agridoce

O tom do tempo

Experiência semelhante a saltar no tempo e ver um flerte inconsequente tornado um casamento maduro, meu reencontro com o dueto Agridoce foi um presente feliz e catártico, 11 meses e 1 álbum depois do primeiro show, no Studio SP, em junho do ano passado.

Vestido de roxo, chardonnay e um par de sorriso-e-brilho-nos-olhos que não consegui disfarçar, fui sozinho para o Tom Jazz e lá encontrei amigos, namorados e familiares que não eram nenhum meus. Flutuei entre estranhos. E, de canto, vi tudo acontecer com privilégio: sem distrações.

No palco, a cumplicidade me-segura-que-eu-te-apoio deu lugar a uma dinâmica diferente, um pouco macerada, mas também mais forte. As asas têm os calos do pulo, mas agora sabem fazer vento sozinhas. E a comunicação, como em todo casamento que se preze, funciona no olhar. Da mesma forma, a relação com o público também amadureceu. As histórias típicas de primeiro encontro (assim como a histeria do público desavisado) foram trocadas por silêncio e breves palavras entre uma música e outra – embora sempre haja um chato, como a menina ao meu lado que gritou “Toca uma sua!” para Pitty, referindo-se às músicas da banda de rock da qual os dois músicos fazem parte.

E, por fim, os amigos: antes chamados em batalhão para dividir o frio na barriga no palco (o encerramento daquele primeiro show, com O Porto, foi apoteótico), agora eles se resumem a um ou outro convidado que se senta à vontade na intimidade do casal. Esta noite, foi Jajá Cardoso, da banda Vivendo do Ócio, que mesmo nervoso deu uma inesperada e linda jovialidade a 130 Anos.

Mas quanto mais escrevo dupla, dueto e casal, mais me sinto culpado. Em tempo, uma correção: Agridoce fora do disco é um quarteto. E o palco não funcionaria tão bem se não contasse com os eletrônicos de Loco Sosa e o maravilhoso papel do percussionista Luciano Malásia, que parece dançar com seus instrumentos e rouba o palco para si.

Coleção de músicas nascidas-clássicas e peformances arrebatadas, o show do Agridoce se torna ainda mais rico e intenso graças ao achego promovido pelo tamanheco intimista do Tom Jazz, onde eles tocarão até domingo.

E eu estarei lá nesse último dia. De canto. E desta vez de tinto.

Observação: embriagado, emocionado e apertado, ao final do show, eu basicamente SACUDI Jajá Cardoso pelos ombros ao agradecê-lo por sua participação e… perguntar onde era o banheiro. #Vergonha

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