Neste final de semana, tirei o atraso e assisti a quatro filmes que já deveria ter visto há algum tempo.
Crepúsculo
Violência Gratuita
Coraline e o Mundo Secreto
Na Natureza Selvagem
Um ruim, um bom, um ruim e um excelente. Assim, uma média ótima para a sessão.
Crepúsculo basicamente consegue o mesmo resultado do livro. Uma narrativa ligeiramente agradável, uma protagonista carismática e um protagonista… Apenas um pouquinho mais interessante que o original, mas imediatamente sabotado por um Robert Patinson sem graça e com uma beleza plástica artificial e mal aproveitada – qualquer rapaz rico, que se vista bem e tenha um cabelo fashion (!) (a cor é realmente ótima) atrairia mais atenção do que os demais. Agora, por que a a garota se sentiria mais atraida por ele do que pelo carismático Mike Newton ou pelo dócil e familiar Jacob Black, é um mistério – não, não é, os sanguessugas têm o “poder” predatório de atrair sensualmente as pessoas (leia-se: presas).
Mas o tédio (sim, fiquei entediado com Crepúsculo) logo foi substituido pela tensão e os nervos à flor da pele. Violência Gratuita não apenas é um exercício narrativo perturbador (a revira-volta no terceiro ato é um tapa na cara), como também um execício emocional angustiante. Em certo momento do longa, o simples enquadramento do personagem George sentado em uma cadeira ao lado de uma janela fez meu ar desaparecr, já que anos e anos de cinema-óbvio me ensinou a temer qualquer “entrada” para o vilão, especialmente quando a câmera se fixa num mesmo quadro por mais do que poucos segundos.
Infelizmente, Coraline e o Mundo Secreto não continuou o nível de Violência Gratuita, revelando-se um filme visualmente encantador (que cores maravilhosas!), com personagens muito agradáveis e basicamente divertidinho, mas que no final das contas não parece oferecer mais ou melhor do que outras obras do gênero (embora, curiosamente, eu não consiga comparar sua trama a qualquer outra).
Já Na Natureza Selvagem cumpriu e superou todas as expectativas. Deixei por último já esperando que fosse o melhor, e não me enganei. Angustiante desde a primeira cena, quando vemos a personagem de Marcia Gay Harden acordando abalada, é particularmente feliz com sua coleção de personagens, já que todos os indivíduos que cruzam o caminho do protagonista são belíssimos ao seu próprio modo; em especial a triste Jan, de Catherine Keener, que me comoveu profundamente em suas poucas e marcantes cenas.
(Kristen Stewtart, a Bella de Crepúsculo, também cruza a tela por aqui, provando ser uma atriz mais talentosa do que parecia no romance-vampiresco).
Mas o que mais me emocionou em Na Natureza Selvagem foi a narrativa em off de Jena Malone, que interpreta a doce e companheira irmã do protagonista e, assim, abre uma janela para sua família – sendo, além de tudo, outra vítima do abandono do rapaz. Tentando condenar a atitude do irmão ao mesmo tempo em que tenta se convencer de que o compreende, a garota assiste a gradual degradação emocional de seus pais, o que a faz sofrer ainda mais pelo desaparecimento do irmão.
E se a morte do viajante é aguardada desde o início da jornada, o modo como acontece confere um sabor agridoce ao desfecho, revelando-se ao mesmo tempo um anticlímax e um alívio, – eu, francamente, esperava por um destino violento, e confesso que fiquei feliz que a consequência final de sua aventura tenha sido tão branda, embora ainda dolorosa.
Contudo, o que mais perturba, angustia e fascina em Na Natureza Selvagem é pensar nos personagens que cruzaram a tela ao longo da projeção e que, por um tempo certamente indeterminável, devem ter esperado que aquele jovem encantador voltasse a suas vidas. Incluindo neste lista, a própria família do rapaz, eternamente condenada à dor de esperar por alguém que jamais irá voltar – e, pior, sem jamais ter certeza de quais foram os últimos sentimentos dele, se foram culpados até o fim ou se, antes do fim, conseguiram ser perdoados por erros que, de certa forma, eram inevitáveis.









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