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Tudo Pelo Poder (George Clooney)

Stephen Meyer é um jovem e atraente assessor de imprensa que se vê numa confortável posição de poder já aos 30 anos de idade. Um poder que não se compara ao de seu objeto de trabalho, o governador Mike Morris (irresistível na pele George Clooney) ou à influência de sua “melhor amiga” (a inevitável jornalista vivida por Marisa Tomei). Mas ainda assim, um poder que é capaz deslumbrar uma jovem estagiária, que não resiste comentar que ele se hospeda em um hotel de luxo com os chefes enquanto o restante do staff é obrigado a ficar em um lugar mais pobre – e, claro, divertido.

O que a estagiária Molly vivida pela doce Evan Rachel Wood jamais entenderá, porém, é que é preciso muito mais do que competência para alcançar uma posição de poder. É preciso cuidados e inescrúpulo. É preciso aliados, e inimigos para chamar de amigos. E é preciso deixar moral e valores estrategicamente posicionados no speech, mas longes das mãos, já que inevitavelmente eles se tornarão armas para a auto-destruição.

Coisas que, é preciso dizer, o próprio Stephen ignora, fazendo de todos os seus esforços ações por um ideal. Mas se a garota jamais se dá a chance de descobrir essas fedidas verdades, Stephen o faz. E as conclusões à que chega são as piores. Ele sabe o que está se tornando, e mesmo odiando esse futuro já palpável, não quer qualquer coisa diferente disso.

Porque o poder inebria e vicia. E quando você menos espera, fica maior do que você. (Como descobre o chefe de campanha Paul Zara, que Phillip Seymor Hoffman apresenta como um homem pálido, piloto-automático e exausto da vida que tem.)

Dirigindo seu quarto filme, George Clooney conduz Tudo Pelo Poder com um ritmo admirável, explorando o dia a dia de calmas aparências e frenéticas manobras publicitárias. O que se reflete diretamente na intensidade da belíssima trilha sonora de Alexandre Desplat e na (corretamente) entediante direção de arte de Chris Cornwell, que mergulha o espectador naquele mudo sufocante ao oprimir os personagens em ambientes cinzentos ou pasteis e toneladas de materiais de divulgação I Like Mike. Para compensar esse peso, Clooney abusa dos planos fechados nas doces primeiras cenas de Stephen e Molly, como se os dois se refugiassem um no outro. Mais tarde, após um conflito, os planos se abrem e ajustam o casal à dinâmica externa.

Tudo Pelo Poder é uma história de bastidores, o que, por definição, inclui indivíduos em pleno exercício de manipulação, apenas aguardando sua vez de entrar em cena. Mas os bastidores desse drama não são apenas da campanha eleitoreira que acompanhamos ao longo da projeção, mas também da praça política americana e seus intensos entraves de interesses e oportunismos. Assim, é um símbolo inteligente que uma das cenas mais importantes do longa seja aquela em que dois personagens num conflito surgem diminutos e em contraluz diante da bandeira dos Estados Unidos, que vemos por trás em todo o seu esplendor e poder. Da mesma forma, é revelador que um encontro decisivo aconteça justamente em uma cozinha de restaurante, com o ambiente às sombras e vazio.

Porque é apenas disso que se trata Tudo Pelo Poder, e a própria política: encontros, decisões e alianças (quase sempre indesejadas) que deveriam, para sempre, permanecer no escuro, longe dos olhos da mídia e dos eleitores.

  1. 01/02/2012 às 9:04 | #1

    Achiles, excelente observação do filme, adorei o filme e cada vez que penso no mesmo vejo como ele é bom e bem construido, é mais um filme inteligente da cinegrafia do Clooney.

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