De repente, um susto: eu estava sozinho.
Aonde foram meus amigos? Onde os vi pela última vez? O que foi que eu fiz desta vez?!
Da última vez que bebi do copo de um estranho, fiquei 10 vezez mais… Animado. E curti a noite como nunca. Mas o simples fato de ter ficado alterado me incomodou e, assim, jurei que jamais voltaria a beber do copo de algum estranho.
Promessa cumprida. Eu não bebi nada.
Nada estranho. De estranhos.
De fato, as bebidas da noite foram… Smirnoff com Sprite do lado de fora da casa. Um copo cheio. Uma dose de tequila (particularmente suave e gostosa, preciso lembrar de perguntar a marca) e uma caipirinha de saquê (okay, caipisaquê). Só isso.
E, de repente, com susto, me descubro sozinho. Sem nenhum conhecido ao redor… Um redor que de repente começou a rodopiar e se inclinar para a direita e balançar para cima antes de, inclinando para a esquerda, ir para baixo lentamente (e insuportavelmente desconfortavelmente) – levando meu corpo todo junto, a exceção do estômago, que insistiu em ir na direção contrária, querendo brincar de boliche fingindo que minha úvula era o pino restante e que as bolinhas de provolone à milanesa eram a bola.
Okay, escatológico, parei.
Sentei. Abaixei a cabeça e senti pela segunda vez na vida aquela sensação estranha que senti quando fui ao Playcenter pela primeira na adolescência e última vez na vida.
Abre parêntese. Acho Playcenter tão inútil. Nem divertido é. Só serve para deixar seu estômago virado e te forçar a dar sorrisinhos sociais enquanto sua pele empalicde para um tom de verde e seus amigos aparentemente imunes a isso e tudo mais se divertem comendo cachorro quente em uma fila que os fará ficar de ponta cabeça – para não dizer que é completamente ruim, confesso que gosto muito do bate-bate, a melhor atração EVER de qualquer parque de diversões. Fecha parêntese.
A sensação era de despencar 40 metros de altura com os olhos fechados.
Ergui a cabeça e abri os olhos e… uau… Descobri o que acontecerá quando entrar em uma certa atração que será inventada algum dia: um simulador que simula todas as máquinas do Playcenter somadas as do Hopi Hari ao mesmo tempo. Acredite, alguns retardados vão curtir esse simulador. Digo isso porque a sensação é… Nojenta de tão ruim.
Fechei os olhos de novo. A sensação ruim ficou pior. Ai decidi que, entre uma sensação ruim e outra tão terrível quanto, a melhor era a que tinha alguma possibilidade… externa. E exposta.
Ficar de olhos abertos permitia que algum pedaço do meu cérebro se divertisse com as atrações gratuitas que desfilavam (dançavam, se agarravam, ritualizavam) a minha frente (e dos meus dois lados).
Até que, de repente, um susto: alguém falou comigo.
- Oi, você tá bem?
- Hein?
- Você tá bem? Tá passando mal?
- Não – respondo. Afinal, alguem algum dia acharia aquela sensação divertida e faria do tal simulador um grande sucesso no Playcenter. Ou no Hopi Hare. Então não devia ser algo exatamente descrito como “passando mal”. – Eu acho que tô bem – deixo escapar, babando uma gotinha de honestidade.
- Bebe mais um pouco – sugere a filha da puta criatura fingindo que veio de Samaria – que melhora. Eu tava assim também – confessa rindo.
- Ah – murmuro, descobrindo que estimular a audição e a voz fazia a coisa ficar um pouquinho mais desagradável. – Vou beber uma água, então… – e de repente percebendo o que estava acontecendo, qual era o sentido de tudo aquilo, acrescento: – Me ajuda a chegar no bar?
- Claro! – responde animadamente a agora atraente criatura que provavelmente tinha vindo de… alguma cidade histórica onde só tinha gente bonita e atraente. E de belas pernas grossas. Nossa, que pernas.
E assim eu me ergo com um pouco de ajuda. E quando sinto minhas pernas vibrando sem auxílio de acessórios elétricos percebo que estou realmente mal. Alguma coisa estava errada.
Enquanto caminhava até o bar com uma confortável e reconfortante muleta que provocava certas reações libidinosas no meu corpo, comecei a pensar na última hora e no que tinha acontecido.
No bar, peço uma garrafa de água e… Bam. De repente, tudo vem a tona.
Beber do copo de estranhos não é legal. Pode ter alguma coisa ilícita e/ou perigosa dentro. Eu sempre soube disso – e redescobri assistindo a MeninaMá.com.
Mas eu nunca imaginei… aliás, eu provavelmente nem acreditaria se me contassem.
Sem perceber, consumi alguma coisa estranha. Ilícita, talvez, mas com certeza perigosa (no mínimo, me deixou mal, o que me deixa irritado, o que me faz perigoso, o que torna a substância perigosa).
É foda. Depois de tanto tempo, depois de tantas experiências… divertidas e que só poderei contar para os meu netos quando eles forem grandinhos… descubro que a coisa mais básica do relacionamento sexual humano, a mais bobinha e inofensiva de todas… também oferece perigo.
Assim, guardo agora mais uma lição: ao beijar bocas estranhas, tentarei não “dividir” balas ou chicletes. E se de repente, num susto, esgolir algo estranho, vou correndo para o banheiro cuspir.
O que me leva de volta a água recém pedida no bar.
Não consegui abrir a garrafinha e a bondosa e boa (gostosa, mesmo) criatura me ajudou.
Dei um gole, sentindo a deliciosa sensação de frio banhar minha língua, gargante, traquéia e … Encontrar congestionamento no caminho. Engavetar. Começar uma perigosa discussão. E dar ré, trazendo outras coisas enganchadas.
Okay, parei. Os próximos cinco segundos foram muito escatológicos.
ATUALIZAÇÃO
De repente percebi que o título desse post é uma porcaria.