicada. Meu pai falando que vida de ator é complicada, sim, mas que se um ator, além de ator, também escreve, fica mil vezes mais fácil. Minha mãe olhando pra mim, de vez em quando e pontuando “viu só no que você está se metendo?” –> não mudei de ideia, continuo querendo ser ator. Minha mãe falando que nem era me fazer mudar de ideia, a missão dela, mas que era pra eu ficar atento, ouvindo.
Depois de um tempo, a conversa foi mudando, avançando, mudando e mudando, até que teatro não seria mais nem uma “tag” se aquilo fosse um post.

Certo, teve uma hora que a conversa passou ao tema “mulheres e vida de casal”. (Nem um pouquíssimo surpreendente, já que minha mãe estava à mesa.) Acontece que exatamente essa pessoa: minha mãe, ela tem essa teoria de que a mulher faz uma coisa que ela chama de “dar”. Certo, existe um verbo sem conotação erótica que é “dar”, eu concordo, não é sempre que alguém diz coisas como
- Eu dei um livro pro meu pai.
que eu penso em sexo. Ainda bem, eu não tenho mais 12 anos. Bem, aí a questão, é que minha mãe diz que a mulher a.do.ra “dar”. Ou seja, ela gosta de fazer coisas pelos homens, pelos filhos, e ela gosta de, por exemplo, ir me buscar na bwatch às 5h00. Ela gosta de arrumar a cama pro marido, fazer a janta. Enfim, e é isso que minha mãe chama de “dar”. Eu continuaria não tendo problemas com essa expressão, se não fosse uma coisa, chegou um momento da conversa no qual minha mãe falou a seguinte frase, pontuando com muita força o verbo:
- Dar é muito bom! Dar é ótimo! Dar é a melhor coisa que tem! Os homens não imaginam como é bom dar! Dar é a melhor coisa do mundo! Dar é muito, muito, muito bom!

Nudez no espelho (ou ourTunes #21)

3 03UTC Agosto 03UTC 2009

A sensação de experimentar um relacionamento aberto é quente.

Às vezes confortável como um cobertor, às vezes emocionalmente agressiva como água fervente. Afinal, como lidar com o fato de que alguém com quem você tem um compromisso (independente da profundidade) precisa se satisfazer fisicamente com outra pessoa que não você, talvez apenas beijando, talvez apenas transando? É difícil e inunda nossa mente com suposições e imaginação. E por mais que haja um acordo, por mais que não se assuma o incômodo, o resultado é que os envolvimentos extras crescerão por um mero ciclo vicioso, onde cada parte se envolverá cada vez mais com  alguém de fora apenas por considerar que o parceiro ou a parceira já estará fazendo isso. E não importa que, à rigor, a prática seja a regra da relação.

Dito isto, não posso dizer que um namoro aberto seja a pior opção para duas pessoas que percebem gostar uma da outra,  mas sabem que, no momento em particular, não podem oferecer fidelidade. Porém, não posso defender que tal “liberdade” seja o melhor caminho. Há algo de especial no esforço de deixar a atração física por outra pessoa apenas no pensamento, pois a diferença entre fantasiar e satisfazer um desejo é a diferença entre lealdade e fidelidade. Todos desejamos outra pessoa, mesmo quando estamos com alguém que já esteve em nossas fantasias. Desejar a maçã não é o pecado original, você ainda pode escolher não mordê-la.

Ou pode não escolher ficar no jardim.

Há uma certa magia na estrada do amor-livre, do amar-solto, um estilo de vida que  qualquer um pode experimentar, mas que apenas poucos são capazes de saborear completamente, sem ferir ou morrer. Dizem que isto é fuga, que esta é a escolha pelo nada à dor, mas eu digo que não. Quem mais sabe o que te mata senão você? Quem pode jurar que roubar aquele beijo sabendo que será o único não é um autosacrifício?

Quem ama solto não foge do amor, se apaixona todos os dias por amores que já nascem impossíveis.

Quem ama solto não foge do amor, ama à primeira vista.

A cada piscar.

só deixo meu coração
na mão de quem pode fazer da minha alma
suporte para uma vida insinuante
insinuante anti-tudo que não possa ser
bossa-nova hardcore, bossa-nova nota dez
quero dizer, eu tô pra tudo nesse mundo, então
só vou deixar meu coração, a alma do meu corpo
na mão de quem pode

na mão de quem pode e absorve
todo céu, qualquer inferno
inspiração de mutação
da vagabunda intenção
de se jogar na dança absoluta da matança
do que é tédio, conformismo, aceitação
do fico aqui, vou te levando nessa dança

submundo pode tudo do amor
pode tudo do amor

porque não quero teu ciúme que é o cúmulo
ciúme é acúmulo de dúvida, incerteza de si mesmo
projetado, assim jogado como lama anti-erótica
na cara do desejo mais intenso de ficar com a pessoa

e eu não tô à toa
eu sou muito boa

eu sou muito boa pra vida
eu sou a vida oferecida como dança
e não quero te dar gelo,
jealous guy

vê se aprende, se desprende
vem pra mim que sou esfinge do amor
te sussurrando: decifra-me… decifra-me…

só deixo minha alma, só deixo o coração
só deixo minha alma na mão de quem pode

só deixo minha alma só, deixo meu coração
na mão de quem ama solto

eu vou dizendo que só deixo minha alma
só deixo meu coracão
na mão de quem pode fazer dele
erótico suporte
pra tudo que é ótimo
fator vital

4-estrela

102

2 02UTC Agosto 02UTC 2009

Mauro Vilela Pietrobon

Este aqui será, possivelmente, o post mais curto e menos enriquecedor sobre minha personalidade que eu farei neste blog! Mas ele se mostra extremamente necessário depois do último post que eu fiz por aqui. O último post que eu fiz aqui, como os leitores assíduos devem bem lembrar, foi o post no qual eu falava sobre a ortografia da palavra Parati, eu falei e falei, para chegar à conclusão simples de que Y é uma letra horrível e nem um pouco brasileira, que merecia ser excluída de qualquer nome de qualquer cidade que existe no nosso bonito país. Mas acontece que, uma (imagino que) leitora do blog viu este bendito post e provavelmente se sentiu na obrigação de me mostrar que não existe, no nosso vocabulário, nada de mais brasileiro que o Y:

Na verdade o Y não tem nada de americano mas de indígena… Sem contar que é a vogal no vocabulário espanhol usado para os sons das línguas indias da américa latina. rs Beijos.

Eu me senti até meio mal por ter feito um post SÓ pra reclamar dessa forma de escrever o nome dessa bendita cidade. Por isso me senti obrigado a fazer um post dizendo que, agora que a Juliana Chu me ajudou a abrir os olhos, posso escrever sem nenhum peso na conciência:
PARATY!