Battlestar Galactica
Battlestar Galactica é uma dessas séries que chegam de mansinho e, quando nos damos conta, estamos completamente tomados por ela. Por mais fascinantes, desgraçados e complexos que sejam os personagens de 24, Damages, Dexter e Lost, nenhum deles se compara a coleção que encontramos em BSG, que não traz um único herói ao longo de toda a sua narrativa, apenas anti-heróis que iremos amar e odiar fervorosamente – às vezes, simultaneamente. E não há exceções.
Evocando o que há de mais cruel e belo no ser humano, a série não hesita em levar seus personagens até as últimas conseqüências de seus atos e escolhas, trazendo discussões de extrema complexidade política e moral e ainda permitindo arcos dramáticos que, longe de trazerem redenção, levam seus personagens à completa perda – como uma determinada líder política, por exemplo, que aos poucos deixa de seguir seus valores e idealismos mais intrínsecos e se torna um monstro desprezível, mas inevitável.
E se isto não fosse muito, a obra ainda ousa trazer um desfecho que apresenta e mantém pequenas questões metafísicas que jamais poderiam e nunca irão ser respondidas – o que, longe de incomodar o espectador ou soar como um deus ex machina, introduz uma nova idéia a uma trama já repleta de camadas e ainda confere uma conclusão quase sublime a uma história de ficção científica que é nada menos do que um grande e límpido espelho à frente de nossa sociedade e civilização.
Um espelho que nos mostra uma imagem suja e assustadora, sim, mas também bela, inspiradora e esperançosa. Ou seja, simplesmente humana.
Em suma, Battlestar Galactica é a melhor série que assisti em 2010. E, sem qualquer hesitação, escolho como a melhor série produzida nesta década.

Battlestar Galactica é uma obra-prima!