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True Blood – Sangue, vida e Humanidade.

21 21UTC Setembro 21UTC 2009

Primeira Parte

Dois anos após o encerramento de Six Feet Under, em 2006, uma série dramática que falava sobre família, amor, sexo e morte… em resumo, humanidade… Seu criador, Alan Ball, voltou com um novo projeto que, para susto de seus fãs, um público adulto e exigente, tratava-se de uma série sobrenatural: True Blood. A escolha do tema, contudo, não poderia ser mais astuciosa, pois Ball usa nada menos que vampiros para explorar justamente o conceito de “human being”.

Superado, porém, o preconceito inicial alavancado pelos produtos da franquia Crepúsculo, Alan Ball viu boa parte do seu velho público sentado novamente à frente do sofá para ver seu programa e, sem surpresa, assistiu também uma nova geração de fãs se unir à primeira.

Duas temporadas depois (com gostinho de uma), True Blood já desfilou uma coleção tão deliciosa de personagens que fica difícil decidir de quem se gosta mais. E chega a ser curioso que, à princípio, sejam os coadjuvantes os que roubam a cena, já que a estouradinha e sofrida Tara e o safadinho-encrencado Jason acabam sendo muito mais interessantes do que a inocente e perspicaz Sookie ou o galante e ameaçador Bill, humana e vampiro protagonistas e vítimas do amor à primeira vista.

Mas o contraste revela-se um pequeno artifício para que nos encantemos com o maior número possível de personagens antes que os protagonistas assumam seus lugares de honra, sem ofuscar os demais. O que não demora muito para acontecer, já que o romance Sookie-Bill rapidamente conquista a simpatia do espectador, graças ao carisma do casal. Assim, enquanto eles dão novos passos em seu relacionamento, Tara se arrisca em um caso com seu chefe e tenta lidar com a cada vez pior doença da mãe (caso que dá origem a uma intrigante sub-trama sobre fé), Jason se encrenca mais algumas vezes e parece não aprender a lição, o mistério de um serial killer fica mais ameaçador e novos vampiros, que vão surgindo e revelando outras facetas da raça, atiçam nossa curiosidade, revelando que o universo de True Blood é em si um personagem, e não apenas um mero cenário.

Segunda Parte

É claro que nada é perfeito e Alan Ball e seus realizadores cometem erros aqui e ali, como ao aumentar demais os indícios que criminalizam Jason, ou quando tentam despertar desconfiança no espectador desviando as suspeitas de um determinado crime para o bondoso mas esquentado e chatinho Sam. Por outro lado, acertam fácil com os diálogos, tanto cômicos (“Odeio usar os números para digitar”) quanto argumentativos (“Pois meu mundo está se abrindo rápido demais”) ou retóricos (“Estes eram humanos”).

E se o formato “short-season” ajuda algumas séries a contarem melhor suas histórias (Skins, Dexter, a própria Six Feet Under e, principalmente, as últimas temporadas de Lost), aqui o padrão não surte muito efeito já que, como mencionei anteriormente, as duas primeiras temporadas de True Blood são tão conectadas que parecem ser duas partes de uma mesma (e excelente) fase, mesmo que cada temporada conte com seu próprio “caso a ser resolvido”.

Por falar nos casos, é interessante observar que ambos não parecem desempenhar um papel tão fundamental na história, a princípio. Na primeira temporada, apesar da presença do serial killer (um suspense batido, diga-se de passagem), o mais importante na narrativa era desenvolver os personagens e apresentar ao público as regras básicas do lado vampiro do mundo. Já na segunda, a principal mudança acontece no tom da narrativa, que deixa de lado as possibilidades mais realistas (afinal, a coexistência vampiro-humano era tratada de forma bastante sóbria) para desenvolver abertamente elementos sobrenaturais (que já haviam sido introduzidos), o que considero um erro. Embora ainda na primeira temporada sejamos apresentados a um metamorfo e testemunhemos dois impressionantes exorcismos, a verdade é que essas pequenas intervenções não afetavam nossa identificação com aquele mundo. Agora, trazer uma criatura mitológica tão fabulesca quanto aquela interpretada por Michele Forbes parece ter sido um passo grande demais para uma série tão jovem.

Porém, verdade seja dita, a subtrama foi conduzida de um modo que merece aplausos, crescendo rápida e nada discretamente, mas ainda assim dentro de um limite específico, sem ousar atrapalhar nosso envolvimento com a trama paralela envolvendo fundamentalistas religiosos e, principalmente, a rápida (rápida demais) presença de Godric, o personagem mais interessante, complexo e profundo que a série nos apresentou até o momento…

Terceira Parte

Aliás, Godric ofuscou todo e qualquer momento já visto na série e provavelmente jamais será superado. Ouso dizer, ainda, que jamais fiquei tão profundamente encantado por um personagem quanto fiquei diante de Godric, interpretado por um jovem e praticamente desconhecido Allan Hyde com uma serenidade impressionante, mas também dor, revelando apenas no olhar uma existência longa demais de um ser que já viu de tudo, já fez de tudo e está pronto para seguir em frente no longo caminho da existência. E sua fala, “Eu não penso mais como vampiro”, revela de forma econômica um ser muito superior a sua própria raça e infinitamente maior que um ser humano – embora ele seja também imensamente ingênuo, por depositar sua fé em algo tão frágil (a raça humana, original ou transformada), e dono de uma inocência encantadora, a ponto de se fascinar com meras lágrimas humanas; neste caso em particular, verdadeiras em todos os sentidos.

Foi uma pena que esse momento tenha durado tão pouco… e acontecido tão rapidamente. Pois infelizmente é preciso dizer que a decisão de Godric (seguir em frente) aconteceu de forma tão súbita e inexplicável que só percebi o que estava acontecendo quando já estávamos no telhado. No mesmo caminho, True Blood deixou de lado seu momento mais fascinante para retornar a subtrama da vez e… Repito: por mais incômodo que seja, o caso foi desenvolvido de forma realmente interessante e, para minha surpresa, se revelando um perigo real para humanos e vampiros, incluindo os mais velhos e mais fortes. E o desfecho não deixa de ser satisfatório, embora súbito e contraditório (afinal – spoiler – a criatura descobriu no último instante que o animal não era o deus, então não deveria ter sido destruída – fim do spoiler).

Em vinte e quatro episódios fantásticos, sempre crescendo em ritmo, intensidade e história, True Blood já se estabeleceu como um dos melhores e mais surpreendentes lançamentos desta metade da década, ficando lado a lado de dramas formidáveis como Dexter e Lost e ainda continuando, com uma curiosa coerência, os temas e conflitos vistos na finada Six Feet Under, mas acrescentando ao quadro elementos como política, fé, religião e expiação. Ou seja, tudo o que forma nossa humanidade. Antes ou depois da transformação.

A Nova Priscilla

17 17UTC Setembro 17UTC 2009

Depois de dois álbuns simplesmente excelentes (três se contarmos o ao vivo), a banda Pitty ressurge agora com uma promessa: novidade. E Chiaroscuro, o novo álbum com seu curioso e ótimo nome, até ensaia cumpri-la, mas ofega e acaba retrocedendo, satisfeito em se reduzir a um simples trabalho com algumas inovações, longe de representar uma reviravolta significativa na carreira da banda.

Porém, embora repita aqui a fórmula inteligente que marcou os trabalhos anteriores, onde mais do que contar boas histórias ou fazer comentários políticos, sociais e filosóficos relevantes, a banda ensinava e educava seu público, o resultado é que Chiaroscuro é uma soma de poucas músicas excelentes, algumas apenas boas e também momentos ruins, como a irritante (e de tom amador) Rato na Roda e a divertidinha mas tola Trapézio.

Se anteriormente, Pitty e suas letras ajudavam adolescentes e jovens adultos a lidarem com suas identidades (Máscara, Anacrônico), dúvidas (Querer Depois e, genericamente, Do Mesmo Lado) e caminhos errados ou novas chances (Temporal, Semana Que Vem, Déjà Vu), agora, a banda se satisfaz com releituras reduntantes (Descontruindo Amélia) e paráfrases apenas interessantes (Fracasso).

Mas uma banda com integrantes tão inteligentes e maduros (em especial, a vocalista) jamais poderia cometer um trabalho inteiramente ruim. Assim, em contrapartida a desestimulante faixa de abertura, temos Me Adora, primeiro single e uma das três melhores músicas do álbum. Em seguida, Medo, outra das melhores, volta no tempo e mata nossa saudade de Anacrônico, deixando a visita ao Admirável Chip Novo para Fracasso, música que estaria bem à vontade no debute.

Com erros ignoráveis (Rato na Roda, 8 ou 80) e experimentos memoráveis (Me Adora, Água Contida), o álbum é um resumo contrastante de conceitos e experiências acumuladas em uma vida bem vivida, mas que ainda está apenas na metade do caminho, como bem mostra a tocante e intimamente nostalgica Só Agora, a slow-motion-mode-on A Sombra e como revela inconscientemente a promissora Todos Estão Mudos, composição que remete a intensa e infinitamente mais corajosa Quem Vai Queimar? e que resume bem o que Chiaroscuro poderia ter sido: inicia um protesto, grita alto, aponta erros, promete revolução, diz o que deve ser feito, que algo deve ser feito… mas se cala antes de levar a cabo o combate.

Em resumo, a nova Pitty promete e cativa mais do que está disposta a se responsabilizar e jamais cumpre sua palavra, talvez acreditando que o simples ato de gritar é o bastante para exorcizar demônios mergulhados nas mais baixas profundezas.

UP: 18 de setembro

Faixa a faixa:

8 ou 80 | Boa letra… Melodia muito cansativa. Não foi uma boa escolha par abrir o álbum

Me Adora | Um excelente hit. Letra gostosa, melodia deliciosa, refrão pegajoso.

Medo | Letra excelente. Uma verdadeira carpintaria na melodia. A ponte é estranha, mas este parece ser o objetivo. Aposto que será outro hit.

Água Contida | Excelente introdução. Uma deliciosa continuação de estilo para Me Adora. Letra inesperadamente divertida. Outro hit?

Só Agora | A balada mais íntima de Pitty (a cantora) até hoje. Melodia discreta, letra doce, triste. Como eu disse, provoca uma espécie de nostalgia que não consigo associar a nada.

Fracasso | Parece ter sido feita para o Admirável Chip Novo. Letra pittyniana, melodia atual. Aposto que é hit. Se não esta, a próxima…

Desconstruindo Amélia | Ótimo título, melodia básica, adequada. A letra é divertidíssima, mas reduntante. Não acrescenta nada a mulher atual, apenas comenta. Daria um hit pegajoso.

Trapézio | Outra melodia básica que combina com a letra. Uma letra que me remete diretamente a adolescência.

Rato na Roda | Demora para engatar, e acaba fundindo. O refrão é legalzinho, mas não o suficiente. Letra pittiniana demais. Demais. (Já tô com saudade das primeiras faixas…)

A Sombra | Música calma, limpa, traiçoeira… Valeu a pena esperar por este momento.

Todos Estão Mudos | Uma música para o cenário global atual? Boa. Mas longe de ser extraordinária. Encerra o álbum como se fosse uma reticência enorme…

Em ordem de preferência:

Medo
Só Agora
Me Adora
Água Contida
A Sombra
Descontruindo Amélia
Fracasso
Todos Estão Mudos
Trapézio
8 ou 80
Rato na Roda

4-estrela6

Anticristo (Lars Von Trier)

1 01UTC Setembro 01UTC 2009

Anticristo, todos já sabem, é o primeiro filme do gênero terror do cineasta dinamarquês Lars von Trier, criador de obras máximas como Dançando no Escuro e Dogville – duas obras-primas de um mesmo artista. Aqui, porém, o cineasta dá um passo para trás e, concebendo um trabalho graficamente agressivo (com direito a penetração sexual e automutilação) e plasticamente fascinante (a sequência de abertura do longa é uma obra de arte à parte), acaba errando  ao mergulhar o espectador em uma trama dramaticamente incompleta, embora profunda.

O longa conta a história de um casal (cujos nomes jamais conhecemos) que tenta lidar com a morte do filho pequeno; um episódio terrível e ainda mais trágico graças a culpa deles por uma negligência momentânea; em especial da mãe, que não consegue se recuperar do luto e se entrega aos estágios mais profundos e escuros da dor. Numa tentativa de ajudá-la, o marido – que é psicólogo  – decide levá-la para uma cabana na floresta onde ela passou férias sozinha com o filho, acreditando que se ela enfretar seus piores medos irá perceber que eles não representam um perigo real e, assim, poderá emergir do luto. Mas logo o dedicado marido descobre que a mulher está mais mergulhada nas trevas do que ele era capaz de imaginar, e o cenário escolhido para o tratamento revela-se o gatilho perfeito para uma perturbadora reviravolta.

Anticristo, como pode ser notado, tem uma premissa claramente poderosa, mas a história, infelizmente, é conduzida por atalhos sem saída, lançando elementos e alegorias interessantíssimos (como o aborto de um animal, o canibalismo de outro, uma fogueira) mas jamais explorando suas possibilidades. E se esse desperdício já não fosse demais, von Trier falha gravemente ao introduzir elementos sobrenaturais à narrativa, transformando o que era até então um fascinante estudo de personagens e psicologia em um terror barato envolvendo demônios.(Contudo, reconheço que ainda é possível fazer uma leitura mais racional da história, só é uma pena que o ótimo cineasta tenha reduzido seus personagens a um artifício tão pequeno).

Mas se Lars von Trier falha como roteirista, seu trabalho como diretor está a altura de suas melhores obras. A começar pelo prólogo (citado no primeiro parágrafo), totalmente em preto e branco e câmera lenta, com planos detalhes chocantes ou belíssimos, e os enquadramentos marcantes, como o plano plongé que revela o casal transando aos pés de uma árvore e o quadro em primeiro-plano que mostra o protagonista sob uma chuva de bolotas de carvalho, passando pela curiosa escolha da trilha sonora, que erra e acerta na mesma medida: se por um lado os trapaceiros acordes súbitos assustam mais que o próprio susto da cena, por outro, a pontual trilha sombria parece ser uma forma de assumir que o filme se trata de um filme de terror, o que funciona como adequada homenagem ou referência ao gênero. E confesso que fiquei tensamente incomodado (no bom sentido) com o barulho das (já citadas) bolotas de carvalho caindo sobre o telhado.

Contudo, e não há dúvidas sobre isso, o grande trunfo de von Trier e Anticristo está mesmo em seu casal de protagonistas, interpretados por Willen Dafoe e Charlotte Gainsbourg com um desapego físico impressionante, exibindo seus corpos até a mais profunda intimidade, e uma entrega emocional absoluta, transformando o casal em pessoas perturbadoramente reais.

Se formos considerar os trabalhos anteriores de Lars von Trier, este último lançamento será inevitavelmente classificado como uma obra menor. Porém, é justo dizer que, mesmo devendo às expectativas, Anticristo revela-se um exemplar de terror realmente digno, ou até mesmo mestre, superando em coragem meros programas que apelam para o choque barato, como a franquia Jogos Mortais, e exibindo cenas de violência que ultrapassam qualquer ousadia dentro do gênero… E de brinde, ainda nos traz personagens mergulhados em um drama extremamente profundo, dramático e fascinante.

4-estrela

Na violenta natureza sobrenatural

31 31UTC Agosto 31UTC 2009

Neste final de semana, tirei o atraso e assisti a quatro filmes que já deveria ter visto há algum tempo.

Crepúsculo
Violência Gratuita
Coraline e o Mundo Secreto
Na Natureza Selvagem

Um ruim, um bom, um ruim e um excelente. Assim, uma média ótima para a sessão.

Crepúsculo basicamente consegue o mesmo resultado do livro. Uma narrativa ligeiramente agradável, uma protagonista carismática e um protagonista… Apenas um pouquinho mais interessante que o original, mas imediatamente sabotado por um Robert Patinson sem graça e com uma beleza plástica artificial e mal aproveitada – qualquer rapaz rico, que se vista bem e tenha um cabelo fashion (!) (a cor é realmente ótima) atrairia mais atenção do que os demais. Agora, por que a a garota se sentiria mais atraida por ele do que pelo carismático Mike Newton ou pelo dócil e familiar Jacob Black, é um mistério – não, não é, os sanguessugas têm o “poder” predatório de atrair sensualmente as pessoas (leia-se: presas).

2-estrela

Mas o tédio (sim, fiquei entediado com Crepúsculo) logo foi substituido pela tensão e os nervos à flor da pele. Violência Gratuita não apenas é um exercício narrativo perturbador (a revira-volta no terceiro ato é um tapa na cara), como também um execício emocional angustiante. Em certo momento do longa, o simples enquadramento do personagem George sentado em uma cadeira ao lado de uma janela fez meu ar desaparecr, já que anos e anos de cinema-óbvio me ensinou a temer qualquer “entrada” para o vilão, especialmente quando a câmera se fixa num mesmo quadro por mais do que poucos segundos.

4-estrela

Infelizmente, Coraline e o Mundo Secreto não continuou o nível de Violência Gratuita, revelando-se um filme visualmente encantador (que cores maravilhosas!), com personagens muito agradáveis e basicamente divertidinho, mas que no final das contas não parece oferecer mais ou melhor do que outras obras do gênero (embora, curiosamente, eu não consiga comparar sua trama a qualquer outra).

2-estrela

Na Natureza Selvagem cumpriu e superou todas as expectativas. Deixei por último já esperando que fosse o melhor, e não me enganei. Angustiante desde a primeira cena, quando vemos a personagem de Marcia Gay Harden acordando abalada, é particularmente feliz com sua coleção de personagens, já que todos os indivíduos que cruzam o caminho do protagonista são belíssimos ao seu próprio modo; em especial a triste Jan, de Catherine Keener, que me comoveu profundamente em suas poucas e marcantes cenas.

(Kristen Stewtart, a Bella de Crepúsculo, também cruza a tela por aqui, provando ser uma atriz mais talentosa do que parecia no romance-vampiresco).

Mas o que mais me emocionou em Na Natureza Selvagem foi a narrativa em off de Jena Malone, que interpreta a doce e companheira irmã do protagonista e, assim, abre uma janela para sua família – sendo, além de tudo, outra vítima do abandono do rapaz. Tentando condenar a atitude do irmão ao mesmo tempo em que tenta se convencer de que o compreende, a garota assiste a gradual degradação emocional de seus pais, o que a faz sofrer ainda mais pelo desaparecimento do irmão.

E se a morte do viajante é aguardada desde o início da jornada, o modo como acontece confere um sabor agridoce ao desfecho, revelando-se ao mesmo tempo um anticlímax e um alívio, – eu, francamente, esperava por um destino violento, e confesso que fiquei feliz que a consequência final de sua aventura tenha sido tão branda, embora ainda dolorosa.

Contudo, o que mais perturba, angustia e fascina em Na Natureza Selvagem é pensar nos personagens que cruzaram a tela ao longo da projeção e que, por um tempo certamente indeterminável, devem ter esperado que aquele jovem encantador voltasse a suas vidas. Incluindo neste lista, a própria família do rapaz, eternamente condenada à dor de esperar por alguém que jamais irá voltar – e, pior, sem jamais ter certeza de quais foram os últimos sentimentos dele, se foram culpados até o fim ou se, antes do fim, conseguiram ser perdoados por erros que, de certa forma, eram inevitáveis.

5-estrela1

.Apenas o Fim. (Matheus Souza)

24 24UTC Junho 24UTC 2009

Apenas o Fim é um bom filme. Mas apenas bom.

Escrito e dirigido por Matheus Souza e realizado por alunos da PUC-Rio, o filme remete a outros longas que, por sua vez, já representavam interessantes experiências cinematográficas.

Se o roteiro subverte o conceito do único-encontro-de-um-casal, consagrado por Antes do Amanhecer, e narra o encontro-derradeiro de “Ele” e “Ela”, casal de namorados que está se separando subitamente (comentarei sobre os nomes mais tarde), é a cargo da direção que fica a maior parte das referências, nos levando a filmes como Elefante (o tour por uma instituição de ensino), Apenas Uma Vez (a câmera na mão, os “nomes” do casal e, por que não, o próprio título) e Corra, Lola, Corra… Sim, Apenas o Fim faz referência clara ao longa de Tom Tykwer, interrompendo a narrativa com flashbacks que sempre mostram o casal conversando – o que é mais do que natural já que a história concebida por Matheus Souza não passa de uma boa desculpa para citar (ou homenagear, dependendo do ponto de vista) os maiores clássicos das culturas pop e nerd.

No início da projeção, Ela aborda Ele abruptamente, informando que está de partida e que tem apenas uma única hora para conversar com ele, terminar o relacionamento e se despedir. E durante a hora e meia seguinte de projeção (o tempo é estendido pelos flashbacks), nossa grande dúvida é “o que a fez tomar esta decisão?”.

Independente do resultado ou da resposta, o fato é que este é o grande fio condutor da história, o principal elemento que prende nossa curiosidade, pois fica claro que o caminho escolhido por Ela só pode ser resultado de algo que muitos são incapazes de fazer: ousar ou desistir.

Infelizmente, porém, o roteiro de Matheus Souza ignora a possibilidade de explorar este elemento e parece acreditar demais na “genialidade” de seus diálogos, resumindo a narrativa a uma série de conversas onde o casal cita ou discute uma infindável herança da juventude dos anos 90-2000, desde Pokemón, Power Ranger ou boy band prediletos até shows históricos de grandes bandas de rock. O que, nem preciso dizer, data a produção e limita drasticamente o público-alvo.

Contudo, Souza acerta em cheio na escolha dos atores que interpretam o casal de protagonistas, Erika Mader e Gregório Duvivier, já que a química entre eles é perfeita e ainda corretamente contrastante: nos flashbacks, eles são um casal romântico e profundamente apaixonado, durante o passeio, estão mais distantes e prontos para “lavar a roupa suja”, o que não nos impede de enxergar ali os reflexos da paixão que eles ainda sentem e da dinâmica gostosa que sempre tiveram (a única ressalva é sobre Duvivier, que oscila demais entre a naturalidade e a clara intenção de fazer graça).

Enfraquecido pela interrupção excessivamente longa feita por dois personagens colegas de Ele (cenas que deveriam ter durado no máximo 30 segundos) e seriamente prejudicado pelas referências metalingüísticas (o casal passa por um set de gravação que conta a história… deles), o resultado é que Apenas o Fim termina sem mostrar a que veio, já que a despedida do casal jamais soa verdadeira ou definitiva, parecendo ser uma simples peça pregada por Ela (ou “joguinho”), e ainda falhando em não explicar as motivações da garota. Além de não funcionar sequer como romance, deixando de lado o alcance dramático de uma despedida em prol das piadas e diálogos nerds.

Da mesma forma, se o casal dramático do maravilhoso Apenas Uma Vez se torna ainda mais real graças ao fato de jamais conhecermos seus nomes, algo reforçado pelos créditos finais onde lemos apenas “Guy” e “Girl”, aqui o efeito não é o mesmo (principalmente porque, ao longo do filme, ouvimos o nome pelo menos do rapaz), pois as personalidades e histórias dos protagonistas são exclusivas demais para nos identificarmos plenamente.

O que é uma pena, pois não apenas Ele e Ela formam um casal realmente interessante, merecendo a chance de um “reencontro”, como também Matheus Souza revela-se um diretor tecnicamente competente, acertando em algumas composições de quadro e na coerografia em cena (como quando coloca Ela sozinha em meio a escombros de uma reforma, salientando sua fase de transição), embora falhe em nem sempre utilizar seus conhecimentos em favor da narrativa – como fica evidente na cena em que o casal é enquadrado na escadaria através de um bom plano plongé: o uso de câmera é atraente, mas não contribui para construir o sentimento da cena em questão e apenas chama a atenção para si. Ao contrário da gostosa trilha sonora de Pedro Carneiro, que é sutil e ao mesmo tempo marcante, sempre acentuando os melhores momentos da projeção.

Assim, Apenas o Fim é um esforço cinematográfico até respeitável, influenciado por obras maiores e melhores, mas que jamais alcança o mesmo impacto que elas. Ainda assim, é um bom filme, claramente feito com carinho e nostalgia e também intimidade, nos fazendo acreditar que, apesar do tradicional “este filme é uma obra de ficção…” durante os créditos finais, é na verdade uma grande homenagem não a filmes clássicos ou a saudades da juventude, mas sim a alguma paixão que se tornou relacionamento e foi vivida com simplicidade, cumplicidade e intensidade, mas que acabou, como muitas outras acabaram e muitas outras ainda irão.

E apenas isso parece ser o bastante para transformar um projeto repleto de defeitos em uma obra que, no final das contas, merece ser vista e agraciada.

4-estrela

Antes do Amanhecer (Richard Linklater)

22 22UTC Junho 22UTC 2009

(A resenha abaixo foi escrita para o Curso de Teoria e Linguagem Cinematográfica do Cinema Em Cena, ministrado pelo crítico e cineasta Pablo Villaça. O texto está intocado, ainda sem as correções apontadas pelo professor.)

Com o perdão da palavra, Celine é uma vaca. Mulher culta, inteligente, independente, nitidamente sensível à paixão, mas que faz questão de não parecer romântica. Onde, aliás, falha completamente, e exemplo disso é ela zombar do gesto romântico do rapaz que está conhecendo, embora se convença facilmente pelas palavras de uma charlatã, quando a mulher está claramente usando o método da leitura fria – que, confesso, não sei se era tão conhecido há quinze anos. Ou seja, uma não-romântica crédula? Impossível!

O rapaz? Bom, Jesse é só um moleque americano que atravessou o Atlântico para encontrar a garota que namorava à distancia, mas levou um fora. E então conheceu uma garota francesa atraente, culta, inteligente e, provavelmente, disposta a transar com ele. Perfeito para ele, não? Não. Ele quer – e muito – transar com a garota, mas isto não será o bastante porque ele é um… Romântico chorão que precisa se apaixonar por alguém.

Esta é uma das leituras que podem ser feitas do casal de Antes do Amanhecer, uma versão talvez injusta do casal que, surpreendentemente, considerando os dois parágrafos acima, é responsável por um dos poucos encontros absolutamente românticos que o cinema exibiu nas duas ultimas décadas (provavelmente estou me referindo a Antes do Pôr-do-Sol, mas okay). Isto porque Jesse e Celine, mais do que “personagens” dentro de algum estereótipo (a feminista, o carente), são dois jovens em plena descoberta da própria personalidade e, por isso mesmo, suscetíveis a mudanças, influências, mas tentando mostrar uma imagem de estabilidade que ainda não existe (a mulher questionadora, o homem que percebe a verdade).

Aos poucos, porém, Jesse e Celine vão deixando de lado as questões mais políticas e filosóficas, entrando em um terreno mais pessoal, íntimo, lentamente se abrindo, expondo, um para o outro. Eles não apenas começam a realmente confiar um no outro, mas em si mesmos. E, dessa forma, um acaba enxergando no outro o cúmplice perfeito. E um amante perfeito.

E é aqui que Antes do Amanhecer queria chegar… À verdade. Porque por mais que haja atuação, por mais que haja mentiras, entre dois estranhos há sempre um tipo de verdade que nenhum longo tempo de convivência pode descobrir. Mas uma verdade que tem a curiosa capacidade de desaparecer caso a vida permita que estes dois estranhos fiquem juntos por mais tempo – uma propriedade indispensável, diga-se de passagem. Afinal, quem suportaria viver com alguém que o conhece tão profundamente?

5-estrela1

De repente, Califórnia (Jonah Markowitz)

7 07UTC Junho 07UTC 2009

(Alguns meses atrás, assistir a este filme e escrevi um texto sobre ele. Mas o longa estreou em São Paulo neste último final de semana e eu não poderia deixar de vê-lo nas telonas. O que, é claro, sempre muda muito. Além disso, alguns meses são o bastante para mudar nossa perspectiva e melhorar nossos conceitos e técnicas. Assim, segue abaixo a crítica reformulada de ShelterDe repente, Califórnia).

Em O Segredo de Brokeback Mountain, o diretor Ang Lee apostou numa narrativa lenta e na calma ao ilustrar a aproximação dos personagens de Jake Gyllenhaal e Heath Ledger. Neste filme, Lee também compôs o relacionamento dos vaqueiros como um respiro para ambos de suas vidas desonestas e miseráveis, fazendo com que um fosse uma consolação para o outro. Em De repente, Califórnia, o diretor e roteirista Jonah Markowitz investiu palhetas semelhantes ao construir sua pequena obra que, embora imperfeita, tem chances de se tornar um pequeno clássico e ícone do gênero.

Zach (Trevor Wright) é um jovem adulto preso na vida pacata e arrastada de uma cidadezinha litorânea da Califórnia e que divide seus dias entre tarefas básicas, como o trabalho, que pagará suas contas e alimentação, ou o surfe e o Desenho, hobbies que tornam sua existência tolerável. No topo de sua base está Cody (Jackson Wurth), seu sobrinho de cinco anos que enxerga nele o símbolo de pai que o próprio Zach desconheceu em sua vida, embora, diferentemente de Cody, tenha convivido desde sempre com seu progenitor. Na vida, Zach também tem Jeanne, sua difícil irmã que não reconhece (ou não entende) a própria responsabilidade pelo pequeno filho, Tori, uma bela garota com quem mantém um instável namoro, e Gabe, seu playboyzinho e melhor amigo que, apesar de ter um estilo de vida resumido à farra, ainda encontra espaço para nos surpreender com uma personalidade bondosa e amigável.

É neste cenário que Zach reencontra Shaun (Brad Rowe), irmão mais velho de Gabe que se mudou para Los Angeles há vários anos. Aproveitando-se de uma viagem do caçula, Shaun decide passar uma temporada na casa vazia da família a fim de se recuperar do recente final de um relacionamento e ainda trabalhar em um novo livro. Representando a figura do “mais velho da turma”, Shaun experimenta a sensação de ser reapresentado a jovens que conheceu quando estes começavam a adolescência e que não se lembram mais dele, e ainda descobre em Zach um amigo respeitoso que, embora saiba que ele é gay, não demonstra qualquer desconforto em isolar-se com ele para surfar e sequer hesita em procura-lo em sua casa – embora não perceba a própria ansiedade pela companhia do novo amigo. Isto é, até o momento em que a intimidade divertida os leva a permitir um gesto um pouco mais profundo.

Após um inesperado beijo, Zach afasta-se de Shaun numa tentativa desesperada de afastar-se de sentimentos que, mais do que “ferir” sua masculinidade, afetam seu cotidiano engessado – e embora ele anseie por uma nova vida, o vislumbre de concretizar qualquer mudança o assusta. Assim, é natural que ele procure desajeitado por um contato físico com a namorada e, mais ainda, busque a aprovação da irmã quanto à idéia de se inscrever numa faculdade, como se receber apoio nesta decisão pudesse tornar seu sentimento mais compreensível – afinal, o apoio de Shaun ao crescimento profissional de Zach acaba ligando as duas coisas intrinsecamente. Contudo, é inequívoco o medo que Jeanne sente a tal idéia, como se Zach evoluir, crescer, apenas realçasse a insignificância de sua própria existência ou – pior – pudesse atrapalhar sua vida, uma vez que sem o irmão por perto em tempo integral, ela finalmente seria obrigada a “cuidar” do próprio filho.

O roteiro de Jonah Markowitz ilustra de forma simplista os preconceitos e a homofobia básica do indivíduo ignorante, mas acerta (apesar da obviedade) ao mostrar o receio de Jeanne, e do próprio Zach em um momento, quanto a aproximação de Shaun do pequeno Cody, só para contrasta-lo em seguida ao desprezível namorado da garota. Da mesma forma, apesar de enfocar de forma expositiva as dificuldades de Zach e também sua dedicação ao sobrinho, como nas cenas em que ele compra um par de sandálias ao invés de tênis e quando ele descalça o garotinho dormindo, estes pequenos detalhes, que apenas redundam o que já sabemos, funcionam por mostrar que a trama principal é aquela que envolve Zach e Cody e não o romance dos surfistas.

O que, é claro, não torna a história de amor menos importante. Ao contrário: é clara a importância de Shaun para o futuro de Zach, não apenas por apoiá-lo na batalha por seus sonhos, mas principalmente por revelar-se uma figura paterna tão atenciosa e carinhosa com Cody quanto o próprio tio do garoto – o que permite a Zach experimentar mais uma nova sensação, depois da atração e da paixão, o aconchego. Assim, quando em certo momento, Tori (a linda Katie Walder) pergunta para Zach se ele ama Shaun, a não-resposta do rapaz demonstra que ele não enxerga sua nova história como um mero romance, mas como algo maior, alheio às convenções idealizadas da paixão. O que não significa que Zach não esteja apaixonado, o que claramente está, apenas mostra que, para ele, amar Shaun constitui muito mais do que levar adiante um caso de amor, mas sim uma vida inteira e completa – e uma realidade cheia de esperança.

Enquanto O Segredo de Brokeback Mountain contava uma história de amor amaldiçoada pela intolerância alheia e a pessoal dos dois amantes, culminando num desfecho triste e amargo, Shelter conclui sua história de forma doce e cheia de esperança sem, com isso, trazer soluções milagrosas, apenas avanços e conquistas naturais a qualquer pessoa que se disponha a seguir um sonho. Porém, a simples imagem de uma gostosa brincadeira tendo como fundo um mar agitado e um céu carregado nos faz lembrar que nem tudo é felicidade pura. Afinal, é difícil esquecer que a felicidade completa das três pessoas em cena estará eternamente ligada a covardia de outra, fraca demais e pequena demais para sustentar a própria vida, preferindo se alimentar de migalhas enquanto tenta encontrar seu próprio lugar, seu próprio abrigo.

E talvez seja isto o que torna o sucesso de Zach ainda mais belo e orgulhoso. Ele escolheu viver uma vida completa.

4-estrela

Desastres

17 17UTC Abril 17UTC 2009

(O texto abaixo fala sobre cenas importantes dos filmes da série Premonição e Presságio)

Após ler o comentário de meu amigo Remi no post anterior, comecei a elaborar uma breve resposta com a minha opinião sobre a franquia Premonição e a comparação entre o desastre de Metrô, que acontece no encerramento do último filme, e aquele visto no principal lançamento da semana passada, Presságio. E me surpreendi com um texto bem maior do que esperava… Assim, preferi vir para cá.

É verdade: Premonição 3 também conta com uma sequência de tragédia no Metrô. Mas, a experiência dos primeiros filmes avisou os produtores que eles deveriam investir mais grana na primeira tragédia, já que era ela que direcionava toda a história e blablablá. Assim, essa tal sequência de encerramento é apenas boa, mas nitidamente desinteressante se comparada as tragédias que abrem os filmes – e nem chega a ser impressionante já que, a altura em que acontece, estamos anestesiados com a exposição extravagante de tantas vísceras, miolos e fluidos que o filme oferece.

Mas preciso dizer que, para mim, Premonição 3 é simplesmente um fiasco. Os personagens são todos desinteressantes, alguns atores muito apenas-razoáveis, as mortes são estúpidas (no sentido idiota e não banal) e chocam apenas… pelo choque! e as novas revelações e reviravoltas não acrescentam nada a trama. Sem contar que os efeitos especiais estão muito abaixo do padrão da série.

Mas focando nas aberturas… O acidente na montanha-russa têm dois problemas: é chato e clichê. E pela mesma razão: morrer numa montanha-russa é apenas um medinho infantilóide, um daqueles pesadelos que temos aos oito anos. Enquanto que desastre de avião e acidentes de trânsito são tragédias muito mais impactantes já que as vítimas estão, geralmente, num momento coloquial de suas vidas e não buscando adrenalina como no caso da atração do parque. Dramaticamente falando, morrer num parque de diversões não tem comparação a tragédia que uma queda de avião ou um engavetamento de carros representa – ou mesmo um descarrilamento de trem.

Mas quero deixar claro que não estou menosprezando o sentimento insuportável de perder alguém, independente do modo como aconteça. Especialmente quando todos sabemos que acidentes em parques de diversão realmente acontecem, e a morte neste caso não é “menor” do que a morte de uma pessoa no trânsito, numa piscina, num terremoto, num tiroteio ou num parto. Estou dizendo no ponto de vista dramático, ficcional. E, neste caso, os desastres dos primeiros filmes são muito mais relevantes que o do terceiro.

E assim chegamos a Presságio. Se em Premonição 3, o desastre no Metrô não causa impacto (apenas choque barato), o mesmo não se aplica ao visto nesta produção com Nicholas Cage. Quando acontece, o atmosfera de tradégia já está impregnada no filme, especialmente porque as cenas do desastre de avião não saem da nossa mente. Ou seja, estamos dramaticamente sensíveis ao choque (o oposto do que acontece no gore) e ficamos emocionalmente impressionados com o acidente, o que já seria o bastante. Mas Presságio vai além e ainda realiza uma sequência tecnicamente eficiente, ampla e complexa, infinitamente superior aquela vista em Premonição 3.

Para mim, como comentei vagamente na resenha, o momento só poderia ter sido melhor caso algum personagem que conhecêcemos fosse uma das vítimas – no mínimo, poderia ter sido a mulher com  o bebê. Como, por exemplo, acontece em Premonição: antes do acidente, acompanhamos alguns instantes dos personagens, e isto é suficiente para fazê-los mais do que estatística. Já em PresságioSó os números importam.

Presságio (Alex Proyas)

16 16UTC Abril 16UTC 2009

(Atenção, o texto abaixo revela informações importantes e reviravoltas na trama do filme.)

Embora seja repleto de clichês e equívocos e quase exageradamente carregado de simbolismos Cristãos, Presságio consegue se equilibrar com firmeza entre os gêneros suspense, ação, catástrofe e ficção científica, sem jamais ultrapassar os limites aceitáveis para cada um.

E, mesmo que definitivamente este não seja um filme religioso, chega a ser muito mais eficiente do que os fracos exemplares da trilogia Deixados Para Trás, por exemplo, que se limitam a uma espécie de pregação quase didática, um sermão, ao invés de explorarem o forte tema para desenvolver um drama de suspense que, por si só, sirva como exemplo e mensagem.

Presságio é particularmente eficiente neste sentido, já que pontua a trama com suas referências religiosas, mas permite que elas sejam ligeiramente ofuscadas pela angustiante urgência da narrativa que vai se acumulando entre sinais e acontecimentos. Assim, enquanto nos distraimos com sequências de ação aterrorizantes, nosso insconsciente vai registrando informações que virão à tona posteriormente e, claro, nos farão meditar – não necessariamente no Apocalipse, eu garanto, mas talvez no Significado das coisas, na diferença entre o Destino e o Acaso.

Mas Presságio se destaca mesmo é pela ação. As duas grandes tragédias que marcam os dois primeiros atos impressionam pelos detalhes – a sequência do acidente aéreo, em particular, me deixou tão atônito quanto o protagonista, que reage lentamente ao que testemunha enquanto assiste vítimas em desespero e chamas. Já o acidente no subsolo, poderia perfeitamente ser uma das famosas sequências de abertura da série Premonição, com a mesma qualidade ténica e dramática (dos dois primeiros filmes), mas em escala maior e menos grafica, felizmente – embora, à exceção do protagonista, apresente apenas indivíduos, e não personagens, para o banho de sangue; o que não diminui o impacto da tragédia.

Poderoso e ainda mais urgente em seu terceiro ato, Presságio alcança um desfecho apoteótico e atípico para filmes Hollywoodianos. E justamente no modo como o longa ilustra o Apocalipse é que ele parece encontrar sua grande força, afinal, a opção de destruir o Mundo com uma tragédia Natural e não com Anjos e Trombetas (literalmente) torna o acontecimento mais… verossímil, talvez seja a palavra correta. E, por isso mesmo, extremamente assustador, já que algo assim pode realmente acontecer algum dia e está totalmente fora do controle Humano – diferente do Aquecimento Global, das Guerras e até mesmo de Corpos Celestes perdidos no espaço e que podem ser avistados, talvez, com antecedência.

A dor emocional e o medo são as marcas de Presságio, já que, mesmo com a garantia de “continuação” da raça humana, o fato é que o Mundo foi literalmente e completamente destruído, e este é um Fim que não traz alívio. Aqui, não há protagonistas e sobreviventes para nos identificarmos e sentirmos calma. Aqui, somos meros Humanos. E não somos os Escolhidos.

4-estrela

Heart enriching…

23 23UTC Março 23UTC 2009

Sarah Kane é uma dramaturga inglesa que chamou a atenção do mundo com suas peças fortes e depressivas, agressivas, opressoras. Ainda muito jovem, teve suas peças compradas e encenadas num importante teatro de Londres e depois ao redor do mundo. Mas, como é prerrogativa dos gênios, seu dom foi sua maldição, e os mesmos sentimentos que ela transformava em palavras e cenas a afundaram na depressão. Num período sobrevivido entre clícinas psiquiátricas, Kane escreveu a peça 4:48, uma de suas obras mais intensas e que fala sobre suicídio – o título seria a hora em que a maioria dos casos acontecem. Esta foi sua última contribuição a 5ª arte: Sarah Kane suicidou-se em 20 de fevereiro de 1999, aos 28 anos.

O curta-metragem abaixo é uma adaptação da peça Crave, seu penúltimo trabalho, e é assinado pela produtora britânica Arri Média, produzido e dirigido por Richard Jakes e Michael Tamman. Os casal que divide a cena em recortes e frases é interpretado por Christofer Duniop e Fiona Peance.

Este curta-metragem é um dos mais belos filmes e poema e já vi, comparável talvez aos maravilhosos Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, Apenas Uma Vez… Alguns dos filmes mais tristes e românticos que já tive a felicidade de presenciar.

Reflexões de um Horizonte representa, sem dúvidas, os mais bem aproveitados seis minutos dos últimos tempos. Está no áudio original, com legendas em inglês. Abaixo do vídeo, está minha tradução livre para o português.

e eu quero brincar de esconde-esconde

e te dar minhas roupas

te dizer que eu amo seus sapatos

e sentar nos degraus enquanto você toma banho

e massagear sua nuca

e beijar o seu rosto

e segurar sua mão

e dar um passeio

não me importar quando você comer minha comida

e te encontrar no bar

e falar sobre o seu dia

falar sobre o seu dia

e rir da sua

sua paranóia!

e te dar fitas que você não ouve

assistir grandes filmes

assistir filmes terríveis

e te falar sobre o programa de tv que eu vi ontem a noite

e não rir das suas piadas

querer você de manhã

mas te deixar dormir mais um pouco

te dizer o quanto eu amo

seus olhos

seus lábios

sua nuca

seus peitos

seu tipo esperto

e sentar na escada fumando até seus vizinhos chegarem

e sentar na escada fumando até você chegar

e ficar preocupado quando você chegar

tarde

e ficar feliz quando você chegar cedo

e te dar girassóis

e ir para sua festa e dançar

me desculpar quando eu estiver errado

e feliz quando você me perdoar

olhar suas fotos

desejar que eu te conhecesse eternamente

ouvir sua voz

no meu ouvido

sentir sua pele

na minha pele

e ter medo quando você estiver com raiva

e te dizer que você é gostosa

e te abraçar quando você estiver ansioso

e te segurar quando você se machucar

e te querer quando eu te cheirar

e te irritar quando eu te tocar

e lamentar

quando eu estiver perto de você

e lamentar quando eu não estiver

babar no seu peito

sufocar você à noite

e ficar com frio quando você tomar o cobertor

e com calor quando você não tomar

e me derreter ao seu sorriso

e me dissolver quando você rir

mas não entender como você pode achar que eu te rejeito

quando eu não estou rejeitando você

e imaginar

como você poderia sequer pensar que eu te rejeitaria

e imaginar quem você é

mas te aceitar de qualquer jeito

e te falar sobre o anjo de natal

o garoto da floresta encantada

que voou através do oceano

porque ele amou você

e te comprar presentes que você não quer

e levá-los embora de novo

e te pedir para casar comigo

e você dizer “não” de novo

mas continuo pedindo porque embora

você pense que eu não quero

eu sempre quis desde a primeira vez que eu pedi

eu ando pela cidade, pensando

mas ela é vazia sem você

mas eu quero o que você quer

e acho

que estou me perdendo

mas

mas

mas

eu vou te contar o pior de mim

e tentar

te dar o melhor de mim

porque

você não merece nada menos

responder suas perguntas quando eu preferir não responder

e te contar a verdade

quando eu realmente não quero

e tentar ser honesta

porque eu sei que você prefere isto

e pensar que tudo acabou mas

esperar por apenas mais dez minutos

antes que você me jogue para fora da sua vida

esqueça quem eu sou

e me deixar tentar e chegar mais perto de você

e de algum jeito

algum jeito

de algum jeito comunicar algo devastador

eterno

dominante

incondicional

cercado

enriquecedor

esclarecedor

avançado

interminável

amor

eu sinto por você

Queda livre

17 17UTC Março 17UTC 2009

Pela primeira vez, um episódio Effy-centric foi realmente centrado na garota. Nos dois primeiros episódios, fomos relegados a mera observação, já que tudo acontecia ao redor dela e não com ela.

Aqui, Effy está “oficialmente fora dos trilhos”. Mas, ao que parece, a expressão de filme de ação ficou bem longe da adrenalina esperada e, assim, Effy mergulhou na depressão. Se bem que, para uma série com tema e tom bem definidos como Skins, a seqüência na viagem envolvendo o trio de estranhos e os tiros foi incrivelmente tensa; uma proeza já que sabemos que nada  “terrível” vai acontecer com eles.

Isto, porém, não diminui as tragédias particulares destes adolescentes, que escavaram abismos para se jogarem de cabeça neles. Assim, temos uma outrora super-ingênua Panda guardando segredos sexuais, uma mimada Katie tentando ser o centro das atenções de um novo grupo e Effy, a mais intrigante, forte e misteriosa personagem da história da série, que perdeu tudo, o desejo, o sentimento, o controle, o autocontrole e, por que não dizer, o poder.

Ao abrir as feridas da garota e expor algumas de suas camadas mais profundas, Skins provocou um inevitável enfraquecimento de Effy como personagem já que, agora, a única coisa que nos atrai na garota é ela estar “fora dos trilhos” e, mais do que isso, correndo rumo a autodestruição.

Por outro lado, porém, tais mudanças tão radicais na vida e também nos sentimentos de Effy (de quase estóica às lágrimas) trazem a tona o tão esperado arco dramático da temporada, o que dá uma cor especial a garota e a faz crescer, como personagem.

O que só reforça que Effy é uma das personagens mais complexas que Skins já concebeu, afinal, quem mais nesta história foi capaz de abrir mão de suas forças e justamente por isso ficar mais forte?

No geral, este foi um bom episódio. Mas por se concentrar demais nos conflitos de Effy e deixar de lado as subtramas de seus amigos, deixou de lado também a excelente dinâmica entre os outros personagens. E como já disse mais de uma vez aqui, Skins é sempre Skins quando conta pelo menos um pouco a história de todos.

UP: Há um segundo arco dramático ficando mais evidente em Skins: Cook, que continua tão insuportável quanto foi no início, mas agora precisa lidar cada vez mais com as consequências do seu estilo de vida. Melhor do que ninguém, Cook compreende que aos poucos foi perdendo tudo, e que suas escolhas foram todas erradas. E agora que não tem mais Freddie para controlá-lo, sabe que está a solta, em queda livre, e a única coisa que pode fazer é se agarrar a quem estiver mais perto.

Justiça seja feita: Effy sempre apreciou seu modo de não se importar com nada.

4-estrela6

Publicidade também é arte?

12 12UTC Março 12UTC 2009

Dizem que Publicidade não é arte, é Comércio.

Eu sou escritor, com projetos assumidamente artísticos voltados para as 6ª e 7ª artes. Hoje, porém, atuando na Publicidade, eu não poderia discordar mais da injusta afirmação acima.

Claro, há empresas e profissionais com suas campanhas sem a menor inclinação artística, mas esta generalização perde a credibilidade imediatamente quando nos deparamos com o trabalho de certas agências e criativos.

Alguns meses atrás publiquei 2 posts destacando comerciais fantásticos que eu tinha visto ou revisto na época (Grandes comerciais e +), e mais tarde cheguei a comentar sobre os fantásticos vídeos comerciais da IBM, que são simplesmente os melhores da categoria negócios.

Numa época em que best-sellers e campeões de bilheteria são títulos como O Doce Veneno do Escorpião (um ótimo título desperdiçado num blogue pornô impresso) e Se Eu Fosse Você (para focar em exemplos nacionais), temos a estupenda e divertidissima campanha publicitária da Oi, que deu um banho de criatividade em sua chegada a São Paulo, e até mesmo eventos institucionais marcantes como a festa de final de ano do Grupo Caixa Seguros, ou a mais recente convenção de vendas da Coca-Cola Femsa, eventos desenvolvidos e executados com conceitos artísticos e alcance dramático que estas obras “tecnicamente artisticas” mencionadas são incapazes de oferecer.

Mas as grandes estrelas do mundo publicitário são sem dúvidas os vídeos comerciais. Pequenos vídeos com pequenas histórias que muitas vezes guardam mais significados e complexidade  do que longos longas-metragens e grossos livros lançados pontualmente no mercado artístico.

Nada disso, porém, esconde a verdadeira intenção final da Publicidade: gerar receita. E é justamente isto o que torna esta nova arte uma arte verdadeiramente digna.

Enquanto autores, cineastas e outros artistas fingem fazer arte quando na verdade buscam um desmerecido sucesso e dinheiro, nada impede a Publicidade de seguir os rastros do capital e ao mesmo tempo oferecer obras que influenciam e ensinam a mente, o coração e alma das pessoas.

Quantos artistas podem dizer que alcançaram este triunfo?

Os 4400

9 09UTC Março 09UTC 2009

The 4400 não perde tempo em nos apresentar a sua interessante premissa. Um meteoro que, a princípio, passaria muito perto da Terra, de repente assusta o mundo com uma súbita mudança de rota que o levará a se chocar com o nosso planeta. Aos oito minutos, o episódio piloto já traz uma tensa seqüência onde vários países lançam mísseis numa frustrada tentativa de destruir a ameaça. O meteoro continua a seguir em frente e, mais uma vez, surpreende a todos quando diminui sua velocidade radicalmente. E então, a grande surpresa: o meteoro vira uma bola de luz, que evapora no ar e deixa, em seu lugar, homens, mulheres, idosos, crianças, americanos, chineses… Quatro mil e quatrocentas pessoas que desapareceram ao redor do mundo no decorrer do último século e não envelheceram sequer um dia.

É então que a narrativa The 4400 começa a dividir espaço entre o suspense e o drama, nos apresentando a alguns dos “retornados”, entre eles o jovem Shawn, cujo primo entrou em coma no momento em que ele desapareceu, o soldado negro Richard, que encontra Lily, neta de uma mulher branca com quem viveu um romance na década de 50, e também a doce e misteriosa Maia, de sessenta e seis anos, mas que desapareceu quando tinha oito e, assim, guarda a mesma jovem aparência. Maia é o primeiro dos Retornados a demonstrar algum tipo de dom sobrenatural, premeditando situações. Em seguida, Shawn ignora que acaba de ressuscitar um pássaro morto. E, finalmente, Orson, um senhor empresário de uma grande seguradora no final da década de 70, que hoje não consegue se recolocar na empresa onde era sócio, e cuja envelhecida esposa está internada num asilo miserável; infelizmente, o poder de Orson, além de não ter ficado claro como os dois últimos, ainda é responsável por uma cena extremamente violenta que contrasta com o padrão do episódio até então.

A segunda parte do episódio desenvolve os personagens e as situações, uma em particular muito interessante, que é a gravidez de Lily, cuja concepção aconteceu provavelmente antes do desaparecimento, apesar dela não ter tido relações sexuais nas semanas antecedentes. Por outro lado, a morte da esposa de Orson perde todo o efeito dramático por causa do fenômeno extravagante provocado por ele, e desde já classifico este como o personagem que menos gosto. Já Shawn, eu gosto, e apesar dos conflitos que ele enfrenta no colégio serem desinteressantes, felizmente parecem ser temporários, e basicamente servira para mostrar que o poder do garoto não parece se limitar apenas a fazer reviver.

The 4400 pode até ser uma série estranha, mas o fato de ter poucos episódios (42 divididos por quatro temporadas) ajuda a experiência a se tornar mais fácil. Independente disso, ela já chamou minha atenção o bastante para me fazer querer conhecer seu desfecho.

3-estrela

Padrão ou não?

9 09UTC Março 09UTC 2009

Apesar de tão poucos episódios até agora, Fringe parece decidida a se afastar da imagem de copia de The X-Files e se aproximar um pouquinho da nova onda que Lost proporcionou: toda uma série de episódios quase que 100% envolvidos por uma única trama. Diferentemente do sucesso de Chris Carter, onde os agentes investigavam centenas de casos aleatórios e eventualmente se deparavam com seu adversário-mor, em Fringe, absolutamente tudo envolve o Padrão – e, por tabela, o fascinante cientista Walter Bishop, que sempre encontra facilidade na resolução dos mistérios.

Esta premissa, porém, limita a extensão de Fringe, que ameaça cair numa estranha mesmice ao sempre trazer Bishop envolvido no Padrão. Por outro lado, a série se salva com a criatividade sem fim dos roteiristas em sempre criar casos originais e muito interessantes e com a habilidade de situar tais casos no mundo real com explicações cientificas favoráveis.

Dito isto, Fringe quase demorou um pouquinho demais para assumir sua trama de conspiração. E primeiro sugeriu isto num bom episódio, para finalmente escancarar o mote no excelente sétimo episódio, que lembra em muito a adrenalina e as subtramas simultâneas das primorosas Lost e 24.

Mas mesmo Walter Bishop sendo o personagem mais querido de Fringe, a boa verdade é que todos os personagens fixos são igualmente interessantes, do enigmático e pragmático Broyles a doce e quase apagada Astrid, com destaque, óbvio para o agora adulto Joshua Jackson (o eterno Pacey e melhor ator daquela série) e a estreante Anna Torv, a nova estrelinha de JJ Abrams.

Fringe revela-se cada vez mais uma produção inteligente e poderosa, aos moldes do passado, onde a regra básica era episódios totalmente independentes com um pedaço de arco dramático aparecendo nos começos e finais de temporada, e aos moldes da atualidade, mergulhando acontecimentos aparentemente aleatórios em um único universo e sob um único teto. Assim, Fringe preenche a vaga aberta desde 2002, quando Arquivo X deixou as telas, e ainda angaria os fãs da nova geração que em breve se sentirão órfãos quando Lost, a mais fascinante série da década, chegar ao fim.

Porque duvido que Fringe seja uma série de duas temporadas.

4-estrela6

JJ

9 09UTC Março 09UTC 2009

Nos primeiros episódios, lentamente formei inúmeras expectativas para alguns personagens. Freddie, Cook, Panda, Effy, Naomi, Emily… E, tirando os dois primeiros, todos os outros se revelaram pessoas interessantes e complexas. Já JJ, o máximo que consegui enxergar no rapaz foi a ingenuidade de alguém que jamais conheceu a verdade sobre o mundo e as pessoas ao seu redor, não por medo ou por vontade de se esconder, mas simplesmente por ter um coração puro, intocável. E incorrigível.

Falha minha. JJ é exatamente o que eu não pensava. Alguém muito parecido com nossa velha querida Cassie, que enxerga sim o mundo ao seu redor, e muito melhor do que os outros. Mas, enquanto Cassie tentava se adaptar a este mundo e até mesmo controlá-lo, JJ não tem a mesma força e só o que consegue é lamentar e suplicar para que seu mundo volte ao “normal”. Como uma criança que conta até dez esperando que seu pesadelo termine.

Depois de Tony e especialmente Chris, há uma nova tragédia se aproximando em Skins. E tal expectativa é sugerida pelo plano final do episódio, que mostra um doce e triste olhar de desespero velado no rosto da atriz Juliet Cowan.

Para nossa felicidade, porém, este sétimo episódio de Skins, ultrapassando os limites desta temporada, foi perfeito. Das piadas ao drama, dos surpreendentes jovens atores em suas performances maravilhosas as excelentes escolhas musicais, dos diálogos ao silêncio, culminando até mesmo num mais discreto “next episode” com a triste canção de Bon Iver.

Este JJ-centric foi um episódio tão impecável quanto os inesquecíveis episódios de Jal e Cassie na segunda temporada.

5-estrela5