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Não é o começo de tudo.

5 05UTC Novembro 05UTC 2009

INTRODUÇÃO

Existe uma história que sempre me fascina quando me lembro, mas ao mesmo tempo me entristece porque o final não é dos mais felizes. E como poderia ser?  Desde o início, esta parece ser a intenção da história: magoar, ferir. História, afinal, que é sobre um rapaz numa cidade estranha: ele se chama Lucas e tem uns dezesseis ou dezessete anos; ou talvez um pouco mais, é difícil dizer já que ele parece tão jovem e ao mesmo tempo carrega traços inequívocos de alguém com vinte e poucos e pesados anos. A história de Lucas pode parecer simples e clichê se considerarmos apenas a parte do “garoto novo na cidade que não conhece nada nem ninguém e acaba se apaixonando pela última pessoa de quem devia se aproximar”. Sim, ele vive uma história de amor. Mas há duas coisas que fazem da história de Lucas uma história surpreendente e inesquecível: primeiro, ele simplesmente acordou numa cidade da qual nunca ouviu falar (o que talvez não signifique muito já que ele viveu toda sua vida numa cidadezinha minúscula que outras pessoas também jamais ouviram falar); segundo, ele se apaixonou por ele mesmo, sem saber quem era – nenhum dos “dois”.

HISTÓRIA EXTRAORDINÁRIA

Lucas foi dormir ao anoitecer do dia trinta de novembro de mil novecentos e noventa e seis. Tinha que acordar muito cedo no dia seguinte já que ia viajar com a irmã e o ônibus sairia às cinco e dez da madrugada. Mas quando ele acordou e percebeu a forte claridade solar, denunciando cerca de oito ou nove horas da manhã, deu um pulo da cama achando que a irmã não o acordara porque tinha passado mal – ele nem se preocupou por ter perdido o ônibus, seu medo era a causa do atraso, que poderia ser mais uma das dolorosas crises de Camila.

Contudo, o pensamento de preocupação de Lucas foi um simples reflexo resultado do susto de sentir o sol alto; dois ou três segundos pós acordar, Lucas estava em pé e estático e pasmo: ele nunca vira o quarto onde estava agora, e certamente não era marulho o som que vinha de trás das paredes, tão pouco o Atlântico aquela cordilheira cinza e branco-sujo que ele encarava na direção em que deveria estar vendo o horizonte. E então os joelhos de Lucas o levaram subitamente para mais perto do chão, fazendo-o trocar a estabilidade por uma espécie de tremedeira e a pasmaria por um pavor calculado.

Mas esses sentimentos desapareceriam por alguns momentos nos próximos quinze minutos, pois ele seria tomado por uma mistura incompreensível de anestesia e adrenalina.

Quando o carro em que se encontrava quinze minutos depois parou atrás de um semáforo indicando vermelho, Lucas tentou compreender os últimos acontecimentos. Mas se a presença de nada menos do que três estranhos completos em um quarto de hotel de luxo em uma cidade europeia era inexplicável e um deles se comportar como se fosse um velho amigo e se apresentar como Olivier era inesperado, perturbador foi ficar no meio de uma troca de tiros aterradora enquanto era levado hotel afora pelo tal Olivier até um carro estacionado do outro lado da rua.

No semáforo, então, Lucas perguntou o que estava acontecendo. Olivier respondeu que é ele quem devia responder essa pergunta. E pergunta quem eram aquelas pessoas no quarto dele. Parte do acordo era os dois se encontrarem sozinhos. Lucas responde que nunca tinha visto aqueles homens antes, e diz que também não conhecia a ele, Olivier. Olivier diz que eles dois com certeza não se conhecem, pois apenas conversaram por e-mail. Lucas responde que não acessa o e-mail que ganhou no cursinho de informática há mais de seis meses. Olivier faz um gesto com o lábio, parecendo que não entendeu a piada. Mas Lucas diz que não é piada, que está falando sério. Que ele não faz idéia do que está acontecendo. Que foi dormir ontem como foi dormir anteontem e em todas as outras noites de sua vida e que hoje acordou num quarto de hotel com um monte de homem armado falando francês e atirando um no outro. Olivier olha fixamente para Lucas e Lucas olha para ele de volta e pergunta se por acaso ele, Lucas, sofreu um acidente e perdeu a memória.

Olivier então responde que já perdeu a memória uma vez. E que não sabe quem era antes dos vinte e dois anos. Lucas pergunta quantos anos ele tem agora. Trinta e três, de acordo com sua nova identidade.  Lucas, impressionado, pergunta se é possível que ele tenha perdido a memória também. Olivier diz que não é impossível. Lucas pergunta em que data eles estão. Olivier responde quatorze de dezembro e Lucas treme involuntariamente.

Lucas diz que ontem, quando foi dormir, era trinta de novembro. Olivier o olha preocupado e comenta o que os dois já sabia: ele tinha dormido duas semanas. Lucas olha para a rua, inconformado com a nova descoberta, e vê um painel eletrônico na rua informar a data: 14 de dezembro, segunda-feira. Lucas pergunta se hoje não é sábado. Olivier diz que não. Lucas diz que foi dormir na noite de sábado para domingo. Olivier responde que então não foi no dia trinta, pois o último dia trinta foi numa segunda-feira também.

Então sem saída e sem qualquer outra razão a não ser o desencontro de informações, Lucas pergunta em que ano eles estão. Olivier responde com um riso que é dois mil e nove. Mas imediatamente pára de ver graça na pergunta e na resposta quando vê a expressão aterrorizada no rosto do jovem e desconhecido Lucas.

Pedaços

30 30UTC Setembro 30UTC 2009

Pequenos acidentes
por Achilles de Leo – Adaptação de # # ###########

CENA 05 – EXT/D – ESTACIONAMENTO

DENISE
Você não quer ver seu amigo feliz?

LUCAS
Quero. Ele é o meu melhor amigo e eu faria qualquer coisa por ele.

DENISE
Então…

LUCAS
Mas não. Ajudá-los a ficar juntos não é o caminho. Deixe-o em paz, Denise. Encontre alguém para amar também.

Denise entra no carro.

DENISE
Não diga a ele que te procurei.

LUCAS
Nunca pretendi fazer isso.

CENA 18 – INT/N – QUARTO DE LUCAS

Uma porta bate com estrondo, Lucas corre para o meio do quarto, chorando.

Felipe entra logo atrás:

LUCAS
Vai embora, pai!

Alessandra entra no quarto em seguida. Chorando também.

FELIPE
Eu já pedi desculpas.

LUCAS
Me deixa em paz!

FELIPE (irritado)
Deixar em paz? Olha o que você acabou de fazer, Lucas. Você acabou com a minha paz… Eu pensei que conhecesse o meu filho… Lucas! Você tem noção…?

ALESSANDRA
Felipe, calma! Pelo amor de Deus, calma! Lucas, tá tudo bem, meu filho. Nós vamos resolver o seu problema…

LUCAS
Problema? Mãe isso não é um problema é a minha vida!

FELIPE
Isso não é vida, é moda! Tem gay em todo lugar, na rua, na tevê, no cinema… Até na igreja!

ALESSANDRA
Felipe, quieto!

LUCAS
Você nunca me respeitou. Dá conselhos uma vez por mês, chama pra uma conversa no Natal ou no aniversário e pensa que fez seu papel de pai!

FELIPE
Você quer dizer que a culpa é minha? Que eu não orientei você direito? (gritando) Eu fui um bom pai!

LUCAS (gritando)
Você nem queria ser pai!

FELIPE
Nenhum garoto de dezoito anos planeja ser pai. Não significa que não seja capaz de amar um filho que vem de surpresa!

LUCAS
Eu sei que você me ama, pai! Então por que não pode me apoiar?

Felipe não responde. Alessandra permanece parada perto da porta, com as mãos no rosto.

CENA 31 – INT/N – QUARTO DO CASAL

Alessandra está irritada, tirando brincos, soltando o cabelo. Felipe entra.

FELIPE
Você está sendo irracional…

ALESSANDRA
E você, conivente! Está permitindo que essa história cresça sabendo que perderemos o controle.

FELIPE
Mas nós não temos o controle disso, Alessandra!

ALESSANDRA
Como assim não temos? Para que serve nossa autoridade? Você está permitindo…

FELIPE
Se nós o proibirmos, se o obrigarmos a ficar longe do André, é de nós dois que ele irá se afastar.

ALESSANDRA
E você acha que não o perderemos se esse namoro continuar?

FELIPE
E você acha que seria diferente se fosse com uma garota? Você realmente acredita, Alessandra, que terá seu filho dormindo no quarto ao lado para sempre?

ALESSANDRA
Eu só quero proteger o meu filho!

FELIPE
Então pare de evitar a realidade!

ALESSANDRA
E o que você quer que eu faça? Um enxoval?

FELIPE
Não seja ridícula…

ALESSANDRA
Não seja hipócrita! Você está tão insatisfeito quanto eu.

FELIPE
Eu nunca disse que estava feliz. Mas não serei responsável por piorar as coisas. Prefiro meu filho dentro de casa com o garoto que eu batizei do que na rua com um completo estranho.

ALESSANDRA
Ah então é isso! Uma maldita campanha de redução de danos!

CENA 82 – EXT/D – PRAÇA

LUCAS
Você tá bem?

DENISE
Acho que sim. Às vezes fico meio confusa…

LUCAS
Confusa por quê? Não me leve a mal por dizer isso, Denise, mas… pra mim foi maravilhoso.

DENISE
Eu também gostei, Lucas. Mas eu sei que não foi certo. Não foi certo com nenhum de nós.

LUCAS
Não, não pense assim. É mais do que justo seguir os próprios sentimentos se ninguém se machucar com isso.

DENISE
E ninguém se machucou?

Lucas hesita.

LUCAS
Desculpe, eu não…

DENISE
Tudo bem, não é culpa sua. Mas é difícil pra mim. Vocês têm um ao outro enquanto eu estou completamente sozinha. Acordar de manhã e lembrar que ninguém está pensando em você… Isso deixa o seu dia um pouco…

Ela pára de falar. Lucas a abraça pelos ombros. Denise se levanta.

DENISE
Obrigada pelo sorvete.

CENA 91 – INT/N – BAR

LUCAS
Você pode mandar uma cerveja para aquele cara e dizer que é por minha conta?

BARMAN
Acho que não é boa idéia, amigo.

LUCAS
Por que não? Ele é do A.A.?

BARMAN
Não, ele só acertou um cara que deu em cima dele mês passado.

LUCAS
Eu não estou dando em cima dele.

BARMAN
Tudo bem. Mas até ele entender isso, você já foi para o hospital.

Lucas abaixa a cabeça rindo. O barman enche o copo dele outra vez.

BARMAN
Por conta da casa.

Lucas olha pra ele.

LUCAS
Você está dando em cima de mim?

BARMAN (rindo)
Eu tenho namorada.

LUCAS
Meu namorado também tinha.

BARMAN
Eu amo a minha.

LUCAS
Ele também me amava.

BARMAN
Qual é o seu nome?

LUCAS
Lucas. O seu?

BARMAN
Gabriel. (Pausa | sorrindo) Mas eu não sou gay.

LUCAS (rindo)
Você também não faz o meu tipo. E já deu a minha hora.

Lucas se levanta, mais embriagado do que parecia, e se segura no balcão.

GABRIEL
Você está de carro?

LUCAS
Eu vou andando. Não moro longe.

GABRIEL
Eu saio em vinte minutos. Se quiser te dou uma carona.

Lucas o encara com sarcasmo. Gabriel sorri.

GABRIEL
Eu juro que não sou gay.

LUCAS
Que pena.

CENA 98 – INT/N – QUARTO DE LUCAS

DENISE
Também sinto falta dele, Lucas.

LUCAS
Não deveria. Ele não sente nada por você.

DENISE
Mas por você ele sente.

LUCAS
Não, não sente.

DENISE
Nós dois sabemos que sim.

Ele se levanta e vai até o guarda roupas.

DENISE
Aliás, nós três.

Ele pega uma camisa e se veste.

DENISE
Você vai sair?

LUCAS
Vou.

DENISE
Você sabia que a sua mãe procurou a minha semana passada?

LUCAS
Denise… Nós não vamos nos casar. Você sabe disso, não sabe?

DENISE
Eu já disse a sua mãe que não quero.

LUCAS
Mas você queria se casar?

DENISE
Não, não queria. Mas tenho medo de ficar sozinha com o meu filho.

LUCAS
Você sabe que eu não vou te abandonar com a criança…

DENISE
Na verdade, desconfio que sim.

LUCAS
Como assim? Eu nunca…

DENISE
Faria isso? Nunca me deixaria sozinha com a criança? Com “a criança”, Lucas?

LUCAS
O que você quer que eu diga? “Meu filho”? “Meu bebê”?

DENISE
Seria um bom começo…

LUCAS
Eu não consigo…

DENISE
Eu sei. Acho que enquanto o André estiver longe, você será incapaz de amar de novo. Nem seu próprio filho. Nem a si mesmo

LUCAS
Por que está dizendo isso?

DENISE
Eu já estive no seu lugar uma vez.

Denise se levanta e pega um casaco no guarda-roupa.

LUCAS
Aonde você vai?

DENISE
Você não é o único que precisa espairecer às vezes.

LUCAS
Você vai ficar bem?

DENISE
Será?

Denise sai.

Aquário – He – Parte 4

9 09UTC Março 09UTC 2009

A pergunta ao final da ultima publicação foi:

“Como Lucas, que já sabemos ter acordado normalmente na manhã de 1º de dezembro de 1996, voltou um dia no tempo e acabou acordando treze anos no futuro?”.

Esta questão é, provavelmente, a cerne do mistério de História extraordinária, o tipo de pergunta que qualquer roteirista deixaria para revelar em algum momento próximo ao final da historia. Mas não acho que o caso em questão valha tanto assim.

De qualquer forma, quando decidi deixar a dissertação um pouco de lado para trabalhar nos detalhes da trama (veja Parte 2), deixei de lado também a estrutura narrativa. É claro que certos elementos vêm a mente com um lugar a mesa já determinado, mas a maioria não. A respeito das duas subtramas apresentadas nesta publicação e na anterior, ainda não decidi como serão apresentadas e desenvolvidas na narrativa – embora eu esteja inclinado a contá-las paralelamente. Isto será definido quando eu voltar ao texto propriamente dito.

Então, vamos aos fatos:

Viagem no tempo, provavelmente no tempo-espaço? Já sabemos que, até certo nível, a realidade de He nos remete diretamente a ficção-científica. Assim, optei por não fugir dessa idéia e, mais ainda, assumir definitivamente o tema. E o mistério envolvendo o jovem Lucas, aquele que simplesmente acordou no hotel, explica-se numa trama ligeiramente complexa e totalmente mergulhada na mais pura ficção-científica.

O acidente com o Transatlântico, na tarde de 13 de dezembro de 1996, causou dezenas de vítimas. Uma boa parte, fatais. Camila, irmã de Lucas, é um dos mortos. Já Lucas, fez muito mais do que sobreviver, perder a memória e ganhar a identidade de Olivier, ele foi simplesmente… dividido.

Um experimento cientifico (LHC também inspira) realizado por um grande Laboratório (droga, lá vem a famigerada Companhia-Dharma-Dynamics) está acontecendo abaixo do nível do mar, nas proximidades da ilha (curiosamente não há influencia de Lost aqui). Um pequeno erro de programação causou uma reação em cadeia que culminou naquele terrível acidente. Lucas estava em um ponto específico da superfície da ilha e foi afetado drasticamente pelo fenômeno. Ali, seu corpo foi dividido em dois. Um deles caiu inconsciente (aquele que viria a se tornar Olivier) e o outro, assustado em ver a si mesmo (achando que morrera e se tornara um espírito), tentou correr e foi atingido por outro fenômeno do acidente.

E desapareceu no ar.

Reaparecendo imediatamente numa espécie de aquário (já deu pra ver que adoro aquários), o campo de testes do Laboratório envolvido no experimento científico. Lucas de repente se vê caído num chão molhado e um homem correndo em sua direção, falando em inglês. Lucas desmaia.

O homem é um cientista, (nome…) Harry, e o reanima com uma injeção. Lucas acorda num fôlego e pergunta em português o que aconteceu. Harry continua a conversa na língua do garoto e pergunta o que ele viu na ilha.

Fenômenos interessantes e o que significam? Vamos pensar nos fenômenos primeiro.

Lucas fala sobre uma grande onda, e que tinha muito barulho, gritos, luzes, frio, um cheiro forte, e que faltava ar. Lucas diz que tinha visto a si mesmo caído no chão.

O que está acontecendo? Como Lucas foi parar lá?

Há duas opções: por mero acidente ou ele foi levado para lá.

Eu gosto mais da parte intencional. Mas pensarei nos detalhes depois. Por enquanto, o fato de Lucas ter sido tirado da ilha e levado para aquele aquário parece ser algo urgente. Então, algo urgente está acontecendo. Vamos pôr um pouco de ação nisso.

Um barulho de explosão estremece o laboratório. Lucas pergunta o que está havendo e Harry diz que eles não têm muito tempo para explicações precisas (afinal, eu preciso pensar nelas), que eles estão sob ataque.

Mas por que Harry estava fazendo aquilo, basicamente?

Ele explica rapidamente que o acidente na ilha foi causado por aquele laboratório onde estavam, e que alguns meses atrás ele mesmo tinha descoberto isto, mas fora afastado dali. Lucas reage ao “alguns meses” e fica ainda mais chocado quando descobre que se passaram exatos treze anos desde o acidente.

Harry conta que o laboratório vem trabalhando num experimento “quase ilegal” há quinze anos e que desde o acidente eles tentam esconder a verdade ao mesmo tempo em que procuram por ela, para descobrir o que deu errado. O problema é que o “errado” só aconteceria em julho de 2009. E foi Harry quem descobriu a causa, sendo afastado em seguida. Mas ele conseguiu finalmente entrar no laboratório e tranca-lo. Ali, recriou o fenômeno e provavelmente foi o que causou a duplicação de Lucas e seu teletransporte.

Então aparição de Lucas talvez não tenha sido exatamente proposital.

Detesto quando decido algo e escrevo algo controverso logo em seguida.

Corrijo isto depois. O novo caminho parece bom.

Harry foi descoberto e do lado de fora do laboratório está um verdadeiro exercito tentando entrar para pegá-lo.

Harry diz que precisa tirara Lucas de lá antes que eles entrem e que, assim que entrarem, ele Harry será preso. Lucas precisa ajuda-lo a derrubar o Laboratório.

Lucas pergunta como fará isso. Tenho algumas idéias na cabeça, mas parar para pensar nisso agora vai quebrar o ritmo. Solução fácil: arranjar um gancho e empurrar a resposta para mais tarde.

Harry entrega uma chave e um pen-drive para Lucas, informando para o garoto do passado que aquilo era um disquete de computador sofisticado e conta que ali havia uma série de documentos e instruções que o guiariam, mas estavam em inglês (não vou facilitar tanto assim para Lucas), e que a chave era de um malote de aeroporto onde havia uma mochila com dinheiro e outras coisas que poderiam ajuda-lo, inclusive vários endereços (sinto que vários endereços e pessoas serão importantes para a trama).

Lucas pergunta como eles vão sair dali. Harry responde que precisará ficar para apagar todos os dados da operação e tentar impedir que eles descubram para onde Lucas foi. “Mas você será preso”, Lucas reclama, e Harry diz que não faz diferença porque ele só ficará preso a partir de agora, Lucas deve encontrá-lo antes disso. “Me conte tudo, tudo o que sabe. Eu vou acreditar em você”.

Lucas não entende o que ele quer dizer e Harry diz que Lucas terá que viajar no tempo-espaço outra vez, sozinho (não vou mesmo facilitar para ele), que é o único modo de sair de lá. Lucas fica indignado. Harry diz que Lucas ficará bem, que o pen-drive e a chave são tudo o que ele precisa para começar.

Lucas tenta discutir a opção. Harry conta que tem um problema cardíaco e que a viagem pode matá-lo. Lucas percebe que não tem opção, se ficasse, também seria preso e provavelmente enfiado em algum tubo de ensaio.

Lucas pergunta para onde vai. Harry diz Holanda, onde estava a mochila. Quando? Harry conta que o laboratório certamente descobrirá que uma pessoa foi transportada na máquina e que procurariam por ela. Por isso Lucas tinha que ir para o passado, onde seria mais fácil se esconder, e quando Harry ainda não estaria preso. Lucas deveria viajar para uma data intermediária entre os dias 13 de dezembro de 1996 e 2009, mas que muito no passado seria inútil, então alguns meses era o bastante.

Quando?, Lucas repete. Março de 2009. Tempo o bastante para Lucas se recuperar fisicamente do acidente e procurar por Harry.

Harry então manda Lucas para o passado.

Lucas foi tirado do dia 13 de dezembro de 1996 para aparecer nesta data em 2009 e ser mandado para 13 de março, nove meses antes. Tudo isso envelhecendo apenas 23 minutos.

Cerca de 80% dessas informações em forma de parágrafo surgiram num período de 4 horas. E foram afinadas e lapidadas em mais umas 2 horas de trabalho.

Como pode ser visto, muitos elementos foram acrescentados à trama (Harry, o pen-drive, a mochila, Lucas sozinho na cidade onde sabemos que Olivier vive), mas nada explica como Lucas fala francês tão bem (e o texto principal mostra que ele fala e não gosto da idéia de mudar isso) ou mesmo por que marcou um encontro com si mesmo, ou perdeu a memória ou estava naquele quarto.

Estes pequenos detalhes serão desenvolvidos no próximo e ultimo post desta primeira fase da primeira edição do Projeto Aquário.

Depois disso, começo a pisar em terreno novo.

Tenho muitas notas e anotações com o que imagino para esta história, mas nenhuma delas esta definida. Cheguei a um ponto especifico da historia e estou levando-os até ele.

Depois disso, estaremos juntos no mundo desconhecido das idéias e infinitas possibilidades do imaginário. Este magnífico mundo da Criação.

Aquário – He – Parte 3

2 02UTC Março 02UTC 2009

Por que Lucas acordou num quarto de hotel treze anos depois de ter ido dormir no seu próprio quarto e sem ter envelhecido uma única ruga?

O primeiro passo antes de voltar à história era entender os antecedentes. A parte da viagem temporal já estava definida, mas ela não explica nada. Então, quem eram aqueles dois Lucas? Como eles eram a mesma pessoa? E qual deles era o original?

Como Lucas surgiu para mim antes de Olivier, decidi que Lucas é realmente o nome original do personagem. E para tornar o personagem mais humano, dei uma data de nascimento para ele: 17 de janeiro de 1979. Assim, quando ele dormiu em 30 de novembro de 1996 ele tinha pouco menos de 18 anos, e deveria ter quase 30 quando acordou em 14 de dezembro de 2009.

O que aconteceu entre essas datas? Isto será respondido aos poucos. Agora, fico com: definida a identidade original dos personagens, como Lucas se tornou Olivier?

Foi na madrugada de 19 de outubro de 2008 que eu encontrei a resposta.

Eu já sabia que Lucas e Camila, sua irmã, tinha uma viagem marcada para o dia 01 de dezembro de 1996 e que eles iriam para a Capital onde Camila começaria um novo emprego. Mas e os detalhes?

O que Camila fazia e onde trabalharia?
Aos trinta anos, ela finalmente tinha se formado em medicina. Mas o salário de residente era muito baixo, então ela decidiu aceitar a indicação de um amigo e ser enfermeira num cruzeiro. Este mesmo amigo conseguiu fazer Lucas entrar clandestinamente, já que funcionários não podiam levar acompanhantes na viagem.

Lucas e Camila acordaram normalmente naquela manhã de domingo e foram para a Capital, onde realmente embarcaram no transatlântico.

Dia 13 de dezembro, uma sexta-feira, o navio ancorou numa ilha para passar o final de semana e um grave acidente matou dezenas de pessoas. Entre eles, Camila e o amigo dela. Lucas ficou gravemente ferido e foi internado sem identidade – assim como algumas outras pessoas.

As vítimas foram levadas para um hospital na Holanda (decidi usar mesmo este país). Algumas sem identidade morreram e outras, quando acordaram, revelaram seus nomes. O caso de Lucas, porém, foi diferente e bem interessante.

Ao acordar, Lucas não conseguia se comunicar com ninguém já que todos ali falavam francês. Embora seus pensamentos fosse em português, a falta de estímulo o impedia de pronunciar as palavras que conhecia. Então um enfermeiro falou algo em inglês perto dele e Lucas entendeu.

Mas como sabemos, Lucas apenas conhece algumas palavras do idioma americano, o que é o bastante para considerarem sua língua natal. Já a dificuldade de comunicação mesmo em sua própria língua é vista como um efeito colateral do trauma já que, conversando com Lucas, rapidamente os médicos constataram que o traumatismo causara uma perda total de memória. Para piorar, seus dedos foram queimados no acidente, o fazendo perder as impressões digitais, e nenhum banco de dados no mundo reconhecia a estrutura da sua arcada dentária. Fotos de Lucas foram divulgadas na mídia internacional, mas, como sabemos, Lucas veio de uma cidadezinha muito pequena e ninguém jamais o reconheceu.

A partir daí, com a ajuda de amigos que fez no hospital e alguns advogados muito competentes, Lucas ganhou uma nova identidade: Olivier, 22 anos, nascido em 17 de dezembro (o dia em que acordou do coma) de 1974 (ano dentro do limite aproximado de sua data de nascimento original estipulada pelos médicos – 74-78, embora ele tenha nascido em 79). Olivier também recebeu uma ostensiva indenização da empresa Transatlântica.

Foi assim que Lucas se tornou o apatriado Olivier. Que ao sair do hospital, decidiu continuar vivendo na cidade onde estava: Amsterdã. E onde, anos mais tarde, encontraria a si mesmo num quarto de hotel.

A partir de agora, o mistério fica mais complicado. Como Lucas, que já sabemos ter acordado normalmente na manhã de 1º de dezembro de 1996, voltou um dia no tempo e acabou acordando treze anos no futuro?

Isso é tema para o próximo post.

Aquário – He – Parte 2

26 26UTC Fevereiro 26UTC 2009

O primeiro suspiro de História extraordinária foi aquela “introdução” dizendo “Existe uma história…” e que conta que um garoto se apaixonou por si mesmo. Esta introdução, como pode se desconfiar, não precisou de pensamentos muito longos ou complexos. Na verdade, as primeiras e ultimas palavras foram conectadas num espaço de dois, talvez três minutos.

A maior parte das minhas histórias nascem assim, de um espirro.

Nesta introdução, eu defini qual seria o tema principal da história: jovem acorda misteriosamente numa cidade desconhecida e vive uma insólita historia de amor ao se apaixonar por si mesmo. E também escolhi o nome do personagem: Lucas (uma escolha rápida, já que este nome está para mim como Helena está para Manoel Carlos).

Agora só faltava criar o contexto.

E então veio uma série de perguntas.
Em qual cidade? Uma real ou fictícia? Achei melhor ao menos citar uma cidade real.

E como Lucas se apaixona por si mesmo?
Dupla personalidade? Uma manifestação física do seu próprio eu?
Eu gostava da primeira idéia, mas queria que o romance fosse algo físico e não psicológico. Então a descartei, embora não achasse a segunda tão atraente.

E como um não se reconheceria no outro?
Ai foi simples: os dois Lucas teriam idades diferentes. Dez anos talvez fosse o bastante para fazer com que o Lucas velho não se parecesse em nada o Lucas jovem. Eu sei como poucos anos podem deixar uma pessoa irreconhecível, quem dirá dez.

Depois disso, definir como eles se encontrariam, e onde, precisou de longos e longos minutos de papo-cabeça (pensar). E no final desse tempo, não senti que tivesse chegado a qualquer conclusão válida então, na dúvida, deixei a história correr e simplesmente comecei a escrever. Foi quando surgiu aquela segunda parte que foi publicada (“Lucas foi dormir ao anoitecer do dia…”).

Eu deixei as idéias fluírem sem qualquer ordem, fazendo perguntas no texto que na verdade fazia a mim mesmo e já fazendo anotações mentais para as possíveis respostas. A única imagem que eu tinha era a diferença entre os garotos: um, uns dezoito-vinte anos, o outro, mais de trinta.

Um momento divertido foi quando escolhi (exatamente enquanto escrevia) qual seria o nome do outro Lucas, e quando escrevi Olivier imediatamente surgiu a brincadeira do idioma que achei particularmente inspirada (correndo o risco de ser o único a achá-la interessante, claro). Mas fiquei em dúvida se deveria ou não situar a história na França, e ilustrei isso fazendo a pergunta, embora tenha decidido o que fazer e dado a resposta imediatamente depois.

O local não estava claro, ainda, embora eu já soubesse duas coisas: os personagens estavam na Europa, mas não na França. Comecei a pensar em paises que falassem o idioma, mas parei de pensar logo no primeiro (Holanda), não queria me prender a este detalhe agora.

E voltei a ação do momento: os dois Lucas tinham se encontrada, sob as identidades de Lucas e Olivier. E eles tinham um encontro marcado. Como? Por quê? Por quem? Para não perder o clima, decidi pensar nas respostas depois e dei continuidade a ação. Fiz Olivier entregar algo a Lucas (não fui capaz de pensar em nada mais interessante do que um misterioso envelope roxo. O conteúdo? Vai saber.) e, para me dar tempo de pensar sem fazer a historia parar, inventei a intervenção de outros personagens. Eu não queria continuar naquele quarto, tinha que caminhar para encontrar as respostas e dois estranhos armados parecia a desculpa perfeita para tira-los de lá.

Eventualmente isso acontece comigo: eu só descubro o que está acontecendo quando meus personagens descobrem. Okay, com alguns segundos (raramente minutos) de antecedência, mas nunca com muita vantagem.

Particularmente reconheço que detesto aquele diálogo estúpido entre Olivier e o cara de toalha, e na hora percebi que aquela rápida troca de informações poderia atrapalhar o proceder da trama, mas eu poderia corrigir aquilo num segundo tratamento. Então, “até depois”.

Enquanto Olivier e Lucas fugiam do hotel, percebi em que situação estava colocando o garoto. Olivier certamente era alguém perigoso. Bom ou mau, não importa (com certeza bom), andava armado e certamente não era policial. Então: perigoso. E agora perseguido, o que certamente colocava Lucas em perigo já que eu não tinha a menor intenção de separa-los tão cedo. E de novo a pergunta: do que se tratava aquele encontro. Ele estava lá claramente por causa de Lucas e Lucas não o reconhecia. Neste caso, Olivier fora lá por causa daquele Lucas ou por causa de algum Lucas?

(Foi curioso perceber que o que deveria ser uma história de amor estava se transformando numa trama de ação e, provavelmente, conspiração. Só faltava uma grande corporação estar por trás do mistério. Oops. Será possível que vou cair num clichê desses?)

Já no carro, dei um leve prosseguimento a trama e a dinâmica entre os dois personagens. E assim que Lucas começou a desabafar seus receios, percebi a coisa mais importante que estava acontecendo. E revelei isto nas últimas frases.

Parei ai. Eu já tinha informações básicas suficientes e o texto já estava instável e confuso demais para continuar nesse ritmo. Se eu continuasse, ele cresceria ficando ainda mais confuso. Decidi começar a acertar os detalhes da trama antes de voltar ao texto.

E são esses detalhes que serão discutidos no próximo post. Agora é que a coisa fica interessante.

Aquário – He – Parte 1

26 26UTC Fevereiro 26UTC 2009

Antes de mais nada, peço desculpas pelo atraso de meses no desenvolvimento desse projeto. Vários acontecimentos pessoais me impediram de dar a justa e mesmo a mínima atenção que o projeto merecia, já que compilar a enorme quantidade de informações que tenho a respeito dessa primeira edição do Aquário exigiu nada menos do que todo o feriado prolongado sem interrupções (“felizmente” minha viagem programada não aconteceu).

À partir de agora, porém, fico feliz em dizer que estou ligeiramente adiantado para as próximas semanas. E de hoje em diante, acredito que será possível fazer atualizações semanais do desenvolvimento de História extraordinária.

E também peço desculpas de antemão pela falta de estrutura que poderá incomodar a leitura dos textos. Como é um projeto experimental, preciso de tempo para encontrar o timing perfeito. E isso, comumente, pode levar algumas semanas.

Dito isto, abaixo da linha está a primeira parte da primeira edição do Projeto Aquário.

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Em mais de dez anos, eu nunca desenvolvi uma história antes de definir o título. Muitas vezes, adaptava a trama em prol desse nome, e pouquíssimas vezes modifiquei o nome em favor da trama. Por isso, fico estranhamente surpreso em perceber que, meses depois de ter começado a escrever esta história, ainda não escolhi seu título provisoriamente definitivo. O que me faz pensar na hipótese de não haver título melhor do que este: História extraordinária.

Aquário e Futuro

22 22UTC Outubro 22UTC 2008

Peço desculpas por ainda não ter publicado nenhuma seqüência do Projeto Aquário. Poucos comentários foram feitos diretamente no/pelo blog, a maior parte das opiniões recebi de amigos e conhecidos por e-mail e, embora História extraordinária tenha recebido um número maior de votos, todos os votos para Magnólia foram mais apaixonados, o que me deixou em dúvida.

Contudo, esta é apenas uma das razões do meu atraso. Há dois outros motivos mais importantes: a) evito escrever trabalhos pessoais quando estou na Eventos e b) nas horas vagas tenho trabalhado exaustivamente  em 2 roteiros, ambos já no terceiro ato, que pretendo concluir até o final de novembro. Eles são: “Hora de voltar” (sim, mesmo título em português do primeiro longa de Zach Braff, cujo tema não se assemelha em nada ao meu projeto) e “Pequenos acidentes“, adaptado ou inspirado em um famoso romance brasileiro (a história desse roteiro (como propriedade), aliás, vem me causando muitas dores de cabeça).

A idéia é inscrever ambos os roteiros em certos concursos para 2009 e, de preferência, produzi-los neste ano que vem.

Mas prometo, muito antes disso, continuar o Projeto Aquário – que renderá uma de duas coisas: um belo livro ou uma série formidável.

Começando…

12 12UTC Setembro 12UTC 2008

Para quem não sabe, trabalho com marketing presencial (também conhecido como Eventos) em um (grande) Grupo de comunicação; como redator. Sou novo por aqui e concluí na semana passada meu primeiro dificílimo job. ;)

Como não poderia deixar de ser, após uma semana quase inteira de ociosidade, que me permitiu focar em assuntos pessoais como o blogue, minhas finanças, minha saúde e minha complicada vida de relacionamentos não-familiares, ontem a noite e hoje assumi parte da responsabilidade por alguns novos cases - e ficou claro que uma avalanche de novidades está prestes a desabar: ôba!

Me desejem sorte.

Enquanto isso, aguardo comentários e votos. Não sei se dei a entender, mas o plano é que os leitores decidam qual das duas histórias apresentadas nos dois últimos posts será desenvolvida publicamente.

De novo, aguardo seus votos e comentários e, se Deus quiser, segunda-feira poderei publicar o primeiro segundo texto de criação do Projeto Aquário.

AQUÁRIO – Magnólia

11 11UTC Setembro 11UTC 2008

“Cada dor ou alegria, são cinco.”

Esta é a chamada de assinatura dessa história concebida para um formato episódico. A princípio, imaginei uma típica série (mas com uma única temporada) de vinte e dois episódios. Mas achei que seria tempo demais para acompanhar uma história como essa, que é pesada e melancólica, então reduzi para (hoje) oito episódios.

Este é o argumento:

Magnólia

A história é sobre um grupo de cinco amigos, Marcelo, 19; Bernardo, 17; Flávia, 18; Leandro, 16; Daniela, 16. que lidam com um cotidiano comum de adolescentes, com dilemas da vida dentro e fora de casa. Mas tudo muda quando uma tragédia atinge suas vidas de forma irreversível.

A trama se inicia quando Bernardo vai desesperado atrás de Marcelo para contar que Daniela foi estuprada e morta. A partir disso, a história se divide em duas narrativas, o passado e o presente. Em cada capítulo, descobrimos parte do passado destes cinco amigos (por isso a história também é sobre Daniela, que pelos flashbacks conhecemos quase tão bem quanto aos outros) e acompanhamos o desenrolar de suas vidas.

Ao início de cada capítulo, assistimos alguns minutos do último encontro dos cinco, que se reúnem coloquialmente na casa de Leandro ou Marcelo. Este encontro é importante, pois revela pontos estratégicos sobre a personalidade de cada um deles. Ainda sob os efeitos de um recente acontecimento, eles estão vulneráveis e acabam dizendo e fazendo coisas que sempre evitaram ou simplesmente nunca disseram.

Um dos principais temas do desenrolar da série é a reação dos amigos à tragédia. Enquanto Marcelo tenta manter o grupo unido, cada um dos outros se limita a sua própria dor e escape. Leandro atravessa o menor arco dramático do grupo, mas ainda assim sua história é comovente. Mais jovem e ingênuo do que os amigos, é ele quem assiste assombrado as mudanças sombrias que eles sofrem no decorrer da história.

Flávia é de uma família muito rica, e era o alvo dos seqüestradores que acabaram levando Daniela por engano. Com isso, Flávia sente-se extremamente culpada e acaba sofrendo algumas crises nervosas que quase a levam para o hospital. Tentando lidar com seus sentimentos, ela apela para algumas drogas e bebidas leves, o início de uma jornada que a destruirá completamente.

Marcelo sempre foi considerado o líder do grupo e agora age em vão para tentar recuperar o que restou de seus amigos. Ele simplesmente não consegue fazer nada enquanto assiste seus companheiros se afastarem uns dos outros.

Mas é Bernardo quem mais muda depois da tragédia: decidido a se vingar, ele mergulha de cabeça no submundo, disposto a usar a incrível fidelidade do Crime Organizado para encontrar os responsáveis pela morte de Daniela. E é através disso que ele fará mais sacrifícios do que qualquer outro, ultrapassando todos os limites de sua humanidade.

AQUÁRIO – História extraordinária

11 11UTC Setembro 11UTC 2008

É claro, este não é título final dessa história. Na verdade, apesar de fazer apenas quatro ou cinco meses que escrevi o primeiro esboço, até hoje não consegui chegar a um título adequado então deixei esse provisório mesmo. Mas me adianto, pretendo publicar detalhes quando a história for definida.

Abaixo, publico uma introduçãozinha que serviu de “trailer” para o que, até então, seria um conto. E, em seguida, publico o primeiro esboço (praticamente intocado desde então). Com o tempo ele será devidamente melhorado, de forma que fique mais claro e menos confuso – algumas pessoas acham confuso.

Introdução:

Existe uma história que sempre me fascina quando me lembro, mas ao mesmo tempo me entristece porque o final fica em aberto, ou seja, não da resposta às principais dúvidas que a própria trama estabelece, o que não chega a ser ruim, já que o “roteiro”, por assim dizer, é muitíssimo bem elaborado e construído – as tais lacunas são justamente a intenção da história. História, afinal, que é sobre um rapaz numa cidade estranha: ele se chama Lucas e tem uns dezessete ou dezoito anos, ou talvez um pouco mais, é difícil dizer já que ele parece tão jovem e mesmo assim carrega traços indubitáveis de alguém com vinte e poucos e pesados anos. A história de Lucas pode parecer simples e clichê se considerarmos apenas a parte do “garoto novo na cidade que não conhece nada nem ninguém e acaba se apaixonando pela última pessoa de quem devia se aproximar”. Sim, ele vive uma história de amor. Mas há duas coisas que fazem da história de Lucas uma história surpreendente e inesquecível: primeiro, ele simplesmente acordou numa cidade da qual nunca ouviu falar (o que talvez não signifique muito já que ele viveu toda sua vida numa cidadezinha minúscula da qual a maioria das pessoas também jamais ouviu falar); segundo, ele se apaixonou por ele mesmo, sem saber quem era – nenhum dos “dois”.

História extraordiária

Lucas foi dormir ao anoitecer do dia trinta de novembro de mil novecentos e noventa e seis. Tinha que acordar muito cedo no dia seguinte já que ia viajar com a irmã e o ônibus sairia às cinco e dez da madrugada. Mas quando ele acordou e percebeu a forte claridade solar, denunciando cerca de oito ou nove horas da manhã, deu um pulo da cama achando que a irmã não o acordara porque tinha passado mal – ele nem se preocupou por ter perdido o ônibus, seu medo era a causa do atraso, que poderia ser mais uma das dolorosas crises de Camila. Contudo, o pensamento de preocupação de Lucas foi um simples reflexo resultado do susto de sentir o sol alto; dois ou três segundos depois de acordar, Lucas estava em pé e estático e pasmo: ele nunca vira o quarto onde estava agora, e certamente não era marulho o som que vinha de detrás das paredes, tão pouco o Atlântico aquela cordilheira cinza e branco-sujo que ele encarava na direção onde deveria estar vendo o horizonte. E então os joelhos de Lucas o levaram subitamente para mais perto do chão, fazendo-o trocar a estabilidade por uma espécie de tremedeira e a pasmaria por um pavor calculado: teria ele passado mal durante e noite e sido levado para um hospital? Mas certamente aquele não era no Hospital Santo Calada, no centro… Teria então o ônibus de Lucas sofrido um acidente e o garoto sido um dos sobreviventes resgatados e levados para algum hospital da capital? Teria ele, Lucas, estado em coma? Por quanto tempo? Lucas levou as mãos até o rosto a fim de se certificar de ataduras, curativos, cicatrizes ou traços de envelhecimento. Mas mesmo a barba estava do mesmo jeito que costumava estar no terceiro dia após o barbear – e ele se lembra perfeitamente de ter feito a barba na sexta-feira, sábado tinha almoço de despedida na casa do tio Felipe.

Mas então Lucas percebeu algo ainda mais importante do que a inexistência de aparatos médicos, marcas de acidente ou uma ruga de velhice que poderia ter revelado o transcorrer de dez ou quinze anos dentro de um longo coma. Lucas percebeu que não estava num quarto de hospital, mas sim – e ele sabia reconhecer já que já tinha visto um numa das revistas de sua irmã – num apartamento de hotel. E era um hotel de luxo – muito parecido com os que ele vira nas revistas. Lucas se perguntou por que cargas d’água pensou que estava num hospital já que era só olhar em volta, para a cama por exemplo, para ver que nada ali se assemelhava a algo que pudesse estar num hospital. Hospitais não têm camas de casal de quase três metros de largura e com quatro, cinco, seis! travesseiros para uma única pessoa dormir! Nem têm mesas com telefone, prateleiras com antigüidades, tapetes (persas?), tapeçarias (tapeçaria também pode ser persa?). Lucas olhou para cima e viu um teto coberto de espelho, e percebeu pelo seu reflexo que não parecia muito diferente do que tinha visto no espelho do banheiro na noite anterior – seria a anterior? Na verdade, ele não tinha nada de diferente, nem mesmo a roupa! A mesma e usada e traçada roupa que ele usava para dormir nas noites quentes – trajes que consistiam numa camiseta sem mangas e um short que ficava pouco acima dos joelhos; sem cuecas.

Quem olhasse Lucas agora até pensaria que ele não estava mais assustado – o que estava. Mas, acima disso, ele estava impressionado e com uma curiosidade quase venenosa para saber o que tinha ou estava acontecendo. Onde ele estava, pra começar? Aliás, pra começar era melhor ele saber como tinha ido parar lá? Ou será que uma coisa pode responder a outra? Lucas não sabia nem por onde começar para encontrar respostas, e decidiu então se mexer para começo de conversa. Ele estava nervoso, por isso se repetia tanto em pensamento. Ele se mexeu e procurou por algo perto da cama que pudesse usar para calçar. Mas não encontrou e achou que poderia andar descalço pelo apartamento já que todo o chão parecia coberto pelos tapetes e carpetes. Ele experimentou o telefone então, para tentar chamar alguém. Uma mulher atendeu, e foi muito gentil, solicita. Lucas perguntou quem estava falando e ela respondeu seu nome. Ele perguntou onde estava e ouviu o nome do hotel e então a moça perguntar se ele gostaria de algum comprimido, o que fez Lucas pensar de novo em hospital, mas imediatamente ao mesmo tempo sentir que a mulher estava achando que ele estava com uma pesada ressaca. Lucas disse que não queria e pensou rapidamente se devia ou não pedir que alguém fosse até ele. Lucas acabou não pedindo nada, ouviu um barulho de porta se abrindo e fechando e passos no cômodo ao lado. Ele ficou em silêncio, como se se preparasse para o que quer que pudesse vir da sala ao lado, e lentamente levou o telefone na direção do gancho. Em coro, o telefone se encaixou no gancho e um homem surgiu na entrada do quarto onde Lucas, tudo indicava, passara a noite. O homem, perto dos trinta anos, para menos ou mais, olhou para Lucas e não disse nada imediatamente, parecia surpreso. Então sorriu e perguntou se ele era Lucas. Lucas respondeu que sim, que era Lucas, e o homem foi até ele para cumprimentá-lo com um aperto de mão. Ele não disse seu nome, mas disse que veio um pouco mais cedo, desculpe. Lucas perguntou. O nome. Ele respondeu: não se preocupe, sou eu mesmo. Eu quem? Lucas perguntou. Ele olhou curioso e divertido para o garoto e disse num tom gracioso e teatral: muito prazer, sou Olivier. E de repente, num susto, Lucas percebeu algo que definitivamente o assombrou mais do que qualquer outra coisa, denunciando sem sombra de dúvidas que algo inexplicável e – por que não dizer? – perturbador estava acontecendo: ele estava falando francês! Ele, Lucas, que no máximo conseguia cantar algumas músicas em inglês! E mesmo assim só lendo a letra. Como ele podia estar falando francês com – e agora isso estava nítido – um homem francês? E como ele fora parar naquele hotel francês? Lucas se perguntou se seria ou não um susto descobrir agora que estava na França.

Lucas perguntou a Olivier quem ele era e o que ele, Lucas, estava fazendo com ele, Olivier, num quarto de hotel de luxo em plena França. Olivier riu e disse que bem gostaria de estar na França. E então Lucas se lembrou de que provavelmente teria visto a Torre Eiffel pela janela se estivesse na França – presumivelmente os melhores hotéis estão em Paris, e os melhores quartos sempre têm vista para o monumento. Mas o que ele via era só um amontoado de prédios e apenas um ou outro tufo ocasional de árvores muito verdes quebrando o clima paradoxalmente invernal da cidade que tinha aquele sol magnífico como coroa. Lucas voltou a perguntar o que eles dois faziam ali e Olivier sorriu, mas desta vez com menos convicção. Lucas sentiu que ele estava se sentindo pressionado. Olivier levou a mão para dentro do casaco, procurando algo nos bolsos, e tirou um envelope azul escuro (a mesma cor do terno dele) e curiosamente espesso. Olivier entregou o envelope para Lucas. Lucas recolheu o envelope com cautela e curiosidade. Então os acontecimentos a seguir se seguiram numa questão de dois ou três segundos: Olivier puxou Lucas para si ao mesmo tempo em que levou a outra mão para dentro do casaco e puxou uma pistola, o envelope caiu da mão de Lucas, que tropeçou numa dobra do tapete e também caiu, mas sem alcançar o chão, já que foi segurado por Olivier, que então o dirigiu para trás de si, nitidamente se oferecendo de escudo contra uma potencial ameaça que surgira de repente: outro homem, só de toalha, protegendo-se atrás de uma parede (claramente visível por um espelho na parede depois dele) e empunhando uma pistola pronta para disparar. Olivier fez Lucas ficar de pé outra vez, mas o manteve atrás de si, e ficou preparado para apertar o gatilho. O homem de toalha perguntou quem eram eles. Olivier perguntou quem ele era. O homem disse que era o hóspede do quarto e disse que ia chamar a segurança se eles não se apresentasse imediatamente. Lucas sentiu que a mão de Olivier que o agarrava pelo braço afrouxou ligeiramente a pressão. Olivier, com um tom estranho na voz, apresentou-se para o hóspede do quarto, começando a baixar a arma, e disse que era uma exigência do acordo ele, o homem de toalha, estar sozinho. Então o homem respondeu que estava sozinho e que ele, Olivier, é quem não devia ter trazido amigos. Lucas já estava de pé quando o homem terminou de falar, e sentiu com uma ponta de preocupação o olhar de Olivier recair sobre ele. De repente, Lucas sentiu que estava encrencado. Mas então Lucas olhou para o homem refletido no espelho e percebeu um movimento suspeito: o homem esticava um braço e fazia um gesto com a mão, como se espantasse um inseto, ou alguém. Lucas olhou na direção da outra porta que levava ao quarto e com isso fez com que Olivier olhasse também. Ambos ficaram tensos quando viram uma sombra vagarosa vindo do cômodo ao lado e Olivier perguntou muito baixo para Lucas se ele realmente se chamava Lucas. Lucas disse que sim e Olivier respondeu que confiava nele. E então tudo aconteceu muito rápido novamente: Olivier disse para Lucas pegar o envelope, Lucas obedeceu e sentiu imediatamente a mão de Olivier o segurando pela nuca e o mantendo abaixado, Olivier deu um tiro na moldura do espelho que refletia o homem de toalha, que se protegeu ainda mais atrás da parede, e o espelho tombou da parede, a sombra que Lucas e Olivier viam surgir se afastou como um demônio da cruz, uma porta bateu com estrondo perto de onde a sombra estava e um segundo tiro foi disparado, mas pelo homem de toalha, que quase gritou de raiva quando viu Lucas e Olivier saindo pela porta que levava para o corredor.

Olivier fechou a porta quando saiu, e deu um tiro na fechadura eletrônica. Lucas não estava exatamente tremendo, era apenas a sua circulação sangüínea acelerada que o fazia parecer vibrar. Lucas, na verdade, estava como se anestesiado com tudo o que estava acontecendo. Tudo aquilo era mais extraordinário – no sentido de inacreditável e impossível – do que um sonho ou um filme de ação. E definitivamente Lucas não gostava daquele filme do Exterminador do Futuro e sem dúvidas ele estava bem acordado, pois jamais sentira alguém apertar sua nuca com tanta força quanto aquele Olivier. E agora seu braço. Enquanto Olivier guiava Lucas por elevadores de serviço, escadas e ambientes cujas portas de acesso tinham a indicação acesso restrito, enquanto pessoas os olhavam assustadas, outras indignadas, e enquanto Olivier demonstrava medo, apreensão e receio pelo que estava fazendo, Lucas não conseguia se preocupar demais com aquilo. Sua preocupação não era com o que estava acontecendo, ou mesmo saber o que estava acontecendo, mas sim o por que dele estar ali, no meio daquilo tudo. Lucas queria saber onde estava sua irmã e por que ele não estava no ônibus para a capital agora, ele queria saber em que cidade estava e por que cargas d’água todo mundo ali – todo mundo mesmo – estava falando francês!

Lucas só voltou a ouvir a voz de Olivier alguns minutos mais tarde, quando eles alcançaram um belo carro prateado no estacionamento do hotel e entraram nele. Olivier disse para Lucas pôr o cinto de segurança. E então demorou mais alguns minutos para voltar a falar. Olivier dirigia rápido, preciso e ousado no trânsito, mas sempre em ruas pequenas. Mas finalmente ele desembocou, ao final de mais uma ruazinha, numa grande avenida. Eles agora estavam escorregando para um interessante congestionamento provocado por um semáforo lento duzentos metros a frente. Olivier pareceu aliviado ao chegar nesse ponto do tráfego e pela primeira vez desde pouco depois do seu aperto de mão minutos atrás – e parecia até que pela primeira vez na vida, tamanha a intensidade da sensação – ele deu um sorriso divertido.

Lucas então perguntou o que estava acontecendo. Olivier respondeu que é ele quem devia responder essa pergunta. E pergunta quem eram aquelas pessoas no quarto dele. Ele devia ter se precavido e não deixado ninguém entrar. Lucas responde que nunca tinha visto aquele homem antes, e diz que também não conhece a ele, Olivier. Olivier diz que eles dois com certeza não se conhecem, pois apenas conversaram por e-mail. Lucas responde que não acessa o e-mail que ganhou no cursinho há mais de seis meses. Olivier faz um gesto com o lábio, parece que não entendeu a piada. Mas Lucas diz que não é piada, que está falando sério. Que ele não faz idéia do que está acontecendo. Que foi dormir ontem como foi dormir anteontem e em todas as outras noites de sua vida e que hoje acordou num quarto de hotel com um monte de homem armado falando francês e atirando um no outro. Lucas diz que devia estar viajando com Camila agora, indo para capital finalmente, já que a garota tinha conseguido um ótimo emprego. Lucas então sente uma sensação de formigamento entre os olhos e pergunta o que aconteceu com sua irmã.

Olivier olha fixamente para Lucas até que o carro de trás buzina para alertá-lo quanto ao tráfego fluente. Olivier anda alguns metros com o carro, até o semáforo fechar de novo e os carros pararem de novo. Então volta a olhar fixo para Lucas. Lucas olha para ele de volta e pergunta se por acaso ele, Lucas, sofreu um acidente e perdeu a memória depois que acordou e agora acordou de novo com todas as antigas memórias e sem as “recentes”. Olivier então responde que já perdeu a memória uma vez. E que não sabe quem era antes dos vinte e dois anos. Lucas pergunta quantos anos ele tem agora. Trinta e três, de acordo com sua nova identidade. Os médicos lhe dão, porém, entre vinte nove e trinta e quatro anos – hoje. Lucas pergunta por que ele escolheu aquela idade, vinte e dois, e Olivier responde que seu médico, na verdade residente, tinha essa idade e que foi a única pessoa que o ajudou de verdade em sua recuperação. Foi seu único amigo. Lucas, impressionado, pergunta se é possível que ele tenha perdido a memória também. Olivier diz que não é impossível. Lucas pergunta em que data eles estão. Olivier responde quatorze de dezembro e Lucas treme involuntariamente.

Lucas diz que ontem, quando foi dormir, era trinta de novembro. Olivier o olha preocupado. Comenta que ele dormiu exatamente duas semanas. Lucas olha para a rua, inconformado com a nova descoberta, e vê um painel eletrônico na rua informar a data: 14 de setembro, segunda-feira. Lucas pergunta se hoje não é sábado. Olivier diz que não. Lucas diz que foi dormir na noite de sábado para domingo. Olivier responde que então não foi no dia trinta, pois o último dia trinta foi numa segunda-feira também. Sem saída, sem perceber e sem outra razão a não ser o desencontro de informações, Lucas pergunta em que ano eles estão. Olivier responde com um riso que é dois mil e nove. Mas imediatamente pára de ver graça na pergunta e na resposta quando vê a expressão aterrorizada no rosto do jovem e desconhecido Lucas.

Criando cardume…

11 11UTC Setembro 11UTC 2008

Um dos momentos mais fascinantes do ótimo Mais Estranho que a Ficção é quando a escritora Kay Eiffel, personagem de Emma Thompson, escreve algumas palavras em sua máquina de escrever e ouve o telefone tocar.

Com apenas e mal-experimentados vinte e dois anos, não conheço nada mais fascinante do que escrever.

O processo de criar e desenvolver uma história, para mim,  sempre foi algo muito maior do que jamais poderei explicar. Inclusive quando é outro quem cria. Sempre que vejo, leio, ouço uma história, fico imaginando em que momento o autor chegou a certa conclusão ou tomou tal decisão. Da mesma forma, quando escrevo, percebo que a partir de determinado instante a história ganha vida própria e, quando chego a um ponto em particular, penso que não poderia ter sido diferente. Assim, imagino que uma história é como o destino: certas coisas no futuro estão determinadas (o desejo do “autor”), mas o caminho até lá é imprevisível – no máximo, vísível a partir de certo ponto, como quando vislumbramos uma ou duas frases no pé da página.

Porém, algumas vezes, o caminho trilhado pode mudar completamente os “planos” iniciais e, assim, o destino do personagem (até então imutável) toma um novo e inesperado rumo.

Aonde pretendo chegar com toda esta longa introdução? Ao anúncio oficial de que o blog “Continuação.” começa um novo capítulo e dá início, a partir de agora, ao Projeto Aquário.

Desenvolver uma história de forma aberta.
Este é o plano.

Freqüentemente publicarei textos mostrando a história em seus diversos estágios, desde a premissa, personagens principais, até o desenrolar da trama (e suas subtramas) e desfecho. Sempre que possível, os textos serão acompanhados por “anotações” que tentarão explicar minhas motivações e idéias.

Além disso, conto com a colaboração dos leitores para continuar o projeto, analisando e trabalhando com seus argumentos e sugestões para a história.

Mas… Qual história? Como driblar meu orgulho e abrir mão do grande trunfo de todo autor: fazer acreditarem que tudo estava pronto desde o início?

Qual história? Uma totalmente nova, criando personagens e premissa a partir do nada, ou algum dos meus queridos e superprotegidos botões?

Foi difícil decidir, mas optei por uma das minhas mais recentes criações. Ou ainda não, melhor dizendo. Ou duas, melhor ainda.

A seguir: História extraordinária e Magnólia.

P.S.: A figurazinha-”logo” aí em cima é beeem pedestre mesmo. É que eu sei escrever, desenhar não… :(;) Aceito doações.