Eu me dou bem com essa minha personalidade meio distraída, meio ingênua… Por causa dela, por exemplo, frequentemente eu me flagro surpreso com acontecimentos que já não são mais novidade para ninguém, como quando noticiei “Gente, a Madonna desmaiou num show!”, dias após o ocorrido, ou quando estranhei o nome “Topo Gigio”, personagem completamente estranho para mim. E isso é algo que causa momentos como: “Nossa, como assim só agora aconteceu a primeira morte por Gripe Suina na China!”, e alguém pergunta: “Então, Achilles… E de que mês é essa notícia, querido?”. Sem falar em todos os momentos que envolvem cores na minha vida. Eu sou daltônico. Por outro lado, me aproveito dessa característica autoreconhecida e faço brincadeiras como questionar “Que banda é essa?” ao ver alguém assistindo a um videoclipe anos oitenta do U2.
Um recente motivo de risos (e um besliquinho na bochecha acompanhado de um “Que fofo!”) foi quando declarei que quero visitar Amsterdã ano que vem para provar maconha sem peso na consciência, e quando confidenciei que estou com vontade de experimentar LSD, comentando que ia marcar uma consulta médica para saber se é seguro para o meu corpo.
Oras! Por que uma garota de 16 anos pode consultar um ginecologista ao decidir transar e um homem adulto não pode consultar, por exemplo, um cardiologista para usar drogas de acordo com o conceito de Redução de Danos?
De fato, eu realmente tomei essas duas decisões: só vou experimentar maconha quando estiver em um País em que a droga for legal, e só vou provar qualquer outra droga quando um médico disser que é relativamente seguro. E sim: eu acredito que encontrarei um médico mente aberta o bastante para ser completamente honesto (em todos os sentidos).
Mas o que me fez escrever esse post é um acontecimento ocorrido lá em setembro, num dos cantos escuros da badalada e (eu acho) bem frequentada casa noturna A Lôca.
Não entrarei em detalhes agora, para entender o caso basta ler uma matéria do G1 aqui ou, de preferência, um relato em primeira pessoa aqui (posts da época).
Leia, por favor.
Viu? Agora me diz… O que você acha?
Bom, eu estou sim surpreso. Claro que sei imagino o que rola por aí nas noites paulistanas. Mas sempre associei os casos de agressão mais graves à tribos como skinheads e punks. Sim, eu também sei que há inúmeros casos de violência e assassinato cometidos por seguranças de bares e casas noturnas. Mas sempre acreditei que estes casos fossem casos de homens recém-contratados que eram provocados e, provavelmente tão chapados quanto os baladeiros, se descontrolavam. E sempre acreditei que esses homens eram sumariamente presos ou demitidos.
E agora leio que uma das casas noturnas que eu mais frequento frequentei é justamente conhecida por abrigar seguranças que explodem à menor oportunidade. O Gerente? Simplesmente “revidou as agressões”, dominou o cliente ao invés de cumprir seu papel e tentar acalmá-lo
Eu só não acho que o flyer criado para ilustrar o protesto seja válido. “Até quando seremos tratados como lixo apenas por termos gostos diferentes?”, diz a arte gráfica. Eu não acredito (novamente minha ingenuidade falando?) que o motivo da barbarie seja preconceito contra classes, estilos ou sexualidde – afinal, trabalhar como segurança em uma balada gay e ser, por exemplo, homofóbico, não parece fazer muito sentido.
Contudo, trabalhar como segurança em qualquer que seja o lugar e ser justamente o responsável por uma agressão hedionda a um dos frequentadores… É, isso também não faz o menor sentido.











