Palavrão #12 – A Queda
Em 2009, o cineasta mexicano Guillermo del Toro (Hell Boy, Labirinto do Fauno) fez uma parceria com o escritor Chuck Hogan (autor do livro Prince of Thieves, que deu origem ao filme Atração Perigosa, de Ben Affleck) e concebeu a série literária Trilogia da Escuridão, que debutou com o livro Noturno, um romance inteiramente em tom de primeiro ato que estabelecia uma mitologia densa e assustadora dentro de um nicho extremamente (mal) explorado, hoje em dia, na literatura e nos cinemas: vampiros.
Noturno não era perfeito, é claro. O tom de preparação típico de um primeiro volume não se resumia apenas ao tom da história, mas nutria a própria estrutura da narrativa, cuja montagem de núcleos paralelos nos fazia sentir sempre a beira de um clímax que nunca vinha (o que não diminua a tensão e a diversão, de qualquer forma); por outro lado, os interlúdios que atravessavam o volume traziam flashbacks intrigantes que revelavam a origem da obsessão do protagonista de forma competente e angustiante; sem contar as apresentações e reuniões de personagens, as peças do jogo que sendo posicionadas para uma excitante partida.
E foi assim, com a expectativa no máximo, que recebemos o golpe enregelante: A Queda. Patético ao extremo, o segundo volume da trilogia pode ser considerado, no mínimo, amador. Muito semelhante aos textos incríveis que eu mesmo já escrevi… aos 14 anos.
Obviamente o principal responsável pelo processo de escrita da obra, Chuck Hogan parece se esforçar ao máximo para impressionar o leitor, usando vocabulários pouco convencionais (“obliterar” e “exsudar” não são palavras cotidianas!) e fazendo tolas tentativas de parecer (o infinitamente mais competente) Dan Brown ao passar informações técnicas ou científicas (que ele finge entender). Porém, apesar dos esforços, seu texto surge repetitivo, redundante e artificial. Sim, pecadilhos ignoráveis. Mas daqueles que vêm à tona em bloco na hora de lavar a roupa quando certos pecados imperdoáveis aparecem.
E é isto o que encontramos ao longo da narrativa de A Queda.
Falhando em sua função mais básica (e publicitária), o segundo volume da Trilogia da Escuridão é incapaz de nos fazer entender sequer a dimensão da pandemia que se espalha pelo país (e pelo mundo) – algo que é vendido na divulgação do livro, informando o tempo que o escuridão levaria para tomar o planeta. Da mesma forma, somos obrigados a engolir que a mídia e a internet do ano 2010 poderia ser silenciada em um caso tão extraordinário quanto o desaparecimento de MILHÕES de pessoas em plena cidade de Nova Iorque. Neste ponto, nem chega a ser estranho que Hogan narre um evento comercial acontecendo no meio do caos – isto, é claro, só acontece porque há um objeto neste evento que parece ser fundamental para a luta dos humanos contra os vampiros, mas eu não apostaria muita coisa nisso. Contudo, nenhuma inverossimilhança de todo o livro se compara ao recurso inacreditável que traz um dos personagens fazendo recorrentes posts em seu blog pessoal – e é claro que os posts são irrelevantes, infantis, deslocados e não cumprem qualquer função para o leitor ou para os personagens.
Em minha lista de melhores livros que publiquei em 2009, Noturno dividiu espaço com obras como Watchmen, Dear John e a trilogia Fronteiras do Universo, ficando em 7º lugar. E considerando a qualidade e promessa daquele livro, é triste e frustrante descobrir que os autores se renderam a pressa e ao desleixo e entregaram uma obra tão fraca que, mais do que não fazer jus ao original, constrange e surpreende pela mediocridade do trabalho de artistas que – sabemos – são tão talentosos.

Li os dois livros sabatinados pelo crítico acima, assim como as cinco obras de Dan Brown – e nem achei o último livro tão genial; mas fiquei curioso por ter acesso aos escritos geniais deste autor/crítico que aos 14 anos escrevia melhor que Del Toro e Hoogan juntos.
Paulo, eu não disse que, aos 14 anos, escrevia melhor do que del Toro-Hogan. Disse que escrevia praticamente tão bem quanto eles. Agora, hoje aos 24, sim… Eu escrevo melhor do que eles.
Em breve você poderá verificar.
Um abraço.
É admirável a autoconfiança dos jovens. Estarei esperando e torcendo a favor, pois como leitor contumaz (de uma família de leitores – pai, mãe, irmão, esposa e filha )aguardo seu lançamento. Se possível avise-me via e-mail para que eu possa conferir.
Abraço.
Está registrado, Paulo. Avisarei, sim.
(Mas, só pra constar, entenda minha resposta menos como autoconfiança arrogante do que como sincera determinação.)
Um abraço.
Cara metido…
Quem? Onde? Cadê??
Só pra esclarecer… Escrever melhor do que Hogan está longe de representar um grande mérito. Até a estúpida Stephenie Meyer fez melhor do que ele.
De qualquer forma, garanto que estou torcendo por uma nova reviravolta no porvindo terceiro livro.